13 mil votos. Foi esse número que elegeu Leokrete a candidata gay mais votada no país e a única em uma capital, além de ser a 4ª vereadora mais votada na Bahia. Ainda se acostumando à nova rotina de trabalho, que pretende unir as atividades de vereadora e artista, Leokrete garante que será a voz LGBT na Câmara e no Poder Executivo e vai tirar da gaveta Leis que garantem os direitos iguais a todos. “Direitos iguais, nem menos, nem mais”, é o que defende a vereadora. Leia a entrevista.

DT Como está seu trabalho como vereadora?
Estamos nos organizando internamente, fazendo visitas a instituições ligadas à cultura, à prestação de serviços voltados para a população mais carente e aquelas que prestam serviços de educação. Estas visitas são pra nos aproximar mais destas áreas, onde nosso mandato terá uma atuação maior. Estamos também acompanhando os acontecimentos na Câmara dos Vereadores, as decisões políticas quanto à eleição da Mesa Diretora, atentos ao que for melhor para a população.

DT O que seu novo trabalho mudou na sua rotina?
Muita coisa. Tenho agora duas agendas. A agenda da artista, que continua, e a agenda da vereadora. Muda tudo por conta das sessões, das reuniões, visitas oficiais e até das entrevistas, como esta. Pretendo conciliar tudo, para que uma não conflite com a outra. Tenho outras responsabilidades agora, portanto, preciso estar em muitos lugares, aceitar as mudanças, buscar muitas coisas.

DT Quais são os projetos que você pretende realizar nesses primeiros meses de mandato?
Nestes primeiros meses, nós temos uma agenda de visitas às comunidades carentes, principalmente aquelas onde tivemos maior votação. Precisamos ir até lá, de perto, saber das reais necessidades destas comunidades e sermos a voz deles na Câmara e no Executivo. Em 1997, a Câmara aprovou a Lei Municipal nº 5275/97, que torna a homofobia um crime. Nossa primeira luta aqui será de tirar da gaveta essa Lei, regulamenta-lá e torna-lá uma realidade ema nossa cidade.

DT Quais as maiores dificuldades que tem enfrentado nessa sua nova fase?
Até então não tenho sentido dificuldades. Não as que prevíamos, como a discriminação lá dentro na Câmara, por parte dos vereadores e até mesmo dos funcionários. Muito pelo contrário, sentimos muito acolhimento das pessoas. Dificuldades só de programações, quando as agendas ficarem muito intensas, acredito.
DT Dá para conciliar a vida de artista com a vida de vereadora?
Está dando e creio que dará, sim. É só acertarmos os passos e buscar uma harmonia nisso, pra que não haja atritos de programações. Minha responsabilidade enquanto representante do povo que me elegeu não poderá nunca ser prejudicada pela vida artística. Também não queremos abandonar esta última, porque foi onde este mesmo povo me encontrou e em mim depositou sua confiança. Pretendemos casar tudo para que uma não atrapalhe a outra.
DT Como é sua rotina de trabalho?
Acordar cedo, saber da agenda do dia e seguir para as atividades. Até então, estamos em expediente interno, organizando equipe e trabalhos. Não temos ainda uma rotina muito extensa. Com certeza, a partir de fevereiro, ela ficará. Aí serão expedientes diários no gabinete, sessões e, possivelmente, atividades à noite.
DT Você pretende ser a voz LGBT no poder público? De que maneira?
Pretendemos sim. Temos que eliminar a hipocrisia do nosso dia-a-dia, vivenciar a Diversidade que é nossa sociedade. Na Bahia ,são cerca de 300 mil LGBTs. Não tem como ignorar esse público nas variadas instâncias de poder e meu mandato fará de tudo para que isso não seja esquecido em Salvador, através da Lei, na Câmara, de apoio a atividades desta comunidade e incentivo a iniciativas que tragam transformações importantes para este público. Uma das nossas batalhas será também a garantia da inclusão dos LGBTs no IPM (Instituto de Previdência do Município) pela Lei, para que o direito não mais dependa do governante em exercício. São algumas de nossas bandeiras nesse mandato. Direitos iguais, nem menos, nem mais.
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Inserido no site em 29/01/2009
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