Salvador recebe a 8ª edição do Melanina Acentuada Festival em tributo aos 80 anos do Teatro Experimental do Negro ; confira
A maior temporada da dramaturgia negra nacional retorna aos teatros de Salvador, entre os dias 28 de julho e 3 de agosto, convidando soteropolitanos e turistas para as emoções da oitava e prestigiada edição do ‘Melanina Acentuada Festival’.
O festival, que pulsa junto à capital baiana, transforma teatros e espaços culturais em diásporas africanas – e, desta vez, com homenagens especiais. In Memoriam de Abdias do Nascimento, a 8ª edição do Melanina retrata e celebra os ‘80 anos do Teatro Experimental do Negro (TEN)’ no Brasil.
A partir dessa temática, a programação do ‘ano VIII’ do festival reúne espetáculos aclamados como MACACOS, de Clayton Nascimento; os 15 anos de Namíbia, Não!, de Aldri Anunciação; cinco novas montagens; pocket show de Cabokaji durante a abertura do festival; stand-up ‘De Férias com Koanza’; ateliê de ideias; entrevistas públicas; compartilhamento de poéticas; leituras dramáticas; oficinas e lançamentos aguardados dos livros de Leda Maria Martins, Guilherme Diniz, Elisa Larkin, Jessé Oliveira e Aldri Anunciação.
Com montagens vindas do Rio de Janeiro e São Paulo, além de peças originais da Bahia, o público pode aguardar por um palco diverso de atores e autores. Durante a 8ª edição do Melanina Acentuada Festival, nomes como Eugênio Lima; Luciany Aparecida; Juão Nyn; Sulivã Bispo; Johayne Hildefonso; Daniel Arcades; Lincoln Oliveira; Paulo Henrique dos Santos; Fernando Lufer e Marina Esteves compartilham processos criativos, em uma agenda que celebra a produção artística negra contemporânea.
Ao longo de sete dias, o festival promove o intercâmbio de ideias entre estudantes, pesquisadores, artistas e comunidades, em teatros e espaços culturais espalhados pela cidade: Goethe-Institut Salvador (no bairro da Vitória), Teatro Sesc Casa do Comércio (Caminho das Árvores), Teatro Jorge Amado (Pituba), Teatro Martim Gonçalves (Canela) e SESI Rio Vermelho (Rio Vermelho).
Dedicados às narrativas afrodescendentes no país, o Melanina Acentuada reafirma, em sua oitava edição, o compromisso de fortalecer a dramaturgia negra por meio da circulação de artistas, obras e pensamentos que dialogam com diferentes gerações. Idealizado pelo dramaturgo, ator, diretor e produtor Aldri Anunciação, o Melanina nasceu em 2012 com o propósito de ampliar a visibilidade de autores, artistas e pesquisadores negros, consolidando-se como um espaço de criação e formação em torno da dramaturgia preta.
“Ao celebrar os ‘80 anos do Teatro Experimental do Negro’, o Melanina Acentuada reforça que o legado construído pelo ator, dramaturgo e ativista dos direitos civis e humanos pela população negra, Abdias do Nascimento, permanece vivo até os dias atuais – nas práticas artísticas contemporâneas. Mais do que uma homenagem, esta edição busca compreender como as ideias inauguradas pelo TEN, em 1944, no Rio, continuam reverberando nas dramaturgias, nas pesquisas, nos corpos em cena e na organização da produção cultural afrodiaspórica. É um convite para reconhecer como as histórias do teatro negro se cruzam em oito décadas de passado, presente e narrativas afrofuturistas”, destaca Aldri Anunciação.
Não é à toa que ambos os projetos se voltam para experiências transformadoras da cultura brasileira. Resgatando o legado do Teatro Experimental do Negro, em 1944, que revolucionou o fazer teatro ao enfrentar o racismo estrutural presente nas artes, reivindicando o protagonismo para artistas negros nos palcos, na literatura, na educação e na política cultural; Aldri vê o festival como um ‘braço’ da transformação proposta por Abdias, na capacidade de inspirar novas dramaturgias e formas de produção artística preta no Brasil.
Nesta edição, o Melanina Acentuada também se dedica às narrativas afroindígenas, reafirmando o compromisso do festival em aproximar diferentes matrizes da cultura brasileira. Da música à dramaturgia, a herança afroindígena se perpetua através da apresentação da banda Cabokaji, no cântico indígeno-pindorâmico e afro-brasileiro; e nas apresentações do espetáculo “TYBYRA – Uma Tragédia Indígena Brasileira”, monólogo de estreia do autor Juão Nyn indicado ao 21º “Prêmio Cidadania em Respeito à Diversidade LGBT+”.
“Assim como trouxemos a ‘Ancestralidade Futurística’, o conceito de tempo espiralar e outras narrativas afrodiaspóricas em 2025, neste ano, queremos ir mais além, com a herança afroindígena e novos conceitos emergindo do papel para os teatros. É o meu desejo que o Melanina possa reescrever as histórias que construíram a cidade, o país e a cultura como conhecemos, através dos próprios autores”, reafirma Aldri.
Conheça a programação do ‘Melanina Acentuada Festival – Ano VIII’
Com uma grade repleta de novas atrações, o Melanina Acentuada Festival projeta o acervo de 23 atividades culturais, divididas entre sete espetáculos (sendo um stand up comedy), um pocket show, cinco ateliês, três lançamentos de livros, duas leituras dramáticas e duas entrevistas públicas, dois compartilhamentos de poéticas e uma oficina; reunindo apresentações artísticas, ações formativas e reflexões sobre a produção negra contemporânea.
