Exposição “Atlântico Sertão” ocupa o Museu de Arte da Bahia até janeiro
Soteropolitanos e turistas têm, a partir de amanhã (29), mais uma opção cultural gratuita no roteiro dos museus da cidade. Depois de uma temporada em São Paulo, com mais de 70 mil visitantes na capital paulista, a exposição Atlântico Sertão desembarca no Museu de Arte da Bahia (MAB), no Corredor da Vitória, com visitação de terça a domingo, entre 10h e 18h (o acesso à exposição só pode ser até as 17h30). Realizada pelo Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), a mostra reúne mais de 80 artistas de diferentes regiões — em sua maioria do Norte e do Nordeste, apresentando, através da arte contemporânea, o sertão brasileiro como espaço de resistência e produção artística.
Idealizada pela mestra e doutoranda em Direito pela Universidade de Brasília (UnB), Marina Maciel, que desenvolve pesquisa sobre a arte como meio de defesa dos direitos humanos, Atlântico Sertão tem curadoria de Marcelo Campos, curador-chefe do Museu de Arte do Rio (MAR), em parceria com Ariana Nuala, Amanda Rezende, Jean Carlos Azuos, Rita Vênus e Thayná Trindade. A exposição transforma a arte em instrumento de memória e elaboração crítica, em diálogo com os conceitos simbólicos de “Atlântico” e “Sertão”.
Por meio de pinturas, esculturas, fotografias, vídeos e instalações, os artistas se debruçam sobre o Atlântico, historicamente marcado pelos deslocamentos forçados e pela violência colonial, e sobre o sertão, frequentemente associado a um espaço isolado e à marginalização. Na exposição, esses territórios são revisitados como espaços de criação, circulação de saberes, resistência e defesa dos direitos humanos.
Entre as obras que compõem o projeto, há trabalhos realizados especialmente para a exposição, dos artistas Rose Afefé, Biarritzzz, Alê Siqueira, Maré de Matos e Rebeca Miguel. A maioria dos artistas é originária das regiões Norte e Nordeste, incluindo comunidades afrodescendentes e indígenas. Dos baianos, estão Adenor Gondim, Alê Siqueira, Ayrson Heráclito, George Teles, J. Cunha, Juraci Dórea, Leonardo França, Lita Cerqueira, Lucélia Maciel, Marcos da Matta, Márvila Araújo, Nádia Taquary, Rose Afefé, Bysmarke Vaqueiro, Ventura Profana, Yacunã Tuxá, Zé di Cabeça, Zumví Arquivo Afro Fotográfico e Àwọn arákùnrin oníṣẹ́-ọnà mẹ́ta.
Depois da temporada em Salvador, a mostra segue para Brasília, completando a itinerância iniciada em São Paulo.
Os seis núcleos curatoriais
Estruturada em seis eixos, a mostra reúne diferentes perspectivas curatoriais que, juntas, constroem uma leitura múltipla e contemporânea do sertão como território vivo, colorido e atravessado por dimensões históricas, espirituais, políticas e ambientais.
No texto Sertão Atlântico, do curador Marcelo Campos, evidencia-se que a exposição parte da relação entre terra e mar para abordar heranças indígenas, africanas e populares. Em Cosmologias em Movimento, analisadas pela curadora Rita Vênus, os destaques são as práticas espirituais como formas de organização da vida e de leitura do mundo. Em Ecologias Ancestrais e Futuros da Terra, de Amanda Rezende, o sertão é apresentado como um campo de conhecimento ancestral que resiste a lógicas externas e projeta possibilidades de continuidade.
A dimensão coletiva ganha centralidade em Comunidade, Retomada e Sertões Negros, sob a perspectiva da curadora Thayná Trindade, os modos de vida baseados na partilha, na oralidade e na memória. Em Arquivos Vivos, Grafias e Inscrições da Terra, a curadora Ariana Nuala propõe o sertão como um sistema ativo de registro, no qual inscrições ancestrais dialogam com tecnologias contemporâneas e novas formas de arquivo.
Encerrando o percurso, Travessias e Poeiras que Vêm do Saara, de Jean Carlos Azuos, amplia a perspectiva ao conectar Brasil e África por meio de relações geológicas, históricas e culturais. O núcleo evidencia fluxos de pessoas e saberes que atravessam o Atlântico, reforçando a ideia de que o sertão é também um território de circulação e permanência, onde diferentes tempos e geografias seguem em diálogo.
