Teatro Vila Velha estreia espetáculo ODISSEIA + Paisagem com Argonautas estreia no Espaço Cultural da Barroquinha
Centro de formação pioneiro no Brasil há mais de 60 anos, o Vila desenvolve desde o mês de janeiro do ano passado, em parceria com a Fundação Banco do Brasil, um projeto inédito de capacitação profissional, artística e cidadã com pessoas de diferentes idades, comunidades, gêneros e ocupações: o “TEMPO: Disseminação Cultural e Inclusão Social no Teatro Vila Velha”.
Nesse ciclo diferenciado e intensivo de formatura da 11ª turma da universidade LIVRE (com uma carga horária extensa de mil horas, ao longo de 1 ano), 30 bolsistas participantes vivenciaram uma série de atividades, ações, experimentos e oficinas das mais diversas linguagens – como teatro, dança, percussão, libras – além da prática de mediação cultural, comunicação, audiovisual, técnicas de palco e todo um universo teórico de aprendizagem para a vida e para as artes cênicas. O processo de experiência prática funcionou em conjunto com a formação artística, que revisita a obra universal “Odisseia”, de Homero (poeta épico da Grécia Antiga); e o texto “Paisagem com Argonautas” (1982) do dramaturgo alemão Heiner Müller (1929 – 1995).
A estreia do espetáculo é no dia 07 de março, às 19h, no Espaço Cultural da Barroquinha, e segue no local até o dia 22 do mesmo mês, com sessões às sextas (19h), aos sábados (16h e 19h) e aos domingos (16h). Ingressos pelo Sympla neste link https://bit.ly/4qZgzvm ou no local, na bilheteria do evento.
O POEMA E O MITO
O poema épico relata o regresso de Odisseu, (ou Ulisses, como era chamado no mito romano), herói da Guerra de Troia e protagonista que dá origem ao título. Como se diz, o “herói de mil estratagemas que tanto vagueou, depois de ter destruído a cidadela sagrada de Troia, que viu cidades e conheceu costumes de muitos homens e que no mar padeceu mil tormentos, quanto lutava pela vida e pelo regresso dos seus companheiros”. Odisseu leva dez anos para chegar à sua terra natal, Ítaca, depois da Guerra de Troia, que também havia durado 10 anos.
A partir da epopeia de Homero, ODISSEIA desloca o mito do heroísmo para o território das escolhas humanas. Após a guerra, Odisseu, Penélope e Telêmaco seguem atravessados pelos escombros do conflito: a vitória não encerra o trauma, nem garante o retorno. Nesta travessia, a viagem deixa de ser apenas geográfica e se torna ética — um percurso em que cada decisão molda o destino individual e coletivo. A partir desse enredo, a universidade LIVRE investiga questões políticas, econômicas e culturais que atravessam milênios e possuem muitos paralelos atuais.
“Ao encarar o mito do nosso ponto de vista, do presente, ODISSEIA torna o nosso momento num tempo histórico, marcado por crises políticas, guerras, colapsos institucionais e disputas de narrativa. Vivemos um momento em que cada escolha coletiva (silenciar, consentir, resistir, agir) projeta um futuro possível”, reflete Marcio Meirelles, encenador e diretor artístico do Vila.
HOMERO E HEINER MÜLLER – diálogos
Em conexão intertextual, poética e mitológica com o texto de Müller, Meirelles retoma nesse espetáculo um recurso de metateatro que costuma incorporar às suas montagens. Um exemplo disso é o que fez em Hamlet+HamletMachine, ao conectar Shakespeare e Müller, que em sua estética de dramaturgia polifônica constrói pontes para múltiplas formas de narrativa; que se harmonizam com o seu método de Teatro Coral (de um elenco que forma uma unidade cênica em Coro).
Esse diálogo, entre os sete primeiros Cantos do texto clássico e a contemporaneidade de “Paisagem com Argonautas”, conecta linguagens e imaginários. Essa fricção amplia a narrativa mítica e a conecta a um mundo marcado por crises políticas, guerras, colapsos climáticos, entre outras mazelas.
