Dando continuidade a série de entrevista aos candidatos LGBT, confira a entrevista com Maicon, policial rodoviário federal, ativista do movimento LGBT no Rio Grande do Sul e candidato a deputado federal. Ele nos fala nesta entrevista dos seus planos, preconceito e projetos.

DT - Como tem sido sua luta em prol da comunidade LGBT em seu estado? O preconceito ainda é muito grande em relação a sua cidade?
Desde 1998 sou ativista político sobre assuntos LGBTs no estado, um dos coordenadores da Parada LGBT de Pelotas, organizando a primeira manifestação na cidade do Rio Grande e, juntamente com seu companheiro, realiza anualmente o Festival GalaGayPelotas contra a falsa moralidade, incentivando o desenvolvimento da cultura. Nossa luta contra o preconceito concretiza-se no dia-a-dia, fazendo com que as pessoas entendam que todos têm o direito de serem felizes. Entendo que o direito de um acaba quando infringimos o direito do
outro, por isso defendo ativamente a conquista do direito à união civil e os outros 77 direitos decorrentes.
Pelotas, apesar de sua fama e em virtude disso sofre com o preconceito existente em suas ruas, bares e festas.
DT - Este ano o número de candidatos LGBT’s aumentou em relação ao ano passado. Como você analisa esse crescimento?
São muito importantes todos os setores da sociedade se fazerem presentes nas diversas esferas da administração pública. Em especial na Câmara dos Deputados, temos que ter no mínimo um representante de cada estado brasileiro, como já falei. Temos no país 513 deputados justamente para isso, para termos representação dos mais diversos setores, e não para criar cabides de empregos. Como falam as mulheres, um homem jamais poderá saber o que é ser mãe. Se isto é verdade, analogamente, como um heterossexual saberá o que sente e as reais necessidades da comunidade LGBT? Podem ter belíssimos assessores, e alguns até tem, mas ser gay não é imaginar-se gay e isto fará toda a diferença se a comunidade LGBT eleger seus representantes para equilibrar os ataques dos segmentos fundamentalistas religiosos.
DT - As políticas públicas em prol da comunidade Gay no Brasil são inexistentes. De qual maneira você pretende contribuir para mudar essa triste realidade?
Quando tivermos um representante LGBT legítimo no Congresso o tratamento dos projetos de leis que lutamos, dentre outros que proporei, serão tratados de maneira muito diferente e com mais seriedade. Hoje se os gays não se fazem representar não tem o mesmo moral de cobrar tratamento de igualdade. Em breve, teremos que ter no mínimo um representante LGBT por estado brasileiro. Articularei esse chamado de nossa comunidade.
Com a ideologia socialista que tenho acredito na manifestação popular para pressionar o governo. Uma pressão em massa, em todos os Estados ao mesmo tempo. Quem é mais politizado entende que o governo federal articula para possuir a maioria no Congresso e aprovar o que quer ou o que precisar. Estou no PSOL justamente porque meu partido não prega isso, não realiza negociatas. Deixa seus parlamentares votarem conforme suas convicções.
DT - Quando LeoKret ganhou as eleições para vereadora em Salvador, a mesma sofreu muito com preconceito velado dos próprios gays e da chamada elite brasileira. Como você imagina que os novos eleitos para representar a classe gay serão visto?
Cada caso é um caso, cada pessoa constrói sua história baseada no que acredita. Posso falar de mim. Ativista político que sou. Atuo em diversas frentes fundamentais para o desenvolvimento humano de nossa
sociedade. Atuante em assuntos LGBT no Estado, um dos coordenadores da Parada LGBT de Pelotas e, produtor do GalaGayPelotas. Graduado em Física pela UFRGS, fui professor por mais de 3 anos e desde 2005 sou Policial Rodoviário Federal no Rio Grande do Sul. Não sou apenas um ativista do setor LGBT, também sou autor de vários projetos sociais desenvolvidos anualmente, nas áreas de educação para o trânsito e de combate à fome, que segundo levantamentos, são o principal motivo que leva a classe menos assistida da sociedade à criminalidade. Já morei em várias cidades do Rio Grande do Sul, como Porto Alegre, Caxias do Sul, Rio Grande e hoje em Pelotas, além de já ter viajado o Brasil a fora, o que me propiciou um conhecimento geográfico bastante amplo e conhecimento das necessidades de nossa população. A conquista
da igualdade de direitos humanos é minha principal bandeira, mas não a única: “educação e segurança pública são pré-requisitos fundamentais de desenvolvimento para o Brasil. Sigo a linha de coerência de meu partido no que diz respeito à defesa da justiça social e o combate ao preconceito e à corrupção, denunciando a banda podre da política brasileira”.
