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Paulo Fraval lança álbum “O poder que a bixa tem” ressaltando universo feminino e afeminado

Genilson Coutinho,
23/09/2022 | 10h09
Foto: Felipe Marques

Da diversidade musical das periferias brasileiras às influências rítmicas dos mais de 50 países por onde passou, tendo como ponto de partida as afetividades LGBTQIA+, o cantor e compositor Paulo Fraval lança seu primeiro álbum “O poder que a bixa tem” no dia 28 de setembro. O repertório traz 10 canções autorais que passam pelas vivências e inquietudes do artista,  destacando a legitimação de identidades, acolhimento às pluralidades e reverenciando o universo feminino e afeminado, ao mesmo tempo que critica com humor e ressignifica expressões pejorativas de toda uma estrutura machista e preconceituosa que violenta corpos fora da heteronormatividade. O pré-save pode ser realizado através do link e mais informações acompanhadas no instagram @paulofraval

Em uma mistura pop, dançante e com fortes bases eletrônicas, o álbum passa pelo pagode baiano, tecnobrega paraense e a cumbia colombiana, entre outros ritmos latino americanos. Majoritariamente produzido por profissionais mulheres, LGBTQIA+, e pessoas periféricas, o disco celebra a democratização do acesso à música e a valorização de um trabalho realizado por mentes e corpos estigmatizados pela sociedade patriarcal, questionando a frágil virilidade masculina.”Cada faixa narra vivências de personagens que abraçam o feminino, utilizando-o sempre em primeira pessoa, vestindo-se de liberdade para vivenciar suas identidades com fluidez, leveza e sem culpa”, ressalta Paulo. O disco conta com produção do DJ e produtor musical paraense Proefx. 

Em “O poder que a bixa tem”, faixa que dá título ao álbum, Paulo Fraval apresenta um repente eletrônico, desconstruindo clichês sobre a figura do homem nordestino e “cabra macho”, apropriando-se de termos preconceituosos e utilizando-os como mantras de empoderamento, força e acolhimento, além de ressignificar características da feminilidade que tornam homens gays alvo de violências físicas e emocionais. Já em “A mina dela”, o artista traz como base o pagode baiano para exaltar o amor entre mulheres e criticar a interferência de homens que se deparam com demonstrações de afeto lésbico. Outro destaque do álbum, a música “Illas de Oxalá”, lançada em junho deste ano (2022) é uma oração em forma de poesia escrita pelo artista baiano Almerson Passos. O clipe da música, produzido pela Voo Audiovisual, enaltece o trabalho e a resistência de Alana de Carvalho, mulher trans, líder comunitária e Yalorixá de um terreiro no bairro quilombola do Calabar (Salvador-BA). O clipe da música recebeu indicações e exibições em festivais de cinema alternativo mundiais.

Paulo Fraval iniciou sua carreira aos 15 anos como percussionista em Fortaleza (CE), mudou-se para Salvador em 2002,  onde estudou música e começou também a cantar. Foi vocalista das bandas “Solange, tô aberta!” (BA) e “Pistoleira” (CE). Entre 2010 e 2016, realizou cinco turnês internacionais e apresentações artísticas em 19 estados brasileiros, participando de importantes espaços e eventos underground como, Itaú Cultural (SP), Festival Panorama de Dança (RJ), Ocupación Plaza de Catalunya (Barcelona/ES), Copenhagen Queer Festival (Dinamarca), Saturation Club (Polônia), Oslo Queer Festival (Noruega) e Transgenialer CSD (Berlim/ALE).

“Esse álbum é a realização de um grande sonho. Sou um artista que cresceu na periferia e precisei driblar muitos preconceitos e dificuldades para não deixar esse sonho adormecer. Lançar um disco que contempla a beleza da diversidade, em um dos momentos mais tristes da história do Brasil, me fez constatar o quanto é importante não perder a esperança. Apesar das letras afiadas, este trabalho tem toda uma narrativa de acolhimento que propõe a desconstrução de rivalidades e hostilidades entre minorias, ambas fomentadas pelo machismo e pelas desigualdades sociais”, destaca o artista.

> SOBRE PAULO FRAVAL

Paulo Fraval iniciou sua carreira aos 15 anos como percussionista na periferia de Fortaleza, mudou-se para Salvador no ano de 2002 onde estudou música e começou também a cantar. Foi vocalista das bandas “Solange, tô aberta!” (BA) e “Pistoleira” (CE). Entre 2010 e 2016, realizou cinco turnês internacionais e apresentações artísticas em 19 estados brasileiros, participando de importantes espaços e eventos underground como, Itaú Cultural (SP), Festival Panorama de Dança (RJ), Ocupación Plaza de Catalunya (Barcelona/ES), Copenhagen Queer Festival (Dinamarca), Saturation Club (Polônia), Oslo Queer Festival (Noruega) e Transgenialer CSD (Berlim/ALE).

Em 2021, Paulo lança “Jeri”, celebrando seu primeiro trabalho solo, a música ganhou um videoclipe gravado no Ceará e dirigido por Camila Almeida (Estúdio Voa). Em maio de 2022, o artista lança “Ilás de Oxalá” uma oração em forma de poesia escrita pelo poeta baiano Almerson Cerqueira Passos. Anunciada como a primeira faixa de seu disco, o single ganhou um videoclipe/curta-metragem filmado em Salvador, dirigido por Edson Bastos e Henrique Filho (Voo Audiovisual). Traçando um paralelo entre o candomblé e a resistência LGBTQIAP+, a produção enaltece o trabalho e a resistência de Alana de Carvalho, mulher trans, líder comunitária e Yalorixá de um terreiro no bairro quilombola do Calabar, na capital baiana. “Ilás de Oxalá” trouxe a Fraval indicações e exibições em festivais de cinema alternativo mundiais, entre eles: Atlanta Black Pride Festival (Estados Unidos), Art200 (Romênia), Pink Screens Festival (Bélgica). Além de uma matéria na legendária Kaos GL Magazine (Turquia).