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Suicídio entre pessoas LGBTQIAPN+ cresce no Brasil; mulheres trans e travestis registram as taxas mais altas de ideação e tentativa

Genilson Coutinho,
08/09/2026 | 14h09
Foto: Divulgação

O Brasil registrou 20 suicídios de pessoas LGBT+ associados a LGBTfobia em 2025, segundo o mais recente relatório do Grupo Gay da Bahia (GGB), número que representa alta em relação aos 18 casos contabilizados em 2024. Os números fazem parte do levantamento anual da organização, que monitora a letalidade motivada por LGBTfobia no país há 45 anos e que aponta o Brasil como o país com maior número de suicídios e homicídios de pessoas LGBT+ do mundo.
 

Entre a população trans, o quadro é ainda mais grave. Um estudo brasileiro com 378 pessoas trans, publicado pela Ciência & Saúde Coletiva e citado em pesquisa recente da SciELO, identificou que 67,72% já tiveram ideação suicida em algum momento da vida e 43,12% já tentaram suicídio, índices muito acima da média da população em geral. O mesmo estudo constatou que 67,2% dos entrevistados relataram sintomas depressivos na semana anterior à pesquisa.
 

Segundo pesquisadores da área, o comportamento suicida nesse grupo não decorre da orientação sexual ou identidade de gênero em si, mas do chamado estresse de minoria, junto com o efeito acumulado de rejeição familiar, discriminação, bullying e falta de acesso a serviços de saúde mental preparados para acolher essas vivências.
 

Para Karen Scavacinipsicólogadoutora em Psicologia pela USPmestre em Saúde Pública e fundadora do Instituto Vita Alere, os dados mostram a urgência de estratégias de prevenção que reconheçam as vulnerabilidades específicas da população LGBTQIAPN+.”Quando falamos de saúde mental nessa população, estamos falando de um conjunto de condições que se acumulam. Exclusão social, insegurança econômica e barreiras de acesso a cuidado acabam produzindo um nível de desgaste que não se explica por um único fator”, afirma.
 

Sobre o Instituto Vita Alere
O Instituto Vita Alere é uma organização dedicada à prevenção do suicídio e da automutilação, ao acolhimento de sobreviventes e enlutados e à formação de profissionais e da sociedade sobre saúde mental, violência e cuidado. É coordenado por Karen Scavacini, psicóloga e pesquisadora especializada no tema.
 

Sobre Karen Scavacini
Karen Scavacini é psicóloga e pesquisadora, mestre em Saúde Pública pelo Karolinska Institutet (Suécia) e doutora em Psicologia pela USP. Fundou em 2013 o Instituto Vita Alere, pioneiro em posvenção e saúde mental digital no Brasil. Representa o país na International Association for Suicide Prevention (IASP) e é membro fundadora da ABEPS.