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Vivendo 2026 reúne pessoas vivendo com HIV para debater cuidado, prevenção e direitos

Genilson Coutinho,
23/03/2026 | 14h03

O XXI Encontro Nacional de Pessoas Vivendo com HIV e Aids — Vivendo 2026 — reúne, entre os dias 26 e 29 de março, cerca de 150 participantes de diferentes regiões do país para discutir os rumos da resposta brasileira à epidemia.

A iniciativa é organizada pelo Grupo Pela Vidda Rio de Janeiro, organização da sociedade civil com atuação histórica no enfrentamento ao HIV/aids, e propõe um espaço de articulação entre pessoas vivendo com HIV, ativistas, profissionais de saúde e representantes de instituições públicas.

Com o tema “Resistir e fortalecer a luta”, o encontro promove, ao longo de quatro dias, uma programação com mesas temáticas, rodas de conversa e atividades colaborativas voltadas à análise de políticas públicas, acesso ao cuidado e estratégias de prevenção.

Memória como eixo do debate

A abertura do evento retoma marcos da resposta à aids no Brasil, incluindo a mobilização da sociedade civil, a ampliação do acesso ao tratamento e a consolidação do Sistema Único de Saúde.

A proposta é resgatar experiências acumuladas ao longo das últimas décadas e relacioná-las com os desafios atuais enfrentados pelas políticas públicas de saúde.

Metas globais e cenário nacional

Um dos principais eixos do encontro é o debate sobre as metas 95-95-95 do Unaids, que estabelecem objetivos para ampliar o diagnóstico, o tratamento e a supressão viral até 2030.

As discussões abordam a situação brasileira em relação a esses indicadores, com foco em temas como continuidade do cuidado, adesão ao tratamento e desigualdades no acesso aos serviços de saúde.

Populações em maior vulnerabilidade

A programação também prioriza o debate sobre grupos mais afetados pela epidemia, incluindo jovens, pessoas trans, pessoas com mais de 50 anos e indivíduos que vivem com coinfecção por tuberculose.

Questões como estigma, discriminação, saúde mental e transmissão vertical do HIV também integram as atividades previstas.

Prevenção e novas tecnologias

O encontro inclui discussões sobre estratégias biomédicas de prevenção, como PrEP, PEP e DoxyPEP, além de reflexões sobre o acesso a essas tecnologias no sistema público de saúde.

Também estão previstas mesas sobre pesquisas em andamento relacionadas a vacinas e possibilidades de cura do HIV.

Articulação entre sociedade civil e poder público

Outro ponto da programação é o debate sobre a relação entre organizações da sociedade civil e o Estado na implementação de políticas públicas voltadas ao HIV/aids.

Participantes discutem mecanismos de financiamento, participação social e estratégias para fortalecimento das ações comunitárias.

Ao final do encontro, será elaborada a “Carta do XXI Vivendo”, documento que deve reunir propostas, avaliações e recomendações construídas pelos participantes ao longo das atividades.

O material será encaminhado a gestores públicos, organizações e redes envolvidas na resposta ao HIV/aids no Brasil.