Ouça este post.

Morre Michèle Barzach, ex-ministra francesa que marcou a luta contra a aids ao ampliar políticas de prevenção

Genilson Coutinho,
26/10/2026 | 14h10

Michèle Barzach, médica ginecologista e ex-ministra da Saúde da França, morreu nesta segunda-feira (26), em Paris, aos 83 anos. Reconhecida por sua atuação no enfrentamento à epidemia de HIV/Aids, ela foi responsável por medidas que ampliaram o acesso à prevenção em um período marcado pelo avanço do vírus, pelo medo e pelo preconceito. A morte foi confirmada por sua filha à agência de notícias France-Presse (AFP).

Michele Barzach e Jacques Chirac — Foto: MICHEL CLEMENT

Integrante do governo de Jacques Chirac entre 1986 e 1988, Barzach esteve à frente de decisões importantes para a saúde pública francesa. Em 1986, impulsionou a aprovação de uma legislação que permitiu a publicidade de preservativos na televisão, contribuindo para ampliar o debate sobre sexo seguro em uma sociedade que ainda enfrentava resistências à discussão pública da sexualidade.

Outra iniciativa importante ocorreu em 1987, quando autorizou a venda de seringas sem receita médica e sem exigência de identificação do comprador. A medida buscava reduzir o compartilhamento de equipamentos de injeção entre pessoas que utilizavam drogas, uma das principais vias de transmissão do HIV naquele período.

Segundo o jornal francês Le Monde, essas políticas contribuíram, nos anos seguintes, para diminuir a transmissão do HIV e de outros vírus, como o da hepatite C. As iniciativas também ajudaram a consolidar estratégias de redução de danos, baseadas no acesso à informação e aos instrumentos de prevenção.

Da medicina às políticas públicas

Nascida em 11 de julho de 1943, em Casablanca, no Marrocos, Michèle Barzach mudou-se para Paris ainda jovem, onde estudou medicina. Atuou como ginecologista e psicanalista antes de ingressar na política, aproximando-se do Rassemblement pour la République (RPR), partido de Jacques Chirac.

Em 1986, assumiu o cargo de ministra delegada da Saúde e da Família no governo de coabitação liderado por Chirac. Além das medidas de enfrentamento à Aids, participou de reformas no sistema hospitalar francês e de iniciativas voltadas à ampliação do acesso à saúde.

Michèle Barzach — Foto: JACQUES DEMARTHON

Sua trajetória também se estendeu à atuação internacional. Barzach ocupou funções ligadas à Organização Mundial da Saúde (OMS) e ao Banco Mundial, além de participar de projetos direcionados à saúde de mulheres e crianças, especialmente na África Subsaariana.

Entre 2012 e 2015, presidiu o Unicef França, dando continuidade ao trabalho relacionado à proteção da infância e à promoção do acesso à saúde.

A morte de Michèle Barzach encerra a trajetória de uma médica e dirigente pública que participou de uma mudança importante na resposta francesa à epidemia de Aids. Suas decisões ajudaram a estabelecer a prevenção, a informação e a redução de danos como componentes fundamentais das políticas de enfrentamento ao HIV.

Da Agência