Despojada de deuses, monstros e façanhas heróicas, o material concentra-se no que há de mais humano na jornada: o peso da escolha entre o “sim” e o “não”. Com Libras integrada à dramaturgia como parte constitutiva da cena, ODISSEIA afirma a acessibilidade como gesto político e poético, ampliando as formas de escuta, presença e convivência no teatro.
Este espetáculo é parte do TEMPO: ‘Disseminação Cultural e Inclusão Social no Teatro Vila Velha’, projeto 21.792, que tem parceria com a Fundação Banco do Brasil, e se destina a promover o acesso de comunidades vulneráveis à arte e à cultura a partir do Teatro Vila Velha. Além do investimento nesta turma da LIVRE, o projeto apoiou a organização, digitalização e disponibilização do acervo documental do Vila, e várias ações de pesquisa; e quatro edições do Pé de Feijão – Arte e Educação, com suas ações de formação que beneficiaram em torno de três mil crianças e educadores.
O VILA OCUPA A BARROQUINHA: Seguindo o movimento de expansão e conexão, o Teatro Vila Velha ocupa o Espaço Cultural Barroquinha com apoio da Fundação Gregório de Mattos,
O Teatro Vila Velha tem apoio financeiro, inclusive para o programa O VILA OCUPA A CIDADE, do Governo do Estado, através do Fundo de Cultura, Secretaria da Fazenda e Secretaria de Cultura da Bahia.
Para ficar atualizado e bem informado sobre toda a programação, acesse o Instagram @teatrovilvelha e o site www.teatrovilavelha.com.br e acompanhe as novidades.
FICHA TÉCNICA:
Encenação e dramaturgia: Marcio Meirelles
Direção de movimento, preparação corporal e Assistência de direção: Roberto Montenegro
Direção Musical: Ramon Gonçalves
Audiovisual: Rafael Grilo
Acessibilidade Dramatúrgica (Libras integrada à cena): Cíntia Santos
Figurino: Zuarte
Cenário: Erick Saboya
Preparação de elenco: Chica Carelli
Elenco da universidade LIVRE: Gustavo Domingues (Razzga Mortalha), Erick Bispo, Pandora, Mireh, Daiana Ramos, ÉVORA, Vivian de Assis, CARLOS Araújo, Maria Clara Medeiros, Durray Carvalho, Vinni Bispo, Guedes Lins, Raphael Ruvenal, Vick Melo, Naiara, Maria Clara Mendes, Gisele Cristina, Tato Seixas, Thiago Nascimento, Emerson Pinheiro, Monalisa Azevedo, Santês, Ogcaua, Raquel jesus e Rudá.
produção executiva: CLARA TORRES
produção: ANA CLARA VERAS, PÂMELA MALTA
produção universidade livre: VINICIUS VARJÃO
chefe de palco: MARCOS DEDÊ
cenotécnico: JOILSON BATISTA
técnico de som: THIAGO VINÍCIUS
gerência operacional: MENIKY MARLA
coordenação de comunicação e mediação: GABRIELA WENZEL
assistência de comunicação: DIANDRA ROCHA
assessor de imprensa: ARLON SOUZA
redes sociais: JEAN TEIXEIRA
diretor de arte: RAMON GONÇALVES
+ SOBRE O PROJETO TEMPO: Disseminação Cultural e Inclusão Social no Teatro Vila Velha
O projeto TEMPO potencializa a dinâmica de preservação da memória do teatro no trânsito entre memória, presente e futuro, tendo como eixos de formação outras áreas, projetos e programas já consolidados no Vila, como a universidade LIVRE do teatro Vila Velha, o acervo Nós, Por Exemplo e o projeto Pé de Feijão.
