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Comédia musical inédita ARROCHA – aceita esse musical que dói estreia em março no Teatro Módulo

Genilson Coutinho,
25/02/2026 | 23h02

Com direção de Edvard Passos, a comédia musical inédita ARROCHA – aceita esse musical que dói menos, estreia em Março de 2026 no Teatro Módulo na cidade de Salvador reunindo na concepção elementos da dança, música e do teatro para levar para o palco histórias de amor e clássicos do Arrocha – esse grande fenômeno cultural do Recôncavo Baiano. Reunindo no repertório grandes sucessos de artistas como Pablo, Nara Costa, Márcio Moreno, Silvano Salles, Asas Livres, entre outros sucessos desse gênero musical.

A história do espetáculo gira em torno do bar Rabo de Ouro – uma casa de shows que na trama teria promovido grandes encontros no surgimento do Arrocha e que sempre esteve na trincheira do combate ao preconceito contra a chamada música brega.  Bené, dono do Rabo de Ouro, recebe a visita de dois amigos: Hércules e Mosquito. A partir desse encontro inusitado, uma sequência de histórias surpreendentes é revelada na mesa do bar envolvendo outros personagens tendo como eixo temático a vulnerabilidade de todas as pessoas, o amor doído e traído, fruto da sábia cultura popular, diluindo a perigosa toxicidade presente em relações amorosas, cumprindo um importante papel social. O Arrocha nos ensina que é natural sofrer por amor e que estamos todos sujeitos às dores do coração. Esse espetáculo é também um olhar necessário da vida e obra de artistas populares da nossa Bahia. A obra é uma revista musical, sensual, bem humorada e popular inspirada nas histórias contadas nos clássicos do Arrocha.

Com dramaturgia de Alan Miranda e Edvard Passos e direção de Edvard Passos, o espetáculo apresenta no elenco: Alan Miranda, Cícero Locijá, Danilo Cairo, Mariana Borges e Talis Castro. A cenografia é assinada por Renata Mota e os figurinos e adereços por Agamenon de Abreu. A direção musical, assinada por Luciano Salvador Bahia, pretende recriar em estúdio os arranjos originais dos clássicos do Arrocha que serão cantados ao vivo pelos atores através de números musicais. No repertório constam grandes hits como: “Melô do Arrocha”, “Vingança do Amor”, “Locutor”, “Alvejante”, “Nível de Carência”, entre outros.  

A cultura popular da Bahia encontra no Arrocha uma abrangente e incontestável expressão. O presente trabalho é, sobretudo, um testemunho e reconhecimento dessa história. Baseado na ousadia, vitalidade, criatividade e baianidade, esse fenômeno das massas traduz o espírito de um tempo do nosso povo: a música que trata despudoradamente do que o coração sente. Uma música feita com a sabedoria e simplicidade do povo. “Dê graças a Deus que você é corneável” diverte-se o professor da UFBA e coordenador do grupo de pesquisa O Som do Lugar e o Mundo, Milton Moura, que afirma que o Arrocha é – entre tantas outras coisas – o atestado de óbito da suficiência do macho hétero burguês.

Esta realização faz parte das celebrações dos 18 anos do Toca Criações Artísticas, idealizado por Danilo Cairo como um território de criação coletiva e produção cultural multilinguagem que surgiu a partir do encontro de jovens atores, de origens e formações distintas, na Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia em 2006. Em 2008 o coletivo se consolidou profissionalmente com a estreia do espetáculo musical “Atire a Primeira Pedra” e vem desenvolvendo um trabalho contínuo de formação, pesquisa, criação e produção cultural vinculado ao treinamento e capacitação dos artistas, realizando espetáculos, mostras de cenas artísticas, oficinas, seminários, workshops, performances, shows e documentários.

O projeto Toca 18 anos – Uma Ocupação Soteropolitana foi contemplado pelo edital Gregórios – Ano IV com recursos financeiros da Fundação Gregório de Mattos, Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, Prefeitura de Salvador e da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), Ministério da Cultura, Governo Federal.