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Obra de Tarsila do Amaral inspira arte do azulejo ‘Aqui Respeitamos a Diversidade’

Genilson Coutinho,
26/05/2026 | 12h05

Em 11 edições do projeto esta é a primeira vez que um artista convidado se inspira em uma obra existente para a criação do azulejo. A obra emblemática de Tarsila do Amaral, “Operários” de 1933 foi o ponto de partida para a criação da peça pelas mão hábeis do artista Charles Barreto, um sergipano radicado no Rio de Janeiro.

“Em 1933 Tarsila do Amaral pintou o quadro “Operários” simbolizando a industrialização brasileira. Ao mesmo tempo que homenageava os operários, a obra tinha uma crítica social sobre a exploração e desumanização dos trabalhadores. Minha atenção ao contemplar essa obra sempre se volta para pluralidade de rostos e etnias representando pessoas de vários lugares do Brasil. O quadro se torna um documento histórico que reflete a tensão e os desafios da época”, declara Charles Barreto.

“Inspirado nessa bela obra que tão bem retrata a diversidade étnica brasileira, proponho aqui uma atualização desse tema. Passaram-se mais de 90 anos e associações como a Câmara LGBT e cada um de nós individualmente lutamos pelo respeito a uma outra diversidade, a diversidade Humana, cada pessoa é um ser único e dessa forma deve ser respeitada”, finaliza o artista.

Para Ricardo Gomes, Presidente da Câmara LGBT ter um artista multifacetado como Charles Barreto é uma honra. “Eu não conhecia o Charles Barreto e nem seu trabalho. A indicação dele pela amiga e parceira Beth Paiva do Rio Scenarium, foi uma grata surpresa. Conheci uma coleção de obras dele expostas na Galeria Scenarium e fiquei encantado com a sua forma de retratar cores, formas, matérias e sobretudo sua leitura sobre o universo a sua volta. A minha alegria foi imensa quando chegou a arte do azulejo inspirada nesta obra de Tarsila, na qual já me inspirei para criar um projeto de jovens designers de moda: Sinergia pura.”

O quadro “Operários” de Tarsila do Amaral (1866-1973) faz parte do acervo do Governo do Estado de São Paulo e atualmente está exposto no Palácio dos Bandeirantes, sedo do Governo Paulista.

Sobre o artista

Nascido em Aracaju-SE, teve uma formação profissional diversificada, primeiramente em Zootecnia. Atualmente é Diretor Cultural do Grupo Scenarium que inclui o Rio Scenarium, o Dolores Club, os restaurantes Santo Scenarium e Mangue Seco e a Galeria Scenarium.

Admirador de arte em geral, desde sempre incluía a programação cultural como prioridade nas viagens que fazia a trabalho ou lazer. Teve oportunidade de acompanhar o crescimento e desenvolvimento de uma artista, minha irmã Rita Barreto que foi a sua maior incentivadora.

O curso “Encontros e Reflexões” ministrado pela artista Iole de Freitas, provocou uma transformação na forma de ver uma obra de arte, desde então continuou estudando arte, especialmente a arte contemporânea e surgem os primeiros trabalhos, que eram então muito influenciados pelos trabalhos de Arthur Bispo do Rosário e Farnese de Andrade. O acúmulo de antiguidades e objetos curiosos que colecionava como hobbie e a admiração pelos artistas citados acima o levaram a realizar suas primeiras assemblages e depois suas pinturas.

Charles Barreto é um artista visual que transforma objetos ordinários em narrativas extraordinárias. Nascido em Aracaju e moldado pela efervescente cena cultural do Rio de Janeiro, desenvolveu uma linguagem singular por meio da assemblage — entrelaçando memória, estética e crítica social. Fragmentos esquecidos e relíquias do cotidiano são resgatados para compor obras que dialogam com o sagrado e o profano, o íntimo e o coletivo.

Barreto se revela como um artista que desafia as fronteiras da expressão. Sua jornada criativa não é uma linha reta, mas sim um labirinto de descobertas, onde a paixâo pela arte, a curiosidade, insaciável e a reverência pelo passado se fundem para dar vida a um universo singular e envolvente.

A história do Azulejo

Desde 2016, o azulejo tem sido produzido de maneira contínua com o propósito de incentivar estabelecimentos, instituições, governos e indivíduos a declararem, de forma voluntária, seu respeito à diversidade.

Cada azulejo segue um padrão de 20 x 20 cm e obrigatoriamente exibe a frase “Aqui Respeitamos a Diversidade” em português, espanhol e inglês. Com o intuito de promover o respeito à diversidade por meio da arte, os artistas convidados têm liberdade para criar suas peças, sendo sugerido pela Câmara LGBT que os azulejos reflitam o estilo e a essência das obras desses artistas.

Em 2016 uma equipe interna da Câmara LGBT criou o primeiro azulejo. No ano de 2017, Weider Silvério assinou a peça, optando por uma abordagem mais clássica que celebrava o respeito à diversidade. Em 2018, foi a vez do estilista Fause Haten, que se inspirou em formas e seres singulares para criar uma obra que promovia a união dessas misturas únicas.

Em 2019, Ronaldo Fraga trouxe seu estilo marcante e referências de um Brasil plural, leve e divertido para a peça, reforçando a ideia de que a diversidade é uma das maiores riquezas do país. No ano seguinte, em 2020, Laerte Coutinho, trouxe seu estilo divertido e inconfundível para representar diversas orientações sexuais e identidades de gênero em uma tela de celular.

Em 2021, a liberdade criativa do ilustrador Marcelo Stockler representou a memória, os sonhos e os desejos do futuro, em uma obra que reforça a importância do afeto e do acolhimento entre as pessoas, em tempos difíceis e desafiadores. Já em 2022, a escritora baiana Elayne Baeta assinou a peça, retratando a variedade de tonalidades de pele e formas dos braços como uma representação dos corpos negros, brancos, magros, gordos, amputados e outros. Com isso, ela evidenciou a riqueza da diversidade, enquanto celebra a baianidade.

Em 2023, o azulejo foi ilustrado pela mulher trans, designer e diretora de comunicação da Câmara LGBT, Dani Coatswith, que trouxe um olhar para as pessoas trans e travestis e a importância da representatividade. Em 2024 Maurício de Souza, o primeiro aliado da comunidade criou o azulejo inspirado em diálogos de pessoas diferentes em um ambiente de afeto e respeito. Já em 2025 Milton cunha trouxe o universo do carnaval para o azulejo com confetes, serpentinas, cores e arco-íris trazendo positividade e esperança que eles representam.