TEMPO (presente)
Nessa composição, a Universidade LIVRE de Teatro Vila Velha deu a largada neste programa de formação, que se estendeu ao longo do ano de 2025 e início 2026, reunindo experiências em territórios específicos, como técnica, memória, comunicação e gestão, onde os integrantes passarão por oficinas e projetos práticos, para consolidar a produção de conhecimento. O programa intensivo acumulou uma carga horária de 1.000 horas. As atividades de aprendizado incluem a realização de experimentos abertos ao público, seguidos de debates para compartilhar a experiência dos participantes, a produção de um espetáculo teatral e a realização de 30 visitas guiadas pelo teatro conduzidas pelos integrantes.
TEMPO (memória-futuro)
Através do eixo Acervo e Memória, O Projeto TEMPO se dedica ainda a preservar, organizar, higienizar, restaurar, digitalizar e indexar os milhares de documentos do acervo do Teatro Vila Velha, desenvolvendo sistemas de conservação e facilitando o acesso aos interessados. Será criado um espaço virtual em uma plataforma digital para disponibilizar o acervo além da fisicalidade e haverá divulgação através de correspondência direta a universidades, centros de pesquisa, escolas e cursos de artes cênicas, além de redes sociais e mídia geral.
TEMPO (futuro)
A ação Pé de Feijão potencializa e inspira um futuro mais sensível e criativo através da experiência de formação artística para as infâncias. Criado e dirigido pela artista Cristina Castro, o Pé de Feijão – Arte e Educação promove um amplo trabalho de mediação cultural com foco na iniciação artística de crianças e adolescentes da rede pública de ensino, de comunidades e de instituições sociais, através do acesso gratuito a atividades culturais e educativas, unindo arte, sociedade, educação e ações de acessibilidade. O Pé de feijão cria e mantém uma programação com conteúdos artísticos relevantes e oferece uma programação contínua para esse público.
SOBRE A UNIVERSIDADE LIVRE DO TEATRO VILA VELHA
A universidade LIVRE do teatro vila velha é um programa de formação de atores e artistas. Há 12 anos em ação, o projeto formou mais de uma centena de artistas, a partir de uma experiência integral e prática. A jornada inclui diversas linguagens: dramaturgia, atuação, dança, percussão, produção, gestão cultural, comunicação e técnicas do espetáculo, como iluminação, produção audiovisual e sonorização. Ao todo, o processo formativo é realizado em três anos. Em 2025, por meio de oficinas em diversos pontos da cidade de Salvador, uma nova barca de LIVRES inicia o ano XI com formação, capacitação e estágio. A universidade LIVRE do teatro vila velha se transforma e avança para uma nova fase, impulsionada pelo Projeto TEMPO, parceria entre o Teatro Vila Velha e a Fundação Banco do Brasil. Para essa turma, serão destinadas bolsas e os novos integrantes da LIVRE estarão inseridos em um plano de experiências práticas que envolve laboratórios de formação artística com colaboradores de teatro, música e dança, além de vivências práticas em diversos setores do teatro.
SOBRE O PROJETO PÉ DE FEIJÃO
O Pé de Feijão – Arte e Educação é um projeto de formação para as infâncias, do Teatro Vila Velha, Com foco na iniciação artística de crianças e adolescentes, conecta arte e educação por meio de atividades como visitas ao teatro, apresentação de espetáculos, contação de histórias, oficinas e vivências criativas incentivando a expressão artística e o encantamento pela cultura. O Pé de Feijão promove acessibilidade e inclusão social. Todas suas atividades são oferecidas gratuitamente ao público através de mediação e com escolas, comunidades e organizações sociais em prol da infância e juventude
SOBRE A FUNDAÇÃO BANCO DO BRASIL
Há 40 anos, a Fundação Banco do Brasil busca inspirar cada brasileiro a se tornar um agente de transformação da sociedade. A instituição acredita na força do coletivo para encontrar soluções viáveis na superação dos desafios e promoção do desenvolvimento sustentável, sendo uma das principais gestoras dos projetos socioambientais apoiados por meio do Investimento Social Privado – ISP do BB e de parceiros. Nos últimos 10 anos, foram investidos R$ 2,7 bilhões em 10 mil iniciativas que impactaram positivamente a vida de 6,8 milhões de pessoas de 3.400 municípios.