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Candidato a deputado estadual, Kleber Rosa apresenta propostas voltadas à população LGBTQIAPN+ da Bahia

Redação,
08/09/2026 | 23h09
Foto: Genlsn Coutinho

Abrindo a série de entrevistas com candidatos aliados há causas da população LGBTQIAPN+, Dois Terços entrevista Kleber Rosa, o candidato a deputado estadual fala sobre combate à LGBTfobia, geração de emprego e renda, empreendedorismo e a descentralização das políticas públicas no Estado.
A garantia de direitos, o enfrentamento à violência e a criação de oportunidades para a população LGBTQIAPN+ estão entre as pautas defendidas por Kleber Rosa. Durante a entrevista, Rosa apresentou propostas para combater a LGBTfobia, ampliar a inserção de pessoas trans e travestis no mercado de trabalho, o fortalecimento de empreendedores LGBTQIAPN+ e levar políticas públicas para além de Salvador.
Dois Terços: A Bahia ainda registra casos de violência e discriminação contra pessoas LGBTQIAPN+. Quais serão suas prioridades no combate à LGBTfobia?
Kleber Rosa : Nosso compromisso é apresentar um projeto de lei estadual que fortaleça o enfrentamento aos crimes motivados por LGBTfobia, em consonância com a legislação federal. Também vamos propor o fortalecimento das delegacias especializadas e a criação de canais de denúncia mais acessíveis, além da capacitação de policiais e agentes públicos para o atendimento adequado à população LGBTQIAPN+. Defendo ainda a criação de um Observatório Estadual da Violência LGBTfóbica, para termos dados confiáveis que possam orientar a construção e o aprimoramento das políticas públicas. A educação também precisa fazer parte desse processo, com ações de respeito à diversidade no ambiente escolar e formação continuada dos profissionais da educação.

Foto: Genilson Coutinho n


DT: Quando falamos de pessoas trans e travestis, o acesso ao mercado formal de trabalho continua sendo um grande desafio. O que seu mandato pretende fazer para mudar essa realidade?
KR: Vamos defender políticas de inclusão de pessoas trans e travestis nos concursos públicos estaduais e também mecanismos de incentivo à contratação por empresas que prestam serviços ao Estado, respeitando os limites constitucionais e legais. Pretendo ainda buscar parcerias com o Sistema S para ampliar a oferta de cursos de qualificação profissional voltados a essa população. Outra prioridade será a construção de um programa estadual de transição e inserção profissional para travestis e mulheres trans em situação de vulnerabilidade, criando oportunidades reais de autonomia financeira.
DT: Muitos LGBTQIAPN+ encontram no empreendedorismo uma alternativa para gerar renda. Como o Estado pode apoiar esses pequenos negócios?
KR: Queremos ampliar o acesso ao microcrédito para empreendedores LGBTQIAPN+, utilizando os instrumentos financeiros disponíveis no Estado, além de propor editais de fomento para áreas como economia criativa, moda, arte, gastronomia, cultura e eventos, considerando recortes de diversidade. Também vamos defender a realização de feiras e vitrines que deem visibilidade a esses negócios e a criação de mecanismos de apoio jurídico e contábil para quem precisa formalizar seu empreendimento. Não basta incentivar a pessoa a empreender; é preciso oferecer condições para que o negócio cresça, gere renda e se mantenha.
DT: Grande parte das políticas voltadas à população LGBTQIAPN+ ainda está concentrada em Salvador. Como garantir que esses direitos também cheguem ao interior da Bahia?
KR: Essa concentração precisa mudar. Vamos defender a descentralização das políticas públicas, com núcleos regionais em cidades-polo, como Feira de Santana, Vitória da Conquista, Ilhéus e Juazeiro. Também considero importante termos equipes itinerantes de atendimento psicossocial, jurídico e de saúde que possam chegar aos municípios que não possuem estrutura própria. Além disso, precisamos estabelecer uma articulação permanente com as prefeituras para que programas de qualificação profissional, geração de renda, empreendedorismo e proteção de direitos cheguem efetivamente ao interior.
DT: Caso seja eleito deputado estadual, qual compromisso concreto a população LGBTQIAPN+ poderá cobrar de Kleber Rosa?
KR: Meu compromisso é apresentar, já nos primeiros 100 dias de mandato, pelo menos um projeto de lei estruturante relacionado aos direitos da população LGBTQIAPN+. Também quero prestar contas publicamente, todos os anos, sobre nossa atuação e acompanhar indicadores relacionados à violência, emprego e renda dessa população na Bahia. Pretendo construir um mandato participativo, mantendo diálogo permanente com lideranças, organizações e movimentos LGBTQIAPN+. Além de apresentar propostas, vamos fiscalizar o orçamento e cobrar do Poder Executivo a execução das políticas públicas. O compromisso é fazer com que direitos e políticas não permaneçam apenas no papel, mas cheguem à vida das pessoas.