O festival celebra sua nova edição no dia 28 de julho, no Goethe-Institut Salvador, com a primeira exibição do monólogo TYBYRA – Uma Tragédia Indígena Brasileira, a partir das 19h, protagonizado por Juão Nyn, direção de Renato Carrera e trilha sonora original assinada por Clara Potiguara, vencedora do 36º Prêmio Shell de Teatro na categoria Melhor Trilha Sonora. Na sequência, o público curte o pocket show da banda baiana Cabokaji, às 20h30, no Pátio do Goethe-Institut.
A edição também traz o aclamado sucesso de bilheteria, ‘MACACOS’, de Clayton Nascimento, que delibera sobre o racismo no Brasil através da arte e poética no dia 29 de julho, às 20h, no Teatro Sesc Casa do Comércio; acompanhado da adaptação ‘Candomblé da Barroquinha’, às 20h, no Teatro Jorge Amado. Na mesma data, o Goethe-Institut recebe Leda Maria Martins, às 15h, para entrevista e o lançamento inédito do livro ‘A Fina Lâmina da Palavra’, publicado pela Editora Cabogó, fechando o circuito dramaturgo com uma nova sessão de TYBYRA, às 19h.
No dia 30 de julho, quinta-feira, o stand-up comedy De Férias com Koanza acontece a partir das 20h, no Teatro Jorge Amado. Simultaneamente, a peça ‘MACACOS’ retorna ao SESC Casa do Comércio para sua última apresentação, também às 20h. Além da montagem, Clayton Nascimento se junta ao “Ateliê de Ideias 01” com Daniel Arcades e Sulivã Bispo, sob mediação de Guilherme Diniz, discutindo os “Rastros do Teatro Experimental do Negro na cena contemporânea”, direto do Goethe-Institut.
Rufando os tambores para o dia 31 de julho, a programação da sexta-feira leva os baianos pela odisseia de ‘Black Machine’, às 19h, no Sesi Rio Vermelho, além das risadas e reflexões de ‘Namíbia, Não!’, às 20h, no Teatro Sesc Casa do Comércio. O dia também está repleto de atrações, com leituras dramáticas e entrevista pública com Luciany Aparecida.
Na virada do mês, 1º de agosto, sábado, o Goethe-Institut recebe o ‘Ateliê de Ideias 02’, às 16h, com Elisa Larkin e Jessé Oliveira, mediado por Guilherme Diniz, no debate “Teatro Experimental do Negro: censura, guerra e ressonâncias”. Na sequência, acontece o lançamento do livro ‘TEN – Testemunhos e Ressonâncias’ às 17h, com Elisa Larkin, Jessé Oliveira e Aldri Anunciação.
À noite, o festival segue com Black Machine, no Sesi Rio Vermelho, e o espetáculo inédito Abdias do Nascimento (Goethe-Institut, às 20h), que coloca o ator carioca Lincoln Oliveira no papel de ativista dos direitos humanos e civis dos negros, em plena década de 40.
No penúltimo dia de atrações, 2 de agosto, acontece o Ateliê de Ideias 03, às 15h, que reúne Guilherme Diniz e Johayne Hildefonso, mediado por Eugênio Lima, no encontro “Teatro Experimental do Negro: Histórias, Críticas e Outros dramas”, que acompanha o lançamento do livro de mesmo nome, às 17h, no Goethe-Institut, assinado por Guilherme Diniz. O destaque fica para o segundo dia do espetáculo carioca ‘Abdias do Nascimento’, no Goethe-Institut, às 19h.
O encerramento acontece no dia 3 de agosto, no Teatro Martim Gonçalves, com os Ateliês de Ideias 04 e 05, ambos em parceria com a Escola de Teatro da UFBA, em horários às 14h e 18h, fechando a programação com ações formativas dedicadas ao compartilhamento de processos e pesquisas do teatro negro contemporâneo.
Em sua trajetória, o ‘Melanina Acentuada Festival’ reuniu dezenas de espetáculos, artistas de diferentes estados do país e importantes nomes da cena cultural, contribuindo para o fortalecimento do teatro negro nacional. Ao todo, o festival acumula a apresentação de mais de 40 espetáculos – sucessos de bilheteria – ao longo de 14 anos na dramaturgia negra nacional.
Todas as atividades do Melanina Acentuada Festival são gratuitas, exceto os espetáculos, que possuem valor simbólico de R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia). Viabilizando a integração, o festival dispõe de 5% da lotação do espaço para acessibilidade e 10% distribuída gratuitamente para estudantes de escolas estaduais. Para participar, os ingressos para os espetáculos poderão ser adquiridos através do Sympla.
O Melanina Acentuada Festival – Ano 8 é uma realização da Melanina Acentuada, Ministério da Cultura, Governo Federal e Governo do Estado da Bahia, com patrocínio da Novelis e apoio do CCBB, Escola de Teatro da UFBA e do Goethe-Institut.
PROGRAMAÇÃO OFICIAL – MELANINA ACENTUADA FESTIVAL – ANO 08*
Confira nas redes sociais: @melaninaacentuada
(A programação pode sofrer alterações)
SERVIÇO
[Melanina Acentuada Festival – Ano 8]
Quando: de 28 de julho a 3 de agosto;
Onde: Goethe-Institut Salvador (Vitória), Teatro Sesc Casa do Comércio (Caminho das Árvores), Teatro Jorge Amado (Pituba), Teatro Martim Gonçalves (Canela) e SESI Rio Vermelho (Rio Vermelho).

