Presidente da ABGLT estuda possibilidade de mover denúncia contra participante do BBB
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Nesta Sala Vip, o presidente da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT), Toni Reis, fala sobre as polêmicas e homofóbicas declarações de Marcelo Dourado, no BB, além da participação de três gays no reality show. Ele também fala sobre o trabalho da Associação e as lutas da comunidade LGBT pelo Brasil. Confira.

Dois Terços - A ABGLT lançou uma nota de repúdio ao participante do Big Brother Brasil 10, Marcelo Dourado, por suas atitudes homofóbicas e preconceituosas expressas em  declarações dentro da casa. Além dessa nota, haverá algum tipo de mobilização da   ABGLT face a esses  fatos?
 
Toni Reis - Estamos estudando a possibilidade de encaminhar a denúncia ao Ministério Público e outras autoridades competentes.
 
DT - Nesta edição três homossexuais entraram no programa e estão dividindo opiniões entre os próprios gays. Você acredita que a participação deles é um ganho para comunidade gay?
 
TR - Vejo que a visibilidade da nossa comunidade é fundamental. Creio que o Big Brother Brasil, como um programa de grande audiência, coloca o tema em discussão na sociedade e também mostra a diversidade da nossa comunidade. Acho importante para a conquista de espaço.
 
DT - As militâncias gays nos últimos anos, em alguns estados, estão focadas apenas na realização das Paradas Gays ao longo do ano. Existe alguma explicação para o enfraquecimento das lutas pelos direitos dos homossexuais no Brasil nas últimas décadas?

 
TR- Tenho uma visão diferente. Em 1993 havia apenas 15 grupos LGBT no Brasil. Em 1995, 31 grupos fundaram a ABGLT. A ABGLT hoje tem 237 organizações afiliadas. Hoje há em torno de 300 grupos organizados em todo o Brasil. Entre outros avanços, hoje há leis sobre a temática LGBT em quase todos os estados, que de certa forma beneficiem a comunidade LGBT (vide www.abglt.org.br no item Legislação). Em 1993, não havia nenhuma parada LGBT no Brasil, hoje tem em torno de 200. As paradas são a maior forma de mobilização social no país, e têm sido fundamentais para o fortalecimento da luta pelos direitos das pessoas LGBT porque dão visibilidade junto aos governantes. Em todo o país são realizadas atividades nas quatro datas comemorativas importantes para nossa comunidade: 29/01 – Dia da Visibilidade Trans; 17/05 - Dia Mundial Contra a Homofobia, 28/06 - Dia do Orgulho LGBT; 29/08 – Dia Nacional da Visibilidade Lésbica. Em 1993, o Governo Federal não atendia as demandas do Movimento LGBT. Em 2008 foi realizada a 1ª Conferência LGBT e em 2009 foi lançado o Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos de LGBT. Tudo isso é fruto da atuação cotidiana do movimento LGBT.
 
DT - Fale-nos um pouco do trabalho da Associação em prol da comunidade LGBT.
 
TR - A missão da ABGLT é promover a cidadania e defender os direitos de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais contribuindo para a construção de uma democracia sem quaisquer formas de discriminação, afirmando a livre orientação sexual e identidades de gênero.
 Atualmente as linhas prioritárias de atuação da ABGLT incluem: o monitoramento da implementação das decisões da I Conferência Nacional LGBT; o monitoramento do Programa Brasil sem Homofobia; o combate à homofobia nas escolas; o combate à AIDS e outras doenças sexualmente transmissíveis; o reconhecimento de Orientação Sexual e Identidade de Gênero como Direitos Humanos no âmbito do Mercosul; Advocacy no Legislativo, no Executivo e no Judiciário; a capacitação de lideranças lésbicas em direitos humanos e advocacy; a promoção de oportunidades de trabalho e previdência para travestis; a capacitação em projetos culturais LGBT.
 
 
DT - O Ministério da Saúde focou suas ações de prevenção à AIDS durante o Carnaval nos jovens e nas mulheres. Vocês desenvolvem algum tipo de ação para este público?
 
TR - A parte da campanha sobre jovens gays atendeu uma reivindicação da ABGLT junto ao Ministério da Saúde, tendo em vista o aumento de casos de AIDS neste grupo. A ABGLT tem representação na CAMS – Comissão de Articulação com os Movimentos Sociais, que é um espaço de diálogo entre movimentos sociais e o Departamento de DST, AIDS e Hepatites Virais do Ministério da Saúde. Desde sua fundação, a ABGLT tem tido como um de suas prioridades a luta contra a AIDS em nossa comunidade. De 1999 a 2006, desenvolveu o Projeto Somos, de fortalecimento de organizações LGBT para o enfrentamento da epidemia. A ABGLT também foi a articuladora de dois grandes projetos atualmente em andamento, um voltado para jovens gays e outro de advocacy junto aos programas municipais e estaduais de AIDS.  

 

 


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