Felipe Lira é um DJ completo que ganhou destaque na cena GLS
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 Com a agenda lotada o ano todo, Felipe Lira é um DJ completo que ganhou destaque na cena GLS e que sabe como manter a pista quente a noite inteira. Felipe conta ao DoisTerços como é sua relação com público, sua rotina de eventos e o que acha do mercado para quem comanda as pick-ups na noite. Uma das atrações da inauguração da San Sebastian, o DJ também foi sucesso na Hell & Heaven, na Costa do Sauípe no último final de semana.

 DT Você toca em muitas casas voltadas para o público GLS. Como você  administra o assedio do público gay?

Isso é tranqüilo. Normalmente existe um grande respeito e isso se contorna com simpatia e profissionalismo. Mas quando falta o respeito e passa do limite eu me imponho. Respeito acima de tudo, a mim e a quem eu namoro também.

 DT Todos os dias novos DJ entram na cena. Como você analisa esse  crescimento?


 Há duas maneiras de ver esse crescimento. A valorização da profissão e o  crescimento do papel de um dj na noite e na musica (o que é maravilhoso e  gratificante para tantos que ralam e doam o sangue pela musica), e o modismo  de ser dj e estar na frente para aparecer, do “glamour” da noite e da  preguiça que algumas pessoas tem em procurar trabalho e acham que vão ganhar  dinheiro só apertando uns botoezinhos e fazendo pose no palco tocando os  “hits do momento”. A profissão vai muito além disso e as pessoas deveriam se  aprimorar antes de querer pagar de celebridade no palco.

 DT Ainda não existe um reconhecimento pelo governo da profissão de DJ . Esse  reconhecimento seria bem visto pelo grupo?

 Sou totalmente a favor. Acho que deveria existir uma especialização para ser  dj profissional para que os verdadeiros djs que pesquisam, se atualizam, se  aprimoram e se dedicam a isso sejam reconhecidos como tal. Tenho certeza que  muita gente desistiria da profissão se fosse exigido ao menos um curso, porque  existiria uma dificuldade mínima e isso já eliminaria quem esta tentando a  vida de dj só pra ganhar dinheiro fácil e pelo “glamour” e daria mais  segurança aos profissionais de verdade em suas residências como dj e na  contratação das festas. É aquela velha história: separar o joio do trigo.

 DT Você faz vários shows pelos quatro cantos do Brasil levando a sua batida  perfeita. Além deste trabalho você faz algum outro tipo de trabalho ou a  grana destes trabalhos são suficientes para viver.

Atualmente tenho o privilégio de poder viver somente do meu trabalho como dj. No inicio trabalhava como produtor de elenco em São Paulo e a jornada dupla era uma loucura. Até que chegou num ponto em que precisei me dedicar integralmente à vida de dj para poder crescer como profissional. Foi difícil, mas hoje me sinto completamente realizado com o que faço e cada vez mais prazer em me dedicar somente a isso.

 DT A nova safra de Dj”s traz sempre homens lindos e sarados sem camisa nas  cabines. Isso é uma  tendência ou uma arma para conquista o público?

Acho que isso é uma arma para conquistar o publico. Hoje em dia o dj é a  atração da noite, está na frente do palco, no flyer. Isso acaba sendo um  meio de chamar ainda mais a atenção do publico. Mas cabe a esse publico  também se informar sobre o dj para que não caia na armadilha de ser só um  rostinho bonito com um sonzinho horrível. Mais vale um dj feio com um som  bom do que o contrario. Afinal, a atração da noite é a musica que ele toca e  da maneira como faz e não a beleza que ele tem.

Homofobia, união entre pessoas do mesmo sexo e adoção. O que você pensar  sobre essas coisas.
Sou do tipo que pensa que cada tem que ter a sua vida e se preocupar consigo  mesmo respeitando a todos a sua volta. Acho que isso já responde a tudo.
Cada um deveria ter o direito de fazer o que quer. Qual o problema de duas
pessoas do mesmo sexo se amarem e querer construir uma vida juntos? Eles não
tem o direito de serem felizes? O que as outras pessoas tem a ver com isso?

DT As paradas em todo Brasil viraram motivo de debates pelas comunidades LGBT e população. Se realmente elas estão realizando a função social como bandeira de lutas das comunidades LGBT”s .Voce acredita que realmente as paradas deixam de lado as suas principais bandeiras ao longo dos anos?

Infelizmente as paradas acabaram virando quase que uma micareta gls. As  pessoas vão a rua em função da festa e esquecem o motivo dela. O que era uma  grande celebração a favor dos direitos homossexuais (glbt) virou um grande  carnaval e algumas vezes para um circo onde todos param pra olhar e apontar.  Algo precisa mudar, resta saber como e onde.

FELIPE LIRA
 www.djfelipelira.com


 


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