Homem trans é vítima de transfobia em bar no Rio Vermelho, em Salvador
Um homem trans denunciou ter sido vítima de transfobia e constrangimento ao tentar utilizar o banheiro masculino do restaurante Copito Bar, localizado no bairro do Rio Vermelho, em Salvador. O caso ocorreu na noite do último domingo (25).
A vítima estava no local acompanhada de amigos e familiares para comemorar o resultado eleitoral quando se dirigiu ao sanitário masculino. Na entrada, a vítima foi abordada por um funcionário do estabelecimento que o interrompeu e insistiu para que ele utilizasse a fila do banheiro feminino.
Mesmo após a vítima explicar sua identidade de gênero, o funcionário manteve a proibição e riu da situação. A atitude gerou incômodo inclusive entre outras pessoas que aguardavam na fila do banheiro feminino e questionaram a conduta do trabalhador. O cliente só conseguiu acessar o sanitário após a intervenção de outro frequentador, que presenciou a discussão e o acompanhou até o local.
“Eu me senti constrangido. Quando entrei no banheiro, chorei. Estava em um momento de alegria, comemorando com meus amigos, com todo mundo, com a minha família. E aí, um simples acontecimento, um constrangimento, me fez chorar”, relatou a vítima em depoimento prestado ao site Alma Preta.
Após a saída do banheiro, uma das pessoas que acompanhava a vítima procurou o funcionário para pedir explicações. O colaborador justificou o ocorrido alegando ter se “atrapalhado”, mas seguiu se referindo ao homem trans utilizando pronomes femininos.
Na sequência, um homem identificado como Maurício apresentou-se como gerente e conduziu as partes para uma área reservada próximo à cozinha. Durante a conversa, a postura discriminatória persistiu: o homem justificou a conduta do funcionário com base na aparência física da vítima, afirmando que “tudo isso era muito novo” e que ninguém era obrigado a adivinhar o “sexo de ninguém”. Ele também insistiu em usar o pronome feminino para se referir à vítima, mesmo sendo corrigido reiteradamente.
De acordo com relatos de testemunhas, nenhum dos funcionários presentes reconheceu o erro ou propôs soluções imediatas para reparar o constrangimento. Além disso, teriam debochado dos questionamentos, sugerindo que a família registrasse uma queixa se assim desejasse.
Posteriormente, uma testemunha retornou ao estabelecimento e conversou com uma mulher que se identificou como a gerente do restaurante. Na ocasião, ela informou que o homem chamado Maurício não exercia o cargo de gerente do bar. Quando questionada sobre o treinamento de funcionários a respeito do respeito à população LGBTQIAPN+ e à identidade de gênero, a mulher concordou sobre a relevância do tema, mas não detalhou quais medidas seriam adotadas.
Ao Dois Terços, a vítima contou que já formalizou Boletim de Ocorrência e que irá prestar depoimento na próxima quinta-feira, 29, na Delegacia Especializada de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa – DECRIN, no bairro de Brotas. É importante destacar que desde 2019, por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), atos de transfobia e homofobia são enquadrados como crimes previstos na Lei do Racismo (Lei nº 7.716/1989), passíveis de responsabilização penal.
Em nota, o estacionamento declarou que reafirma seu compromisso com o respeito à diversidade e não compactua com qualquer forma de discriminação.
“Reforçamos as orientações às equipes de atendimento e segurança, buscando garantir que situações semelhantes sejam conduzidas de maneira adequada e respeitosa.
Nosso objetivo sempre será proporcionar um ambiente seguro e acolhedor para todos os nossos clientes”.