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Samba Junino embala desfile do Quero Ver o Momo e ocupa Circuito Batatinha com tradição e ancestralidade

Redação,
16/02/2026 | 12h02
(Foto: Divulgação)

Quem percorreu as ruas do Pelourinho no fim da tarde deste domingo, 15, se deparou com uma verdadeira homenagem ao Samba Junino promovida pelo Bloco Quero Ver o Momo ao longo do Circuito Batatinha. Levando os batuques do samba duro em alas culturais que exaltavam, por meio de figurinos e adereços, esse ritmo reconhecido como patrimônio cultural imaterial de Salvador, a associação cultural e carnavalesca uniu tradição, ancestralidade e encontro de gerações em uma festa voltada, sobretudo, ao bem-estar da pessoa idosa.
 
Reunindo mais de 600 foliões, o bloco foi animado pelo sopro e pela percussão da Orquestra de Rua Recordar, com um repertório que alinhava antigos carnavais a músicas que permanecem vivas na memória popular, dialogando diretamente com o anfitrião do dia: o Samba Junino. O batuque que não deixou ninguém parado ficou por conta do Samba Fogueirão, grupo com raízes no bairro da Federação e referência na preservação do chamado samba duro.
 
Outro destaque do cortejo foi a participação da Realeza Momesca da Melhor Idade – formada por Rainha, Princesa e Miss Simpatia – que desfilou em ala própria, reafirmando o protagonismo das mulheres idosas no Carnaval. Junto a elas, baianas, mestre-sala e porta-bandeira, mestras e mestres do Samba Junino e demais alas compuseram um desfile marcado pelo afeto e pela memória coletiva.
 
“Em parceria com o artista plástico Joaquim Assis, os figurinos foram confeccionados especialmente para criar esse universo de sentidos do Samba Junino, ritmo que nasceu e cresceu nas comunidades de Salvador e embala gerações imersas nessa cultura das ruas. Foram meses de trabalho pensando em como oferecer uma folia inclusiva e alegre, exaltando a cultura afro-brasileira a partir das nossas raízes, e acredito que o resultado tenha sido satisfatório para todos que participaram ou avistaram o cortejo nas ruas do Pelourinho”, comemora a produtora cultural Cris Santana, presidente do Bloco Quero Ver o Momo.
 
Além do caráter cultural, a edição de 2026 também foi marcada por uma ação solidária inédita: para participar do cortejo, o público realizou a troca do abadá por 2 kg de alimentos não perecíveis. As doações arrecadadas serão destinadas a instituições sociais parceiras, o Lar Santo Expedito e a Instituição Beneficente Conceição Macêdo, ampliando o impacto do projeto para além da folia.
 
Neste ano, o desfile do Bloco Quero Ver o Momo contou com apoio do Samba Vivo e da Secretaria Municipal da Reparação – SEMUR. A Associação Cultural e Carnavalesca Quero Ver o Momo é uma entidade apoiada pelo Programa Ouro Negro, iniciativa do Governo da Bahia que fortalece a cultura popular e identitária do estado. Em 2026, o Ouro Negro tem investimento recorde na valorização de blocos afro, afoxés, grupos de samba, reggae e blocos de índio. Com esse apoio, a tradição e a ancestralidade são protagonistas no carnaval e nas festas populares da Bahia.