O universo da literatura Gay
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kiko Riaze

O universo da literatura Gay ainda é muito pequeno no Brasil, Pensando nesta temática convidados o jovem escritor carioca kiko Riaze , que irá falar do seu primeiro livros e da ausência de novos autores no mercado LGBT.


“ Depois de sábado á noite”, o que pode esperar o seu leitor ?
Depois de Sábado à Noite é um retrato fiel do universo gay urbano e contemporâneo. É um livro bastante realista, sem deixar de ser lírico, onde o leitor homossexual certamente vai se reconhecer em cada personagem, nas suas aventuras, nos seus conflitos, nas suas dores e alegrias do dia a dia. Nas páginas de Depois de Sábado à Noite, o leitor será convidado a viajar com o jovem Cadu por cenários do mundo gay e o acompanhará em sua difícil luta para encontrar um grande amor. Saunas, boates, as drogas, a pegação... Tudo isto e muito mais revelado em um livro de leitura leve, com muito bom humor, mas que também sabe falar sério quando é necessário. E, é claro, um livro cheio de sensualidade e com bastante erotismo que pode ser lido não apenas pelos homossexuais, mas por qualquer pessoa que queira conhecer e entender um pouco da nossa cultura. É um livro para refletir.


Como nasceu o fio condutor do seu primeiro livro?

Nasceu de uma observação minuciosa que eu fiz dos costumes, dos pensamentos, atitudes e da cultura da comunidade homossexual das grandes cidades e por perceber que já estava mais do que na hora de se fazer um livro que falasse abertamente sobre as principais questões deste universo, sem máscaras e sem medo.

A literatura Gay ainda é pouco difundida, você acredita que falta autores ou Editoras interessadas na temática?

Faltam os dois. E isto acontece, logicamente, porque vivemos numa sociedade extremamente preconceituosa. E vou mais além: os próprios gays têm uma boa parcela de culpa. Nos EUA, que também é um país bastante conservador, a comunidade gay acordou mais cedo para lutar por seus direitos e, por conta disso, desde os anos 70 já existem prêmios dedicados exclusivamente para literatura gay. Existem até livrarias dedicadas somente a este público. Aqui, a escassez de obras é notória.

A sua Editora diz, na Revista Junior, que existe vários texto interessantes chegando, porém os autores não querem aparecer. Você chegou a pensar em não revelar seu nome?

De forma alguma. Sou o que sou e não tenho porque ter vergonha. Espero com isso poder encorajar todos aqueles que têm talento, mas têm medo de se assumir. Acho que já está começando a dar certo.

Escrever um livro é como colocar um filho no mundo. O que mudou em sua vida após o lançamento do livro?

A gestação de um livro é verdadeiramente um desafio, dá trabalho, muita dor de cabeça, mas depois que ele nasce é só alegria. Depois do lançamento do livro muita coisa boa vem acontecendo. Muita gente da mídia vem me procurando, tenho conhecido muitos autores já publicados que querem compartilhar idéias, pessoas mandando e-mail para a Editora simplesmente para elogiar meu trabalho e até mesmo pessoas se aproximando para desabafar e contar seus problemas. Acho tudo válido. É um sinal de que meu trabalho está sendo bem recebido.

Você tem uma editora pronta para por seu livro no mercado, Qual tem sido a aceitação pela comunidade LGBT?

Muito boa. O retorno dos leitores tem sido bastante positivo e as críticas da imprensa gay também. Eu sempre acreditei no potencial do livro e meu desejo é que ele chegue às mãos do maior número de pessoas possível. O gay precisa ler obras que falem sua língua, que contem a sua história e levantem sua auto-estima. Não dá mais para ficarmos no segundo plano.

Em uma das suas muitas entrevistas você disse:
Alguém já viu os personagens gays das novelas freqüentarem boates? Fazerem pegação em banheirão? Falando gírias e rodeados de amigos que também são gays?


Esses personagens ajudam o atrapalha a relação da sociedade com os gays?

Eu prefiro acreditar que os autores de novelas são bem intencionados ao criar personagens homossexuais, afinal, o meio artístico sempre foi muito amigável com os gays. Eu arrisco até dizer que o meio artístico não seria muita coisa sem os gays, embora muitos, infelizmente, ainda prefiram ficar no armário. Eu acho que o maior problema vem de cima, vem da cúpula das emissoras que reprime o poder de criação de seus autores e prefere mostrar o gay estereotipado, que beira quase o ridículo. Há pouco tempo atrás vimos uma novela de horário nobre mostrar um gay sendo "curado" de sua homossexualidade. Um absurdo. É lógico que cada um sabe de sua vida, mas transformar um gay de trejeitos afeminados em um machão inveterado é um tipo de mensagem muito perigosa e que só traz mais preconceito. Que tipo de absurdos um jovem afeminado não deve ter ouvido na época em que a novela estava no ar? Estes personagens certamente só atrapalham.

O livro já é sucesso. E nós de Salvador como faremos para nos deliciamos com seu livro?

Desde janeiro, o livro já está à venda na Bahia. Mesmo assim, espero em breve poder realizar uma noite de autógrafos em Salvador e ter contato com os leitores baianos e com esta cidade, pela qual eu sou apaixonado.

Além do Livro, nos fale um pouco sobre ‘Subvertendo Convenções” .

Subvertendo Convenções é um blog que criei após o lançamento do livro, para falar um pouco mais sobre a obra e também para mostrar um pouco de mim, de meus pensamentos e de assuntos voltados exclusivamente para a comunidade gay. Escolhi este nome por estar esgotado das convenções criadas por esta sociedade tirana e hipócrita, que tenta a todo custo calar a nossa voz. Precisamos de liberdade, e o blog é mais um espaço que eu achei para falar com os leitores, falar da nossa identidade, das nossas questões do dia a dia e com a linguagem que a gente entende.

Acessem: www.kikoriaze.wordpress.com

Outras entrevistas:

 

 

 

 


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