Vacinação contra a gripe avança no Brasil e é essencial para pessoas que vivem com HIV, reforça infectologista
A Campanha Nacional de Vacinação contra a Influenza começou com alta adesão em todo o país e já ultrapassou a marca de 2,3 milhões de doses aplicadas nas regiões Nordeste, Centro-Oeste, Sul e Sudeste. A mobilização, que segue até 30 de maio pelo Sistema Único de Saúde (SUS), busca ampliar a cobertura vacinal antes do período de maior circulação do vírus, durante o inverno — um cenário que exige atenção redobrada de grupos mais vulneráveis, como pessoas que vivem com HIV.
Dados do Ministério da Saúde mostram que, apenas no Dia D de vacinação, realizado no último sábado (28), foram aplicadas cerca de 1,6 milhão de doses, sendo 94% destinadas a públicos prioritários, como crianças, gestantes e idosos. Ao todo, 15,7 milhões de doses já foram distribuídas aos estados para garantir o avanço da campanha.
Pessoas com HIV estão entre os grupos prioritários
Além de crianças, idosos e gestantes, a estratégia também contempla pessoas com doenças crônicas e condições clínicas especiais — grupo no qual estão inseridas as pessoas vivendo com HIV, que apresentam maior risco de complicações em caso de infecção por vírus respiratórios.
Dados epidemiológicos preliminares de 2026 apontam um cenário de alerta: até 14 de março, o Brasil registrou 14,3 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), com cerca de 840 óbitos. Entre os casos graves, a influenza corresponde a 28,1% das infecções identificadas, reforçando a importância da vacinação como medida de prevenção.
“Não há nenhuma restrição para pessoas com HIV”
De acordo com o infectologista Lucas Loureiro, do Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids de São Paulo, não há impedimentos para que pessoas vivendo com HIV se vacinem.
“As pessoas que vivem com HIV podem tomar a vacina da gripe sem nenhuma restrição. É uma medida importante de proteção, principalmente porque essas pessoas podem ter maior risco de complicações se contraírem o vírus”, afirma.
O especialista ressalta que as contraindicações são específicas e não têm relação com o HIV. “A única contraindicação mais conhecida é para pessoas com alergia grave a componentes da vacina, como o ovo. Ainda assim, isso deve ser avaliado individualmente com o médico, porque existem alternativas e orientações específicas para cada caso”, explica.
Vacina não causa gripe e não interfere no tratamento
Um dos mitos mais comuns ainda é a ideia de que a vacina pode causar gripe — o que não procede, segundo o infectologista.
“A vacina não causa gripe. Ela é feita com vírus inativado, ou seja, não tem capacidade de provocar a doença. O que ela faz é preparar o organismo para que, se houver contato com o vírus, os sintomas sejam mais leves e o risco de complicações diminua”, destaca Loureiro.
Para quem está em tratamento antirretroviral, a vacinação também é segura. “A vacina da gripe não interfere no tratamento antirretroviral. Ela pode ser administrada normalmente, sem prejudicar a eficácia dos medicamentos”, ressalta.
Imunização anual é fundamental
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Segundo o especialista, não há necessidade de um esquema diferenciado na maioria dos casos. “O mais importante é manter a vacinação anual, conforme as campanhas do Ministério da Saúde. Em alguns casos específicos, o médico pode orientar de forma individualizada”, pontua.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, também reforçou a importância da adesão à campanha. “Não negue ao seu filho um direito que nossos pais não nos negaram. Vacinar é também um ato de amor à sua família. Vá até um posto de saúde para se vacinar, vacinar quem você ama e cuidar da sua saúde para que possamos viver um futuro mais seguro”, declarou.
Vacina é aliada na prevenção de casos graves
Disponível gratuitamente nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e em postos de vacinação em locais de grande circulação, a vacina contra a gripe segue como uma das principais estratégias para reduzir internações e mortes por influenza.
Para pessoas que vivem com HIV, a recomendação é clara: manter a vacinação em dia é parte essencial do cuidado contínuo com a saúde — e uma das formas mais eficazes de evitar complicações graves.
DA Agência AIDS