Dois Terços celebra o envelhecimento LGBT+ e homenageia Dicca Rios
Neste 28 de junho, Dia Internacional do Orgulho LGBTQIAPN+, o site Dois Terços escolheu colocar no centro do debate uma pauta urgente e ainda invisibilizada: o envelhecimento das pessoas LGBTQIAPN+. A data, que tradicionalmente exalta lutas e conquistas da comunidade, também se torna um momento de reflexão sobre os desafios enfrentados por quem atravessa a velhice sendo uma pessoa da comunidade LGBT no Brasil.
A iniciativa dá continuidade a um movimento iniciado em 2023, quando o Dois Terços promoveu, pela primeira vez em Salvador, um debate público dedicado exclusivamente ao tema do envelhecimento de pessoas LGBTs. Desde então, o site vem fortalecendo essa discussão e ampliando vozes que historicamente foram silenciadas.
Neste ano, a homenageada da campanha é Dicca Rios, uma mulher trans de 64 anos, que tem sua trajetória marcada por coragem em meio a tempos de extrema violência e perseguição. Ao relembrar esses períodos difíceis, ela compartilha que os desafios não se limitavam apenas à falta de direitos, mas à luta diária pela sobrevivência:
“Os sonhos que ainda eu alimento é de realmente ver que as pessoas hoje em dia estão conquistando seus direitos, porque na minha geração, eram direitos negados. A gente lutava todos os dias, éramos sobreviventes de uma situação de extrema violência e muita perseguição”, diz Rios.
Apesar dos avanços conquistados ao longo dos anos, Dicca destaca que ainda há muito a ser efetivamente alcançado no dia a dia das pessoas LGBTQIAPN+. Para ela, a liberdade precisa ir além dos discursos e se concretizar em políticas públicas, acesso à saúde, segurança, moradia e dignidade na velhice.
“Hoje, graças a Deus, a liberdade é maior, e esse é um dos meus sonhos: ver que as pessoas são mais livres, que têm o direito à vida”, afirma Rios.
Viver com tranquilidade, sem medo e com direitos assegurados, ainda é uma realidade distante para muitas pessoas da comunidade, especialmente para as mais velhas. Dicca, assim como todos da comunidade tem o desejo que os direitos não fiquem apenas no papel, mas funcionem na prática e alcancem quem mais precisa.
“Aos 64 anos eu agradeço muito, sou muito grata a Deus por ter conseguido passar dos 40, que era o máximo que uma pessoa da minha geração poderia viver. Então, meus sonhos são esses: ter uma vida tranquila, viver em paz e que a gente consiga direitos realmente legalizados, que funcionem na prática, não só nas palavras”, finaliza Dicca.
Ao destacar as velhices LGBTQIAPN+, o Dois Terços reafirma seu compromisso com uma comunicação diversa, inclusiva e comprometida com a transformação social. Porque celebrar o orgulho também é garantir que todas as fases da vida sejam vividas com respeito, visibilidade e dignidade.

