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Salvador 477 anos: Conheça locais que marcaram o legado da comunidade LGBT+ na cidade

Redação,
24/03/2026 | 20h03
(Foto: Acervo pessoal)

Negra, Boate Caverna, BRW, Boate Ice Kiss e Mix Ozone. Talvez a nova geração estranhe esses nomes, mas eles foram alguns dos principais espaços da cena LGBT de Salvador nas décadas de 1980 e 1990 — período em que a região que ia da Carlos Gomes à Barra vivia seu apogeu como point gay da capital baiana, com bares cheios, cadeiras ocupando as ruas e a paquera correndo solta.

Desses tempos áureos, apenas o Âncora do Marujo sobrevive em meio às transformações urbanas. Ainda assim, o que permanece vivo é um forte sentimento de saudosismo por parte do público, memória afetiva que esta matéria especial pelos 477 anos de Salvador busca revisitar.

Onde hoje funciona o Caras & Bocas, já esteve o Charles Chaplin, um dos points mais movimentados da época, conhecido pelos grandes shows, música ao vivo e pelos encontros afetivos. Em um período em que não havia liberdade para demonstrações públicas de carinho, esses espaços funcionavam como verdadeiros “portos seguros” para casais LGBT+, que muitas vezes consumiam apenas uma cerveja para justificar a permanência e garantir um lugar onde pudessem viver seus afetos com mais segurança.

Subindo a via, na rua em frente ao Procon, ficava o Rosa Negra, reconhecido pela programação intensa e por seu elenco de artistas, liderado por Trace Whitney, estrela icônica da casa. Sua presença marcante tomava o pequeno corredor entre o bar e o salão, com vista privilegiada para a Carlos Gomes.

(Foto: Acervo pessoal)

Ao lado, funcionava o Marujo, antes de sua mudança para o espaço onde operava o Artes e Manhas, um dos bares mais sofisticados da região. Com decoração inspirada na sétima arte, o local era ponto de encontro para conversas, paqueras e também para observar as chamadas “ricas da cidade”, que chegavam em carros luxuosos, exibindo estilo e imponência até altas horas da madrugada.

Desse período, o último a encerrar as atividades foi o Champagne Bar, mais conhecido como Bar da Ray, um espaço dedicado especialmente a mulheres lésbicas e bissexuais, mas que sempre acolheu a todos. Com o passar do tempo, novos empreendimentos surgiram, como o Cabaré 54, que teve vida curta, funcionando por menos de um ano.

Na sequência, o Caras e Bocas, que migrou do subúrbio de Salvador para a Carlos Gomes, tornou-se um novo ponto de referência, mas encerrou suas atividades em 2020.

Em 2022, a cena ganhou novo fôlego com a chegada do Carmén Espaço Cultural, Lounge e Bar, idealizado pela artista transformista Valerie O’Rarah. O espaço trouxe um novo olhar para a região e movimentou o circuito cultural por mais de cinco anos. No entanto, também encerrou suas atividades no local e foi transferido para o bairro do Tororó, em Salvador, em razão de desafios semelhantes aos enfrentados por outros empreendimentos da região.