Jovem denuncia caso de homofobia em Itabuna

Qual o papel de um complexo policial? Acreditamos que é para apurar os fatos, punir os infratores e socorrer a vítima. Mas essa prática não aconteceu no último domingo (30), com o fotógrafo Lorra Oliveira, que após ter sido agredido por uma vizinha, foi mais uma vez violentado pelos servidores públicos de plantão.
De acordo com a denúncia da vítima na sua rede social, ele foi agredido por uma vizinha homofóbica e violenta. No meio da confusão, uma amiga chamou a polícia e já neste primeiro momento ele seria conduzido no fundo da viatura como se ele fosse o agressor. Lorra só não chegou a passar por situação pior por pressão dos vizinhos, mas não pense que essa agressão homofóbica parou. Na delegacia, os agentes o algemaram, enquanto a agressora fazia seu barraco na recepção, como se ela fosse a vítima.
Após todo esse constrangimento, ele fez o corpo delito e foi informado que terá que aguardar o julgamento.
Governador, como pode esse servidor cometer uma atitude homofóbica e não ter solução?

Confira abaixo o relato completo:
DIAS DE LUTA, DIAS DE LUTA!
E aí gente, estou vindo aqui para expor uma situação indelicada que passei na noite do último domingo 30, às 23h.
Como todos aqui sabem eu sou homossexual e infelizmente convivemos numa sociedade extremamente preconceituosa e que não respeitam nossas orientações sexuais, recentemente mudei-me para um novo endereço e como sempre acontece, sempre fui motivo de chacota. Ao passar pelos vizinhos sempre ouvindo risadas, deboches e sempre tendo que conviver com isso.
Uma vizinha em especial na data mencionada acima continuou com essas atitudes e meu marido Guilherme dirigiu-se até ela, questionando-a se havia algum palhaço ali e se estávamos num circo, e ela com muita arrogância e gritando muito. Na tentativa de defendê-lo, fui a frente dela e começamos a discutir e ela descontroladamente agrediu-me verbalmente e também fisicamente.
A todo momento das agressões também sofri homofobia e a sensação era de impotência, afinal, se a agressão fosse ao contrário tenho certeza que as atitudes das pessoas seriam totalmente ao contrário.
Após isso, minha amiga ligou para a polícia e com a chegada da viatura, a autora das agressões continuou a nos desrespeitar. Mesmo tremendo, chorando e com muito medo, o policial que atendeu a ocorrência me fez ser levado no camburão (parte do fundo da viatura) e os vizinhos impediram que eu fosse lá, já que eu fui a vítima!
Chegando até o Complexo Policial de Itabuna-BA eu fui direcionado a prestar depoimento, mas não foi isso que aconteceu de fato. Colocaram-me dentro de uma salinha e fui algemado, isso mesmo… A vítima foi algemada! E a autora dos crimes? Ficou na frente da recepção com os mesmos deboches a minha pessoa.
Dei o meu depoimento e fui liberado com um guia para fazer os exames de corpo de delito e pediram-me que eu aguardasse o processo na justiça.
Sei que isso não dará em nada, mas com a ajuda dos compartilhamentos de vocês talvez eu consiga algum advogado que me defenda e esse ser horrível pague por tudo que ela fez.
Desde já agradeço a todos que estão tentando me ajudar de alguma forma e estou sentindo-me abraçado com cada mensagem de carinho.
Procurada pelo Dois Terços, a assessoria da PM BA enviou a seguinte nota:
Uma guarnição do 15º Batalhão foi acionada via Centro Integrado de Comunicações (Cicom) após informações de uma briga entre um homem e uma mulher na Travessa Visconde de Cairu, bairro de Pontalzinho, no município de Itabuna, por volta das 23h50 de domingo (30).
Quando chegaram ao local, os policiais militares encontraram um indivíduo com alguns arranhões na face e uma mulher. Como ambos alegaram terem sido vítimas de agressões mútuas, foram conduzidos à delegacia do município.
Eles não foram conduzidos no presídio da viatura, tampouco algemados na condução e segundo informações de populares que visualizaram o fato as agressões foram iniciadas pelo homem.
No entanto, a instituição orienta ao cidadão que caso ele se sinta prejudicado procure a companhia e formalize a denúncia. Se preferir, o denunciante ainda pode formalizar a sua queixa na sede da Corregedoria Geral da PMBA, no bairro da Pituba, na Ouvidoria da Corporação através do 0800 284 0011 ou no site institucional www.pm.ba.gov.br no link da Ouvidoria.