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No Dia do DJ, Anne Louise fala sobre pressão, evolução e identidade artística: “a técnica e a identidade ainda são o que sustentam uma carreira”

Genilson Coutinho,
07/03/2026 | 13h03

Foto: Divulgação/Assessoria

No Dia Internacional do DJ, celebrado em 9 de março, a trajetória de DJ Anne Louise reflete não apenas a evolução da profissão no Brasil, mas também os desafios emocionais e estruturais enfrentados por mulheres na música eletrônica. Artista que construiu seu espaço com identidade própria dentro do Tribal House, ela fala sobre coragem, propósito e resistência em um mercado competitivo.

O momento mais desafiador da sua caminhada veio antes mesmo dos grandes palcos. Foi quando decidiu transformar a música em profissão. “Foi assumir que a música seria minha profissão principal. Largar a estabilidade e lidar com a culpa que senti no início não foi simples. Também houve momentos de solidão na estrada, de depressão e de muitos questionamentos internos. Mas esses períodos me fizeram crescer e entender que propósito não é confortável. É verdadeiro.”

Ao analisar o cenário atual, DJ Anne Louise reconhece que houve uma mudança significativa na forma como o DJ é percebido. A profissão deixou de ser vista apenas como entretenimento de pista para ocupar um lugar artístico mais consolidado.

“Hoje o DJ é visto como artista e não apenas como alguém que toca músicas. Existe mais respeito pelo trabalho autoral. Ao mesmo tempo, a exposição aumentou e a cobrança também. O mercado ficou mais competitivo e mais visual. A valorização cresceu, mas a pressão também.”

Em um ambiente dominado por redes sociais e pela cultura da performance, ela observa que a construção de carreira exige equilíbrio entre presença e conteúdo musical. “Hoje existe um peso grande na imagem e na performance, principalmente por causa das redes sociais. Mas a técnica e a identidade musical ainda são o que sustentam uma carreira de longo prazo. A imagem pode abrir portas, mas é a consistência musical que mantém essas portas abertas.”

Para permanecer relevante em uma cena que se transforma com rapidez, DJ Anne Louise defende uma base sólida. “Autoconhecimento e estudo. Quem tenta correr atrás de todas as tendências acaba se perdendo. Mas quem estagna e se prende ao passado também fica para trás. Quem evolui mantendo essência constrói trajetória. Também é fundamental cuidar da saúde mental e do equilíbrio emocional. Carreira longa não é só talento. É resistência.”

Ao falar sobre legado, a artista amplia o olhar para além da própria história. Ela deseja que sua jornada represente coragem e abertura de caminhos. “Quero ser lembrada como alguém que descobriu seu propósito e teve coragem de segui-lo, mesmo com medo. Como uma artista que levou alegria com verdade, que errou, caiu, enfrentou depressão, culpa e insegurança, mas continuou.”

Ela também reforça o significado da sua origem e identidade dentro de um mercado ainda desafiador. “Quero que lembrem que eu subi em grandes palcos pelo mundo mesmo sendo uma mulher nordestina, sensível e autista, em um mercado competitivo e muitas vezes duro. Que eu não deixei que minhas dificuldades me diminuíssem, mas que aprendi a transformá-las em força.”

E conclui com o que considera o verdadeiro sentido da sua trajetória. “Quero ser lembrada como alguém que abriu caminhos. Para mulheres. Para DJs brasileiros. Para o Tribal House. Se minha trajetória servir para que outra pessoa acredite que também pode, então tudo já terá valido a pena.”

Com uma carreira consolidada, Anne Louise já levou seu talento para mais de 30 países e se apresentou em festivais renomados como o Winter Party em Miami, Xlsior em Mykonos e a Parada do Orgulho de Nova York. Para ela, a música é uma ferramenta de conexão.