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O Instagram pode derrubar minha conta se eu enviar nudes?

Will Assunção,
11/09/2026 | 19h09

Depois que histórias de contas suspensas começaram a pipocar pela internet, uma nova paranoia passou a rondar quem vive entre stories, directs e aquele pequeno coração vermelho que, convenhamos, já foi responsável por mais ansiedade do que muito relacionamento aberto. O boato é simples e assustador: mandar um nude pelo Instagram poderia ser motivo suficiente para fazer desaparecer, da noite para o dia, uma conta construída durante anos, com seguidores, fotos, conversas com gosto de memórias imortalizadas, flertes e aquela selfie de 2018 que você nunca teve coragem de apagar.

Mas será que basta enviar um nude para o Instagram apertar o botão delete e dizer: adeus, querida? 

A resposta é menos apocalíptica do que os boatos sugerem. As regras da plataforma proíbem determinados conteúdos de nudez e atividade sexual, especialmente quando envolvem exploração, abuso, violência ou compartilhamento não consensual de imagens íntimas. Ao mesmo tempo, a própria Meta criou mecanismos específicos para lidar com imagens de nudez enviadas por mensagem privada. Em outras palavras: o simples fato de uma pessoa adulta enviar uma fotografia íntima em uma conversa privada não significa, automaticamente, que sua conta será banida.

Aliás, o Instagram parece estar cada vez mais interessado em nos lembrar de que aquele “enviar” aparentemente inocente pode nos trazer consequências muito maiores do que um arrependimento às três da manhã. A Meta implantou a chamada proteção contra nudez nas DMs, que pode identificar imagens com nudez no próprio dispositivo, desfocá-las para quem recebe e exibir alertas de segurança. A empresa diz que a tecnologia foi pensada especialmente para combater golpes de extorsão sexual e o compartilhamento indesejado de imagens íntimas.

E aqui começa a parte que me deixa ligeiramente desconfortável. Afinal, o que aconteceu com a velha e boa internet? Primeiro vieram os anúncios que pareciam saber exatamente o que eu havia pesquisado cinco minutos antes. Depois, os algoritmos começaram a descobrir meus gostos antes mesmo de eu saber que os tinha. Agora, aparentemente, até o nude precisa passar por uma espécie de entrevista de emprego. 

“Você tem certeza de que deseja enviar esta imagem?” 

“Tem certeza de que conhece essa pessoa?” 

“Já considerou que ela pode dar um print?” 

Bem, Mark Zuckerberg, eu só queria mandar uma foto. Não precisava de uma intervenção familiar.

Mas talvez a pergunta mais interessante não seja se o Instagram pode derrubar nossa conta por causa de um nude. Talvez seja outra: por que continuamos tratando uma fotografia íntima como se ela desaparecesse no instante em que apertamos ‘enviar’? O problema não é apenas o algoritmo. É o ex. O ficante. O desconhecido que parecia maravilhoso às 23h47. A pessoa que jurou guardar segredo e, seis meses depois, descobriu que vingança também pode ser feita com Wi-Fi.

O Instagram pode até não estar planejando banir você simplesmente porque mandou um nude. Mas talvez a tecnologia esteja, finalmente, tentando nos ensinar aquilo que nossas mães já diziam antes mesmo de existir smartphone: pense duas vezes antes de mandar qualquer coisa que você não gostaria de ver circulando por aí.

Sobre a coluna asssuntasó!

A assuntasó! pauta a modernidade com leveza e transforma as neuroses da vida em matéria-prima para crônicas que relatam quem ousa viver o presente.

Will Assunção é cronista da modernidade e coleciona quase duas décadas de jornalismo — o suficiente para suspeitar que a existência gira em torno do absurdo do cotidiano.

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