Semblantes da homofobia na educação superior

Por Ricardo Ottoni
Nâo é possível deixar de comentar a lamentável exortação à violência contra homossexuais amplamente difundida pelo “jornaleco” O Parasita sob a responsabilidade de acadêmicos do curso de Farmácia da USP.
A “nota” de co-autoria “desconhecida” é assinada pelo Outro convertido em “entidade terrorista” cognominado ali “Zé Ruela”. Um atentado à diversidade de expressão da sexualidade que revela semblantes tenebrosos do inconsciente social.
Não é necessário muito esforço para desvelar o que é encoberto-revelado pelo grande Outro ou Outro social - que tece invisivelmente subjetividades em rede através de “cadeias de significantes” às quais as pessoas se apegam e permanecem nelas aprisionadas em Gozo sem se darem conta porque não sabem da sua existência ou não querem saber. Ter consciência desses processos de recalcamento é o mínimo esperado da minoria privilegiada pelo seletivo sistema de ingresso na educação superior pública.
O processo de “naturalização” de práticas sociais discriminatórias tem origem no meio cultural e familiar da pessoa. É pela linguagem que os seres humanos se constituem e colaboram um discurso singular cindido entre o consciente e o inconsciente; e gozam apegando-se a um olhar “cego” sobre as origens socioculturais de seu modo de ser, sem perceber ou sem querer perceber o que “vaza” em seus enunciados.
Examinando-se o cognome dos “autores” da nota homofóbica não é difícil atribuir-lhe uma significação libidinosa reveladora-encobridora do episódio: Ruela/Arruela – chapa circular com buraco no meio onde se metem parafusos. É deste “buraco-sodomita” sem “parafuso-falo” que sai o grito-desejo de “lubrificar o encaixe” do “parafuso” que lhes falta, em forma de clamor extensivo a todos, supostamente seus iguais em carência, pelo “lançamento-ejaculação” de “merda” em gozo nos “viados”.... (?!)
Se fosse apenas um sintoma de sua sexualidade púbere “reprimida”, mas não: o gozo das “arruelas” é uma psicopatologia que resulta de um apegar-se ingênuo e patético à crença de que não são prisioneiros de uma “cadeia de significações” que os leva a desejarem inconscientemente aniquilar o que não conseguem tolerar em si mesmos. Uma tentativa desesperada e comovente de evitar encarar tudo aquilo que eles não sabem e não querem saber. E é aí que começa o agravamento do problema: quando passam a estigmatizar e hostilizar pessoas que são desviantes do que eles “não querem saber” em si mesmos, através de arroubos de agressividade transbordante de ignorância. Preconceitos e estereótipos irrefletidos aos quais se apegam passam a justificar práticas aniquiladoras da alteridade e abusos de todos os tipos que podem chegar a níveis imprevisíveis de violência culminando em severos danos ao direito de cidadania e até mesmo atentados à vida dos “diferentes.” Isso é inaceitável na democracia. Homofobia, não!
A função pedagógica da Universidade é auxiliar os sujeitos a desejarem o saber e o querer saber porém, também, questionar a presença no seu corpo discente daqueles que não desejam querer saber e nem querem que os outros saibam e pretendem seguir incógnitos e impunes, confortavelmente “plantados” como parasitas a ocuparem as “vagas” de brotos privados de florescimento na educação superior. Não vale a pena prosseguir elencando as mazelas da ignorância em “aluviões da linguagem” na Academia. Resta-nos a satisfação do gozo silencioso do querer saber. E coragem pedagógica para convencer a libido púbere fixada dos “arruelas” da inadequação de sua opção pelo pensamento único e autoritário - que acreditam ser extensivo “a todos”. É preciso levá-los a reconhecerem os limites e debilidades de sua atitude intolerante na convivência solidária e pacífica dos diversos modos de ser, de saber ser, de querer saber tipicamente humanos no meio universitário.
A qualquer um que deseje saber deve ser permitido o ingresso e permanência nas universidades. O desafio é deslocar a barreira do início para o final do processo de educação superior, convertendo-se o “exame vestibular excludente” em avaliação processual prospectiva através de rigoroso acompanhamento acadêmico dos sujeitos fornecendo-lhes oportunidades para que dêem provas de genuino aproveitamento de estudos e aprendizado ao longo do suas trajetórias singulares na Universidade. Educação Superior para todos!
Ricardo Ottoni Vaz Japiassu
Doutor em Educação e Psicologia pela FE-USP
Mestre em Artes Cênicas pela ECA-USP
Licenciado e Bacharel em Teatro pela ET-UFBa
OBSERVATÓRIO DO DESENVOLVIMENTO CULTURAL
O que destrói o amor

Especialistas convidados da revista semana Isto è do ultimo dia (25) junho relacionam nove tipos de comportamentos que podem levar uma relação ao fracasso.
Todo casal já brigou por causa de dinheiro ou de ciúme. Assim como crises sexuais e divergências geradas por visões de mundo distintas são comuns. Brigas e discussões fazem parte – e, se não acontecem, é um indício de que algo vai mal. Uma união deixa de ser saudável quando o que seria uma crise normal se torna uma constante. Um casal que compete agressivamente entre si, por exemplo, vive uma relação doentia. É o que o psicólogo argentino Bernardo Stamateas chama de “relação tóxica”. Ele reuniu em livro os nove tipos de relação que considera maléficos ao casal.
