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Pesquisa traça perfil cultural e de vulnerabilidade das travestis e transexuais; participe

Genilson Coutinho,
23/11/2020 | 12h11

A violência contra a população LGBT no Brasil é uma realidade alarmante, colocando-nos no triste lugar de país que mais mata pessoas dissidentes sexuais e de gênero. Se tomarmos, por exemplo, a violência letal contra a população de pessoas trans, travestis e transexuais no Brasil, teremos uma realidade ainda mais preocupante. Dados da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA) motram que se em 2018 houve leve queda com relação a 2017; 2019 se manteve dentro de uma média de assassinatos em nível extremamente elevado, perfazendo um total de 124 assassinatos, dos quais 121 vítimas foram travestis e mulheres transexuais e 3 homens trans. Outros dados revelam que, em 2017, houve um aumento de 800% no índice de agressões contra essa população, chegando a 11 agressões por dia.

Ativistas e pesquisadoras dos movimentos LGB e trans tem alertado sobre a necessidade de enfrentar essa realidade seja através da pressão sobre o Estado, desde os movimentos sociais, seja atarvés da Academia, com produção de pesquisas que fornecam subsídios para a produção de políticas públicas que visem influir sobre esse cenário, possibilitando condicções existênciais mais dignas a essa população. Nesse contexto, situa-se a proposta “Um estudo multicêntrico sobre os perfis socioeconômicos, geográficos, culturais e de vulnerabilidades de travestis e transexuais”, da Universidade de Brasília, com participação de pesquisadores de todo o Brasil de diversas Instituições de Ensino Superior (IES), dentre as quais a Universidade Federal da Bahia, Universidade Federal do Piauí (UFPI), Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB), entre outras.

O projeto se trata da iniciativa de um estudo multicêntrico com destaque para as capitais, regiões metropolitanas e municípios acima de 100 mil habitantes, mas que necessitam de aprofundar o diagnóstico situacional de travestis, mulheres transexuais e homens trans, em todo o território nacional, por meio de um Censo, onde pretende-se mapear, quem são, onde estão, com o vivem, moram, trabalham; e, sobretudo, apontar a necessidade de analisar em profundidade novos cenários nos caminhos à construção e fortalecimento do acesso dessa população aos bens e serviços das políticas públicas de saúde, educação, emprego, trabalho, renda, segurança, e expectativa de vida, nas regiões e municípios do Brasil e objeto do estudo, por via de um geoprocessamento, e narrativas das pessoas participantes, envolvidas na pesquisa.

” A pesquisa tem como objetivo central produzir dados relevantes sobre as pessoas travestis e transexuais Brasileiras de forma a orientar possíveis políticas públicas/afirmativas e fundamentação cientifica para conquista de direitos. A realização e a participação no estudo é também uma forma de RE-EXISTÊNCIA.”Profa. Luma Nogueira de Andrade

Além de toda uma rede de IES que participam do Estudo, há uma considerável presença de pessoas trans, travestis e transexuais, homens, mulheres e não binárias. A coordenação entende a necessidade do olhar de pessoas pesquisadoras trans sobre os estudos que as concernem, sobretudo quando observa-se que elas vêm adentrando a academia de modo mais expressivo nos últimos 10 anos e têm contribuído fortemente para críticas epistemológicas no fazer ciência, sobretudo no que toca pesquisas em relação a essa população.

Para esse trabalho, foi lançado um questionário on-line que pode ser acessado e respondido por meio deste link: https://forms.sds.unb.br/surveys/?s=WNY3TKW8X4

Contamos com a colaboração de todas as pessoas trans e travestis para responderem esse instrumento. Sem vocês, não conseguiremos informações que possam virar dados que contribuam para a construção de políticas e permitam-nos dialogar com as instâncias governamentais no intuito de exigir ações que alterem o cenário de vulnerabilidades dessa população.

“O Brasil é o país que mais mata travestis, no combate a transfobia é importante conhecer de modo aprofundado a situação da população trans. Essa pesquisa produzirá dados concretos que contribuirão na construção de ações mais efetivas para a cidadania da população trans” (Profª. Letícia Carolina Nascimento UFPI/FONATRANS) . Profa. Letícia Nascimento