Mulher vivendo com HIV conta como conseguiu superar a culpa por ter sido infectada

Foto: Divulgação
Assim como a maioria das mulheres heterossexuais brasileiras que vivem com o HIV, Mariana Silva (nome fictício) foi infectada pelo ex-parceiro, com quem viveu por três anos e que nunca contou sobre as suas infecções sexualmente transmissíveis. Ela descobriu o seu diagnóstico em outubro do ano passado.
Natural do Norte do Brasil, Mariana conheceu seu ex-parceiro em novembro de 2021. Três meses após se conhecerem, foram morar juntos. Ele tinha dois filhos e os problemas de relacionamento apareceram já no final dos primeiros seis meses, quando ele exigiu que ela largasse o emprego para ser dona de casa. No final de 2023, após oito meses desempregada e com o companheiro só fazendo bicos de confeiteiro e fazendo corridas esporádicas de Uber, Mariana percebeu que o ex-parceiro estava deixando de trabalhar por motivos de saúde.
“Ele disse que fez todos os exames de ISTs em 2021 e 2022. Mas não fez em 2023. No início de 2024, ele foi embora”, relata Mariana. Logo depois de sair de casa, o ex-parceiro começou a perder muito peso e adoecer. Na sequência, a própria Mariana começou a ter muita coceira na pele e diarreia. Foi quando decidiu se testar e recebeu diagnóstico triplamente positivo: tuberculose, sífilis e HIV.
“Quando descobri, estava tão fraca e fui logo me internar. Por necessidade de ser cuidada, contei para os meus quatro irmãos e também o meu cunhado. Mas todos ainda era muito mal informados sobre HIV, assim como eu. Passei quase seis meses vendo tudo sobre HIV nas redes sociais, buscando informações e apoio. Até que encontrei o Lucian, do Posthividades. Ele me atendeu online e me acolheu de uma forma que ainda não tinha experimentado, desde o diagnóstico. Foi muito bom esse cuidado”, afirma Mariana.
Ela conta que, com o acolhimento e acompanhamento da comunidade, ela conseguiu assumir o diagnóstico e reconhecer que a pessoa com quem ela se relacionou tinha problemas. “Eu não era uma criminosa por ter me infectado. Descobri depois que a esposa anterior abandonou ele por causa da sífilis. E ele acabou se aposentado em razão das muitas doenças”, revela.
Livre da culpa que carregou no início do diagnóstico, Mariana diz que, agora, está pronta para viver um novo ciclo, com mais informações e terapia em dia. Minha família não fala muito sobre o meu diagnóstico. Se não fosse o Posithividades, eu não teria com quem conversar sobre esse novo momento da minha vida”, celebra.