A exposição Atlântico Sertão foi selecionada no Edital CCBB 2026-2027 e viabilizada por meio da Lei Rouanet. O projeto conta com o apoio da Organização de Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI), do Instituto Guimarães Rosa, do Ministério das Relações Exteriores (IGR/MRE) e do Museu de Arte do Rio (MAR).
A mostra é uma iniciativa do Coletivo Atlântico, que se inicia no campo teórico, com a pesquisa de Marina Maciel, e parte para a prática ao focar em ações concretas de transformação por meio de intervenções artísticas.
Artistas participantes de Atlântico Sertão: Abiniel João Nascimento (PE), Adenor Gondim (BA), Alê Siqueira (SP/BA), Alessandro Fracta (AM), Aline Motta (RJ), Amanda Melo (PE), Amilton (AL), Ana Neves (PE), Ana V. Lopes (RJ), André Vargas (RJ), Antonio Obá (DF), Antônio Sandes (AL), Aura do Nascimento (PE), Ayrson Heráclito (BA), biarritzzz (PE), Dalton Paula (DF), Denilson Baniwa (AM), Eliana Amorim (PE), Fykyá Pankararu (PE), Genauro (AL), George Teles (BA), Gervane de Paula (MT), Gilson Plano (GO), Gonçalves (AL), Gustavo Caboco (PR), J. Cunha (BA), Jaime Lauriano (SP), Jonas Van (CE) / Juno B (CE), Joaci do Pandeiro (AL), Joaci Lima (AL), José Alves (PE), José Cícero (AL), José Rufino (PB), Juraci Dórea (BA), Juniara Albuquerque (PE), Leonardo França (BA), Lidia Lisbôa (PR), Lita Cerqueira (BA), Lucélia Maciel (BA), Luiz Barroso (PB), Maria Lira Marques (MG), Maria Macêdo (CE), Maré de Matos (MG), Marlene Almeida (PB), Marcos da Matta (BA), Márvila Araújo (BA), Mayra Carvalho (RJ), Mestre Benon (AL), Mitsy Queiroz (PE), Moara Tupinambá (PA), Mônica Barbosa (PI), Nádia Taquary (BA), Naywá Moura (PI), Rafa Bqueer (PA), Rafael Chavez (PB), Rebeca Miguel (MG), Rodrigo Braga (AM), rOnA (RJ), Ronald Duarte (RJ), Rose Afefé (BA) / Bysmarke Vaqueiro (BA), Rosana Paulino (SP), SouPixo (CE), Tainan Cabral (RJ), Thaís Iroko (RJ), Thiago Costa (PB), Trojany (CE), Tunga (PE), Ventura Profana (BA), Véio (SE), William Maia (RJ), Wisrah C. V. da R. Celestino (MG), Xamânica (RJ) / Tayná Uràz (RJ), Yacunã Tuxá (BA), Yhuri Cruz (RJ), Zé di Cabeça (BA), Ziel Karapotó (AL), Zumví Arquivo Afro Fotográfico (BA), Àwọn arákùnrin oníṣẹ́-ọnà mẹ́ta (BA)
Sobre o CCBB
O Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) é uma rede de espaços culturais gerida e mantida pelo Banco do Brasil, com o objetivo de ampliar a conexão dos brasileiros com a cultura e valorizar a produção cultural nacional. Presente no Rio de Janeiro, Brasília, São Paulo e Belo Horizonte, está em avançado processo de instalação de sua nova unidade em Salvador.
Na capital baiana, passa a ocupar o Palácio da Aclamação, histórico edifício do início do século passado que, durante mais de cinquenta anos, foi residência oficial dos governadores da Bahia. Mesmo antes de iniciar suas atividades no Palácio, o CCBB já realiza intervenções culturais em importantes espaços da cidade de Salvador.
Site: bb.com.br/cultura
Instagram: @ccbbsalvadorbahia
E-mail: ccbbsalvadorba@bb.com.br
SERVIÇO
Exposição: Atlântico Sertão
Local: Museu de Arte da Bahia (MAB)
Endereço: Avenida Sete de Setembro, número 2340, Corredor da Vitória
Data: 29 de setembro de 2026 a 29 de janeiro de 2027
Horário: das 10h às 18h (o acesso à exposição só pode ser até as 17h30), terça a domingo
Gratuito