DT - Adoção e casamento estão na ordem do dia-a-dia da política brasileira apenas no papel. De qual forma você pretende lutar para tirar do papel o desejo de homossexuais brasileiros?
Acredito no combate ao preconceito através de emendas na Constituição Federal e no Código Civil Brasileiro e relembro alguns dos 78 direitos civis negados à comunidade LGBT, como a união civil e a adoção, além
dos direitos de ordem pecuniária como financiamentos conjuntos, direitos previdenciários e de herança, declaração em planos de saúde e imposto de renda, dentre outros, pois enquanto não conquistarmos nossa
condição de igualdade de direitos junto aos heterossexuais ainda passaremos por muitas situações constrangedoras e violentas em nosso cotidiano. O combate à homofobia começa aqui.
Precisamos instituir nas grades escolares do ensino, assuntos de diversidade sexual. Hoje falar em homossexualidade em sala de aula ainda é tratado como tabu e o pior, por muitos como se não fosse um
ato natural. Precisamos formar a geração do futuro e não será apenas com paradas LGBT que faremos isso. Vou articular com o Ministério da Educação a inserção desse tema na grade, como já vem fazendo a ABGLT,
além de ampliar nossa rede parlamentar de apoiadores, coisa que já venho fazendo.
Como mencionei já acima, somente a pressão popular poderá mudar esta triste realidade em que vivemos. Sonho com o dia em que possamos ter na esplanada dos ministérios o público que levamos à parada de São
Paulo. Com milhões de pessoas reivindicando seus direitos, não há governo no mundo que resista à pressão, seja de segmentos econômicos, religiosos ou políticos.
Para concluir, coloco-me à disposição de nossa comunidade LGBT e ao mesmo tempo faço um apelo para que de uma vez por todas passe por cima de seu próprio preconceito. Aqui no estado temos 31 Deputados
Federais, como 1 não ser de nosso segmento. Como costumo dizer: despreparo ou preconceito de quem justamente sofre preconceito?
Infraero reconhece união estável de funcionário homossexual
Companheiro poderá ser incluído como beneficiário.
A Empresa Brasileira de Infra-estrutura Aeroportuária (Infraero) deu um passo pelos direitos LGBT ao reconhecer a união estável dos funcionários homossexuais.
Infraero passa a reconhecer parceiro de funcionário homossexual em união estável
A novidade foi divulgada no novo Acordo Coletivo de Trabalho da empresa, que pede para que o funcionário homossexual apresente a documentação de união estável emitida pelo cartório para, assim, incluir o companheiro como beneficiário.
“A partir da assinatura do deste Acordo Coletivo de Trabalho passa a ser considerado companheiro (a), para a concessão dos benefícios constantes do presente Instrumento, parceiro (a) do mesmo sexo, desde que declarado pelo empregado (a) em escritura cartorial, que deverá ser entregue na área de pessoal de sua Dependência de lotação,” diz a cláusula sobre união estável no novo Acordo Coletivo de Trabalho da Infraero.
Dois Terços nas eleições 2010
O site Dois Terço inicia uma série de entrevista intitulada “Dois Terços nas eleições 2010”.
Confira a entrevista, nosso primeiro convidado da série é Jean Wyllys.

Jean Wyllys candidato a deputado federa,l pelo Rio de Janeiro, na legenda do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). Ele fala ao site Dois Terços dos desafios, propostas , casamento, adoção por casais homossexuais e da importância do crescimento dos candidatos que lutam em prol da comunidade LGBT.
DT A sua candidatura já era uma certeza para comunidade LGBT , porém a escolha do estado foi uma surpresa. Existe algum motivo especial em sair candidato pelo Rio de Janeiro e não pela Bahia, como muitos esperavam?
