Vivendo 2026 reúne pessoas vivendo com HIV para debater cuidado, prevenção e direitos
O XXI Encontro Nacional de Pessoas Vivendo com HIV e Aids — Vivendo 2026 — reúne, entre os dias 26 e 29 de março, cerca de 150 participantes de diferentes regiões do país para discutir os rumos da resposta brasileira à epidemia.
A iniciativa é organizada pelo Grupo Pela Vidda Rio de Janeiro, organização da sociedade civil com atuação histórica no enfrentamento ao HIV/aids, e propõe um espaço de articulação entre pessoas vivendo com HIV, ativistas, profissionais de saúde e representantes de instituições públicas.
Com o tema “Resistir e fortalecer a luta”, o encontro promove, ao longo de quatro dias, uma programação com mesas temáticas, rodas de conversa e atividades colaborativas voltadas à análise de políticas públicas, acesso ao cuidado e estratégias de prevenção.
Memória como eixo do debate
A abertura do evento retoma marcos da resposta à aids no Brasil, incluindo a mobilização da sociedade civil, a ampliação do acesso ao tratamento e a consolidação do Sistema Único de Saúde.
A proposta é resgatar experiências acumuladas ao longo das últimas décadas e relacioná-las com os desafios atuais enfrentados pelas políticas públicas de saúde.
Metas globais e cenário nacional
Um dos principais eixos do encontro é o debate sobre as metas 95-95-95 do Unaids, que estabelecem objetivos para ampliar o diagnóstico, o tratamento e a supressão viral até 2030.
As discussões abordam a situação brasileira em relação a esses indicadores, com foco em temas como continuidade do cuidado, adesão ao tratamento e desigualdades no acesso aos serviços de saúde.
Populações em maior vulnerabilidade
A programação também prioriza o debate sobre grupos mais afetados pela epidemia, incluindo jovens, pessoas trans, pessoas com mais de 50 anos e indivíduos que vivem com coinfecção por tuberculose.
Questões como estigma, discriminação, saúde mental e transmissão vertical do HIV também integram as atividades previstas.
Prevenção e novas tecnologias
O encontro inclui discussões sobre estratégias biomédicas de prevenção, como PrEP, PEP e DoxyPEP, além de reflexões sobre o acesso a essas tecnologias no sistema público de saúde.
Também estão previstas mesas sobre pesquisas em andamento relacionadas a vacinas e possibilidades de cura do HIV.
Articulação entre sociedade civil e poder público
Outro ponto da programação é o debate sobre a relação entre organizações da sociedade civil e o Estado na implementação de políticas públicas voltadas ao HIV/aids.
Participantes discutem mecanismos de financiamento, participação social e estratégias para fortalecimento das ações comunitárias.
Ao final do encontro, será elaborada a “Carta do XXI Vivendo”, documento que deve reunir propostas, avaliações e recomendações construídas pelos participantes ao longo das atividades.
O material será encaminhado a gestores públicos, organizações e redes envolvidas na resposta ao HIV/aids no Brasil.