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Nova etapa do Projeto Marsúpio fortalece empreendedoras do Subúrbio Ferroviário com conteúdo sobre sustentabilidade e identidade cultural

Genilson Coutinho,
15/09/2026 | 16h09
Fotos: Nelson Santiago

O Projeto Marsúpio realizou, nesta segunda-feira (14), mais uma etapa de sua programação no Subúrbio Ferroviário de Salvador. Na OBE – Oficina do Bem Estar, em Vista Alegre, as participantes tiveram aula de Recomposição de Aprendizagens, conduzida pela professora Jeysa, e a palestra “Interseção entre práticas sustentáveis e a preservação da identidade cultural”, com o professor Álvaro Meirelles.

Realizado pela Fundação Paulo Cavalcanti, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, o Marsúpio desenvolve uma jornada de formação e acompanhamento de empreendedores da economia criativa. A continuidade das atividades no Subúrbio já começa a se refletir na experiência das participantes.

A empreendedora Daniela Daltro considera o projeto um “divisor de águas”. “Eu me sentia solitária como empreendedora, principalmente quando a gente começa pequeno e não tem outros projetos na nossa comunidade que possam nos assistir. Hoje entendo muitas coisas que não entendia e me sinto segura, porque sei que, quando tenho alguma dúvida, encontro apoio aqui”, relata.

Para Nicole Andressa, que atua com confeitaria, os conteúdos também vêm contribuindo diretamente para o negócio. “O Marsúpio tem me ajudado bastante, tem me incentivado e motivado a impulsionar o meu negócio. Na Recomposição de Aprendizagens, aprendemos como lidar com o cliente, como nos direcionar ao fornecedor e como passar credibilidade”, afirma.

Sustentabilidade aplicada aos negócios

Durante a palestra, Álvaro Meirelles relacionou sustentabilidade e identidade cultural às possibilidades de valorização dos produtos locais. Entre os exemplos discutidos esteve o de uma participante que produz temperos utilizando cascas vegetais que seriam descartadas e energia solar no processo de desidratação.

“Ela já pratica sustentabilidade no processo produtivo, utilizando como matéria-prima algo que seria resíduo. Existe um potencial imenso e agora é preciso pensar em segurança alimentar, embalagem, posicionamento e marca, mas, principalmente, agregar a identidade que já existe como essência nesse processo produtivo”, explica Álvaro Meirelles.

A diretora executiva da Fundação Paulo Cavalcanti, Cris Santos, acompanhou as atividades. “É muito gratificante para nós ver essas mulheres sendo acolhidas, recebendo capacitação e ampliando seus horizontes nessa jornada do empreendedorismo. É sempre maravilhoso estar aqui e acompanhar a evolução de cada uma delas”, destaca.

Para Paulo Cavalcanti, presidente da Fundação, o desenvolvimento da turma traduz os princípios que orientam o projeto. “O Marsúpio é uma demonstração de que juntos podemos transformar. Quando uma pessoa acredita no seu potencial, amplia seus conhecimentos e transforma uma habilidade em oportunidade de trabalho e renda, passa também a contribuir para transformar o seu entorno. Isso é consciência cidadã participativa transformadora. É autoestima cidadã produtiva”, afirma.

Também presente ao encontro, a advogada Marília Miranda destacou a dimensão coletiva da iniciativa. “Quando um grupo de mulheres se une e segura umas nas mãos das outras, isso se torna um movimento. E o Projeto Marsúpio é isso. É mais do que um projeto, é um movimento.”

Com a continuidade das atividades no Subúrbio Ferroviário, o Marsúpio avança aproximando formação, sustentabilidade e identidade cultural da realidade dos pequenos negócios, fortalecendo conhecimentos, vínculos e potencialidades já existentes no território.