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Ambulatório LGBT+ em Brasília inicia tratamento fonoaudiológico para pacientes trans

Genilson Coutinho,
23/04/2026 | 18h04
  Foto: Freepik

O Sistema Único de Saúde (SUS) dá mais um passo importante em prol à atenção integral à saúde da população transgênero no Distrito Federal e entorno. Isso porque o Ambulatório LGBTQIA+ do Hospital Universitário de Brasília (HUB-UnB/HU Brasil) está ofertando atendimento fonoaudiológico com o intuito de trabalhar questões como voz (tipicamente, frequência e ressonância), articulação e expressividade, focando na individualidade de cada paciente.

Os atendimentos terapêuticos começaram no dia 17 de abril e estão sendo realizados todas as sextas-feiras à tarde, mediante agendamento prévio, por alunos do curso de Fonoaudiologia da Universidade de Brasília (UnB), como parte do estágio curricular obrigatório.

O acesso pode ser feito através de encaminhamentos de serviços da rede de saúde do SUS ou centros de especialidades; e por meio de procura direta ao Ambulatório de Voz e Comunicação LGBTQIA+, que fica localizado no subsolo da Unidade da Criança e do Adolescente (UCA) do HUB. “É bastante importante lembrar que a parte da Fonoaudiologia no Ambulatório LGBTQIA+, está sendo chamada de Ambulatório de Comunicação porque o intuito não é somente trabalhar a voz, mas também como se comunicar, a postura e o timbre da voz, por exemplo”, frisa Guilherme Veiga, psiquiatra do HUB e coordenador do Laboratório LGBTQIA+.

De mãos dadas com a ciência
O processo será integralmente supervisionado por Eduardo Magalhães e Vanessa Reis, professores do curso de Fonoaudiologia da UnB, além do fonoaudiólogo Yago Bonfim, que também é doutorando do Programa de Pós-Graduação em Ciências Médicas da UnB. “A prática é fundamentada em protocolos científicos e inclui avaliação perceptivoauditiva, medidas aerodinâmicas e instrumentos de autoavaliação, sempre articulando teoria e prática clínica”, explica Eduardo Magalhães.

Os serviços serão realizados através de protocolos clínicos que integram o ensino, assistência e pesquisa. Nesse sentido, uma parte dos atendimentos está relacionada a pesquisa de doutorado desenvolvida por Yago Bonfim. “A pesquisa investiga a eficácia de um protocolo de harmonização vocal e comunicação voltado para mulheres trans e travestis, considerando também aspectos comunicativos e de autoexpressão.”, explica o pesquisador.

O trabalho é orientado pelos professores Vanessa Reis e Eduardo Magalhães, e conta com a colaboração das fonoaudiólogas Dianete do Valle, Alline Brasil e Miriam Soares, além do professor Rodrigo Dornellas, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

“Cada processo é guiado pela autoavaliação e pelos objetivos do/a próprio/a participante, respeitando seus desejos e necessidades. Além disso, também são acolhidas outras demandas fonoaudiológicas que possam impactar o bem-estar comunicativo”, destaca Eduardo Magalhães, docente do curso de Fonoaudiologia na UnB, onde também é supervisor e preceptor de estágio.

“O fato desse serviço ser em um hospital universitário muda a configuração do serviço.? Porque nós temos que estar alinhados, como sempre estivemos, com os ideais da universidade: atenção, pesquisa, ensino.”, comenta Guilherme Veiga. “Então, a atenção é feita com bastante maestria, não só pelo corpo clínico que compõe o ambulatório LGBTQIA+, mas pelos docentes que também fazem o atendimento, como é o caso dos docentes de Fonoaudiologia”, conclui.