Diretor da Arte Sintonia fala sobre teatro

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O diretor e autor de teatro Antônio Marques fala nesta entrevista sobre a situação do teatro baiano e principalmente sobre sua montagem acerca da vida de Elza Soares, que contará com apresentação para a cantora e também sobre como nasceu a companhia de teatro que ajudou a fundar: Arte Sintonia.


Esse é o terceiro musical na sua carreira. Existe algum motivo especial na escolha pelo gênero?
AM - Bem, eu sou apaixonado por espetáculos musicais, seja ele um espetáculo importado ou bem brasileiro como o Vôo da Asa Branca, e sem dúvida o que mais me emociona em cena é quando o espetáculo é brasileiríssimo, quando olho pra ele e me identifico. A junção da música, dança e teatro é algo que amo ver em cena. No entanto, esse desejo, essa vontade de trabalhar com musicais partiu de um pensamento coletivo dos membros da Arte Sintonia Companhia de Teatro: Leonardo Freitas, Denise Correia, Lívia França, Gilson Garcia, Jôsi Varjão e Fernanda Veloso. Sou privilegiado, pois tenho nas mãos um elenco que canta e dança, e isso é algo difícil de conseguir.    
 

Você  tem uma relação muito forte com a música popular brasileira que é fonte de inspiração dos seus trabalhos. Como acontece esse processo de seleção para montagem destes musicais?
AM - A Cia. tem como proposta cênica trabalhar com a dramaturgia brasileira, em espetáculos que possibilitem o uso da música e da dança. Sempre que decidimos montar um texto, mesmo que ele não seja um musical, fazemos a leitura dele já imaginando como seria ele musicado. Foi assim em 2002 quando montamos Pedaço de Mim – musical baseado na obra de Chico Buarque e em  2007 com Zona Contaminada, adaptamos o texto de Caio Fernando Abreu para um musical rock com músicas de Cazuza.   

As casas de espetáculo em Salvador estão fechando as suas portas. Você atribui essa situação a falta de respeito dos governantes pela classe artística em Salvador?
AM - Sinceramente não gostaria de me posicionar em relação a este assunto como algo político, mas é fato que não temos muitos espaços públicos com qualidade em Salvador, tirando a Sala principal do Teatro Castro Alves que é basicamente para espetáculos de fora, o que nos resta de espaços públicos para que possamos apresentar um espetáculo com dignidade? Sem dúvida os teatro privados são os que nos oferecem total condições de trabalho, e o Teatro ACBEU fechado e o Teatro Jorge Amado com a possibilidade de fechar as portas é de um prejuízo artístico imensurável.   

No dia 24 de maio a cantora Elza Soares estará  assistindo o espetáculo onde você conta um pouco da vida dela. Como andam os preparativos desta sessão especial?
AM - Uma correria e um frio na barriga de todos que estão envolvidos no espetáculo. Estamos ansiosos por este dia, é um desejo nosso desde quando começamos a ensaiar o espetáculo que ela assistisse. Sabemos que ela não gosta muito que falem sobre a vida dela, mas estamos confiantes que ela vai gostar muito.   

Nos conte um pouco de como nasceu sua Companhia .
AM - A Arte Sintonia Companhia de Teatro surgiu em 1998, uma proposta de Leonardo Freitas, que tinha saído do CRIA e sugeriu montarmos uma Companhia de Teatro. A formação atual surge em 2001 após a entrada de Gilson Garcia e Denise Correia com a montagem de A Serpente, de Nelson Rodrigues. Em seguida montamos Pedaço de Mim – musical baseado na obra de Chico Buarque (indicado a melhor atriz e melhor trilha sonora no Festival Ipitanga de Teatro – FIT), A Lei e o Rei – comédia musical de Teresa Frota e Zona Contaminada - musical baseado na obra de Caio Fernando Abreu com músicas de Cazuza, o qual foi indicado ao Prêmio Braskem de Teatro e ainda outras cinco indicações ao Festival Ipitanga de Teatro (FIT), de onde alcançou premiação de Melhor Atriz para Lívia França e Melhor Iluminação para Elísio Lopes Jr.  Temos ainda os musicais infantis Supernordestino Contra o Monstro da Mandioca, montagem de 2007 e H2Ópera – musical infanto-juvenil de Luís Sérgio Ramos de 2009/2010.   

As meninas do musical são cantoras? Como aconteceu a seleção destas mulheres e homens que vivem a vida da cantora Elza Soares?
AM - Apesar de afinadas (rs) com  exceção de Denise Correia, que além de atriz tem uma vida paralela de cantora, todos os outros são somente atores. É engraçado isso, porque sempre digo a eles, vocês são atores que cantam e dançam, não são cantores nem dançarinos. Falo isso para que não se cobrem tanto, porque sei da responsabilidade que é estar em cena atuando, cantando e dançando.

O elenco da Companhia: Denise Correia, Lívia França, Jôsi Varjão e Leonardo Freitas já tinha a experiência de outros musicais, já o elenco convidado: Clara Paixão, Guilheme Ojisis, Juliete Nascimento, Anderson Grilo e Agamenon de Abreu passaram por uma seleção, onde o pré-requisito era cantar e dançar. Além disso, temos um trabalho constante com Ana Paula Albuquerque, que é a preparadora vocal da Cia e com Cristiane Florentino, que é a nossa preparadora corporal e coreógrafa dos espetáculos.

 

 

 


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