AfroBusiness Comunicação encerra primeira edição em Salvador e consolida debate sobre negócios, inovação e comunicação negra no Brasil
Após três dias de intensa programação, o AfroBusiness Comunicação encerrou sua primeira edição em Salvador consolidando-se como um espaço estratégico para o fortalecimento da comunicação negra, da economia criativa e dos modelos de negócios voltados à produção de conteúdo, informação e influência no Brasil.
Realizado entre os dias 16 e 18 de junho, na Biblioteca Central do Estado da Bahia, o encontro reuniu profissionais da comunicação, estudantes, pesquisadores, gestores públicos, empreendedores, representantes de veículos independentes, criadores de conteúdo e lideranças de diversas regiões do país. Ao longo da programação, o público participou de painéis, workshops, estudos de caso, rodas de diálogo e atividades de networking voltadas à formação, articulação e geração de oportunidades para profissionais negros do setor.
A primeira edição do AfroBusiness Comunicação colocou em pauta temas centrais para o presente e o futuro da comunicação brasileira, como comunicação antirracista, sustentabilidade financeira da mídia negra, acesso a patrocínios, políticas públicas de comunicação, influência digital, economia da atenção, inteligência artificial, racismo algorítmico e o fortalecimento de redes de negócios protagonizadas por pessoas negras.
A abertura do evento contou com o painel “Quem Contrata a Comunicação Negra?”, reunindo representantes do mercado, da iniciativa privada, do terceiro setor e da gestão pública para discutir oportunidades de contratação e investimento em comunicação negra. O debate contou com as participações de Juliana Jozzolino, Preto Zezé, Miguel Silveira, além de representantes de organizações e instituições comprometidas com a ampliação da diversidade no setor.
Durante o segundo dia, o destaque foi para os debates sobre jornalismo negro, sustentabilidade econômica e modelos de negócios para veículos independentes. Os jornalistas André Santana, fundador do Instituto Mídia Étnica, e Genilson Coutinho, fundador do Portal Dois Terços, discutiram os desafios enfrentados por iniciativas negras de comunicação e a necessidade de construir mecanismos permanentes de financiamento e fortalecimento institucional.
Ainda na programação, a jornalista, escritora e ativista Midiã Noelle apresentou reflexões sobre políticas públicas de comunicação e os desafios da construção do Plano Nacional de Comunicação Antirracista. Para ela, fortalecer a comunicação negra significa também fortalecer a cidadania, a democracia e os direitos da população negra brasileira.
No terceiro e último dia de programação, o AfroBusiness Comunicação promoveu debates sobre tecnologia, inteligência artificial, influência digital e os desafios da comunicação negra no cenário contemporâneo. A programação foi aberta com o workshop “O Futuro do Design com Inteligência Artificial: Racismo Algorítmico e Comunicação Popular”, ministrado pelo designer e pesquisador André Luzolo, que abordou os impactos do racismo algorítmico e a necessidade de uma atuação crítica diante das novas tecnologias.
Na sequência, o painel “Influência Negra e Economia da Atenção e da Criatividade” reuniu a publicitária e estrategista Letícia Sotero e o diretor de filmes e artista audiovisual Bruno Zambelli, com mediação da jornalista e empresária Silvana Oliveira. O debate destacou a importância da valorização financeira do trabalho desenvolvido por profissionais negros da comunicação, da criatividade e da influência digital, além da necessidade de fortalecer modelos de negócios sustentáveis para o setor.
Encerrando o evento, a mesa “O Futuro da Comunicação Antirracista no Brasil” reuniu a jornalista e presidente da Associação Bahiana de Imprensa (ABI), Suely Temporal, a jornalista e apresentadora da TVE, Naiara Oliveira, e o gestor público e pesquisador Yuri Silva. O encontro promoveu reflexões sobre o papel da comunicação na promoção da igualdade racial, o fortalecimento das políticas públicas e os desafios para ampliar a presença de profissionais negros nos espaços de decisão e produção de conteúdo.
Para os participantes, um dos principais legados do AfroBusiness Comunicação foi a criação de um ambiente de troca, aprendizado e fortalecimento de redes capazes de impulsionar novos negócios, projetos e oportunidades. Ao reunir profissionais experientes, estudantes e empreendedores em um mesmo espaço, o evento reforçou a importância de transformar conhecimento, criatividade e identidade em desenvolvimento econômico e social.
Idealizado pela Associação Folia Africana, Zumbi Comunicação e Umbu Comunicação & Cultura, o AfroBusiness Comunicação contou com apoio do Governo do Estado da Bahia, por meio da Fundação Pedro Calmon. O evento teve ainda apoio de mídia do Portal Soteropreta, Rádio Nova Brasil Salvador, Imagem Digital Out of Home, Rádio Salvador FM e Portal Umbu. O projeto contou com patrocínio da Caixa e do Governo do Brasil.
O sucesso da primeira edição reforça a necessidade de ampliar espaços de debate, formação e negócios voltados à comunicação negra. A expectativa dos organizadores é dar continuidade à iniciativa, fortalecendo uma rede nacional de profissionais, empreendedores e organizações comprometidas com a construção de uma comunicação mais diversa, representativa e economicamente sustentável.
Fotos: Marcella Figueiredo