O motivo de vir candidato pelo Rio é que meu domicílio é agora neste estado. Moro no Rio há seis anos. O que as pessoas precisam saber é que o fato de vir candidato pelo Rio não me impede de legislar em favor do povo brasileir. Já que estamos falando de LGBTs, em favor da comunidade LGBT de todo Brasil. Por isso mesmo, não morando no Rio ou não votando no Rio, os simpatizantes à minha candidatura devem pedir aos seus amigos e parentes fluminenses que votem em mim.
DT Este ano o núumero de candidatos LGBT’s aumentou em relação ao ano passado. Como você analisa esse crescimento?
Isso é bom, e é um resultado direto do aumento da visibilidade LGBT nos últimos anos, sobretudo por meio das paradas. Mas eu não me considero um candidato LGBT no sentido de que um candidato LGBT deve estar necessariamente restrito às bandeiras do movimento LGBT. Minhas propostas incluem as bandeiras LGBT ,mas vão além delas. Meu compromisso é também com a educação cidadã e de qualidade para todos e com a defesa e promoção dos Direitos Humanos: combate ao racismo, à discriminação do povo de santo, ao trabalho escravo e à exploração sexual de crianças e adolescente, e defesa da liberdade da mulher.
DT As políticas públicas em prol da comunidade Gay no Brasil são inexistentes. De que maneira você pretende contribuir para mudar essa triste realidade?
Primeiro eu quero esclarecer que as minhas propostas para os LGBTs fazem parte de um conjunto maior de propostas em favor dos Direitos Humanos e das liberdades civis. Bom, além de me engajar na defesa de projetos de lei que já tramitam no Congresso Nacional, como o que criminaliza a homofobia e o que institui a união estável ou a parceria civil ou ainda, como alguns preferem, o "casamento" entre homossexuais, além disso, vou lutar contra a aprovação do projeto de lei que proíbe casais homossexuais de adotar crianças. É inadmissível que parlamentares fundamentalistas religiosos prefiram ver crianças apodrecendo de solidão e desafeto e, em alguns casos, sofrendo maus tratos em orfanatos, do que ver em lares constituídos por casais homossexuais, recebendo afeto, proteção e conforto material! Isto é inadmissível! Além disso, se eleito, vou cumprir meu papel legislativo de fiscalizar a implantação do Plano Nacional de Direitos Humanos e do Plano Nacional LGBT por parte do Poder Executivo e de acompanhar processos que tramitam no Supremo Tribunal Federal e que são do interesse dos LGBT, como os relacionados à união estável entre homossexuais e ao reconhecimento e adoção do nome social de travestis e transexuais. Outros projetos específicos para os LGBT surgirão ao longo do mandato, dependendo das necessidades desta comunidade à qual pertenço, serão construídos em parceria com o movimento social.
DT Quando LeoKret ganhou as eleições para vereadora em Salvador, a mesma sofreu muito com preconceito velado dos próprios gays e da chamada elite brasileira? Como você imagina que os novos eleitos para representar a classe gay serão visto?
Não posso fazer exercício de futurologia. Penso que grande parte dos LGBTs de Salvador não se sentiu representado por Leo Kret, o que não é algo necessariamente condenável na medida em que estamos cansados de que certos gays próximos do estereótipo sejam aceitos pela ordem porque podem ser convertidos em caricaturas que nos fazem risíveis e sem credibilidade. Aliás, não foi a comunidade LGBT que elegeu Leo Kret, embora ele faça parte desta comunidade. Agora, se ela sofreu discriminação por ser negra e ter vindo da pobreza ou por representar o gosto musical dos pobres (quer dizer, há muito tempo que o pagode passou a ser cultuado também pela elite branca de Salvador), isso é um absurdo e é inadmissível. Gosto de Leo Kret como pessoa, mas não me sinto representado por ela nem pelo seu partido.
DT Adoção e casamento estão na ordem do dia da política brasileira apenas no papel. De qual forma você pretende lutar para tirar do papel o desejo de homossexuais brasileiros?