Em “Paixões Tóxicas”, recém-lançado no Brasil (editora Academia), Stamateas mostra como esses modelos de união geram desgastes que podem levar ao divórcio. E oferece possíveis saídas para quem vive um relacionamento com essas características. “Uma simples crise vira uma relação tóxica quando ela não é resolvida e passa a se repetir”, diz o autor.
Humilhando o parceiro
Um desmerece o outro o tempo todo nas “relações de desqualificação”
O parceiro que sempre diminui e desqualifica o outro, inclusive na frente das demais pessoas, está buscando um culpado para os seus problemas. “Ninguém é só defeitos. Além disso, se você escolheu aquela pessoa para dividir a vida, é porque certamente viu qualidades em um primeiro momento”, alerta o psicólogo Bernardo Stamateas.
2 Solidão a dois
São as “relações de estancamento”, ou seja, quando reinam a indiferença e a falta de diálogo
Sabe aquele casal que está há tanto tempo junto que nem lembra mais por que se casou? Eles estão estancados. Uma vida tediosa, vivida em nome dos filhos e da convenção social. “São aqueles casais que não estão bem, mas também não estão ‘tão mal assim’ a ponto de querer mudar”, explica Stamateas. Esperam que a paixão inicial se reacenda um dia. Mas só esperam, não fazem nada para que isso aconteça. Segundo o psicólogo Ailton Amélio, especialista em relacionamentos afetivos, as relações de estancamento são, hoje, a maior causa das separações.
3 Papéis sociais em conflito
Nas “relações dos modelos culturais”, o choque existe quando a expectativa é diferente da realidade
Homens e mulheres ainda assumem papéis sociais baseados naquilo que a sociedade e a família esperam de cada gênero. Os exemplos clássicos são o do macho provedor e o da mulher dedicada aos filhos e ao lar. Na hora em que duas pessoas com históricos diferentes se juntam, o conflito naturalmente acontece. Quando o modelo de um fere os princípios do outro, aí a união se torna um problema. Para tentar entender por que o outro se comporta dessa forma, é preciso enxergar o contexto no qual ele foi criado, aconselha Stamateas.
4 Quando dinheiro é o problema
Nas “relações das crises financeiras”, até a vida sexual pode ser afetada
Brigar por dinheiro vira uma questão tóxica quando se estabelece uma relação de poder – quem ganha mais se sente no direito de controlar a vida do outro. “É mais problemático ainda quando é a mulher que ganha mais. Isso gera até problemas sexuais para o casal”, constata a psicóloga Silvia Aguilar. A questão financeira também faz mal à saúde do casamento quando as duas partes não conseguem chegar a um acordo sobre como o dinheiro deve ser gasto. “Nesses casos, o relacionamento vai bem do dia 1º ao dia 15 e mal no resto do mês”, brinca o Stamateas.
5 Sob controle total
As “relações de possessividade” são marcadas pelo ciúme
Quem vive um relacionamento assim tem a sensação de que está sempre em um detector de mentiras. “Onde você estava? Com quem?” são perguntas comuns nesse tipo de união. O controlador também checa tudo do parceiro: e-mails, carteira, bolsos. Esse tipo de união é das mais tóxicas, sobretudo quando a pessoa controlada acha que possessão é manifestação de amor. O controlador é inseguro por natureza, teme ser passado para trás. É ciumento e manipulador. Os primeiros sinais de ciúme e possessão surgem no começo do namoro. “Por isso digo que o primeiro princípio para uma relação bem-sucedida é escolher bem o parceiro”, ressalta Ailton Amélio.
6 Comportamento sexual inadequado
Nas “relações da sexualidade tóxica”, o sexo não é vivido de forma saudável
Mulheres que trocam sexo por afeto e homens que justificam traições múltiplas porque “é instintivo” são exemplos de comportamentos sexuais tóxicos. Obrigar o outro a fazer coisas que ele não quer, idem. “É muito comum ver no meu consultório mulheres que se submetem ao desejo do outro sem ter vontade só por medo de perdê-lo”, conta Silvia.
7 Amor competitivo
O casal disputa tudo e todos nas “relações de competitividade”
“Eu ganho mais que você, tenho mais amigos e estou bem mais em forma!” Em um relacionamento no qual há competição, o segundo passo é um querer boicotar o outro. Esquecer datas importantes, desautorizar o cônjuge na frente dos filhos, perder a hora quando o outro precisa de ajuda e gastar dinheiro que havia sido poupado para um projeto em comum são alguns exemplos de boicote do “amor competitivo”. Segundo Silvia, terapeuta de casais, os casamentos estão cada vez mais individualistas.
8 Traição, caminho rápido para o fim
As “relações de infidelidade” resultam em perda de confiança, o que deteriora o relacionamento
Este, de acordo com os especialistas, é um dos relacionamentos tóxicos mais difíceis de ser superado. “Ninguém está preparado para enfrentar uma frustração como essa. Por isso muita gente até finge que não vê a traição, para não ter que enfrentar o sofrimento”, explica Silvia. “O problema é que isso vira um bicho-papão dentro de um armário, mexe com a autoestima, com a confiança, e a relação vai se deteriorando.” Quem é traído passa pelo seguinte processo: desilusão, desconfiança, controle do outro, perda da capacidade de amar e sentimento de rejeição e abandono.
9 A agressão é a tônica
Nas “relações de emoções explosivas”, os casais se agridem o tempo todo
Quando o hábito de brigar virou uma constante e acontece em qualquer ocasião, mau sinal: a toxidade tomou conta. Especialmente quando uma parte se sente vítima das ofensas do outro e passa a guardar rancor. “Quem vive uma raiva silenciosa vai querer vingança em algum momento”, ressalta Stamateas.
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