É atribuição de um parlamentar legislar, ou seja, fazer leis e negociar (no melhor sentido desta palavra!) com os demais a aprovação das mesmas; é também atribuição de um parlamentar lutar e negociar (mais uma vez, no melhor sentido desta palavra) para que leis injustas não sejam aprovadas. A maneira como pretendo colocar as propostas em prática é parte do trabalho de um deputado federal.
Ser Homossexual é uma opção?

Por Felipe Resende
Tendo em vista as diversas perguntas me enviadas por e-mail ou pessoalmente me perguntando se a homossexualidade é uma opção, tendo infelizmente essa dúvida levantada por pronuncias inadequadas de alguns profissionais que abordam o tema. Creio que eles esquecem muita das vezes que estamos em uma sociedade em que a Psicologia, Psiquiatria, Psicanálise, Sociologia, Filosofia e outras ciências da saúde e do saber são suprimidas e encaradas como de "segunda categoria" e suas ideologias pouco importantes. Nós, profissionais que cuidam da saúde mental, quando nos referimos ao termo "opção" nos referimos em optar por levar uma vida de acordo com sua orientação ou não, temos consciência de que existem homossexuais vivendo como heterossexuais por pura pressão social e religiosa, mais que sua orientação esta longe de ser heterossexual. Nenhuma orientação sexual é de livre escolha como optar por vestir uma blusa azul ou verde. Tendo em vista que muitos líderes religiosos e profissionais anti-éticos e destemperados afirmam que isso é um "estilo de vida" ou uma "opção afim de oferecer saciedade as vontades da carne" ou mais tragicamente um "Hobby"...
O Psicólogo Adriano Facioli, colunista do site RedePsi
( www.redepsi.com.br/portal/modules/soapbox/article.php?articleID=556) escreve que:
"Se a homossexualidade é representada como um mistério, isso também deveria caber à heterossexualidade. Para ele há de se perguntar pela gênese tanto de uma quanto de outra. Pois para a psicanálise todos nascemos, vamos assim dizer, “bissexuais”. A orientação originária é a bissexualidade. A monossexualidade, seja ela hetero ou homo, só se dá com o decorrer do desenvolvimento. Neste sentido, psicanalítico, nascemos bissexuais e aprendemos a ser hetero ou homo. [ E o termo aprendizagem, para o senso comum, também adquire alguns sentidos que não os adotados pela Psicanálise. Basta dizer que é aprendido, para alguém já logo pensar equivocadamente que deve haver alguém, alguma pessoa que ensina. Para não me estender muito sobre isso, resumo: aprendemos o tempo todo, e o mundo (incluído aí o mundo das coisas) ensina.]
A homossexualidade não é uma escolha, caso seja, devemos associá-las ao masoquismo, se o homossexual escolhe isso, ser uma espécie de pária da sociedade? Alguém escolhe isso para sua vida: ser discriminado, diminuído, excluído, maltratado e humilhado? Sim, pois é exatamente assim que os homossexuais são tratados e mesmo assim o Masoquismo em termos comportamentais, muitas vezes nada mais é que efeito da associação entre dois estímulos: um prazeroso e outro doloroso. Masoquistas costumam ter prazer com coisas muito específicas, as quais são exatamente aquelas que foram associadas com alguma forma de prazer muito significativa já vivenciada. [ Logo não há nenhuma ligação especifica e regra entre Masoquismo e Homossexualidade. ]" ( destaque meu )
Se a orientação sexual é uma opção, logo as possibilidades são as mesmas para todo mundo. Logo, somos todos, como pretendia Freud, originariamente bissexuais. Eis aí o paradoxo do senso comum: enuncia uma regra que, por implicação lógica, estabelece a bissexualidade como universal, coisa que a própria sociedade rejeita."
A cada dia que passa mais me vejo convencido que os homossexuais são a "bola da vez", visto que o preconceito precisa sempre subordinar alguma classe para se satisfazer, e nada mais prático do que escolher um grupo pequeno, onde as ciências que abordam o tema são relativamente pouco divulgadas a sociedade geral e onde se pode encontrar um apoio gigantesco que é a religião que embora dividida prevalece em números quando se trata na condenação a homoafetividade.
Felipe Resende, Terapeuta.
Site: www.feliperesende.weebly.com
E-mail: tr.felipesilva@gmail.com
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