Policiais praticam ações violentas contras homossexuais no Farol da Barra
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O Grupo Gay da Bahia (GGB) recebeu na noite de uma denúncia da ação violenta e homofobica praticada por policiais militares, lotados no 11 Companhia de Policia da Barra, sob o comando do Tenente Coronel Marconi do Nascimento, responsável pelo policiamento do bairro. Na denuncia os policias abordam de forma brutal a homossexuais que vão namorar atrás do Farol da Barra. Eles são humilhados, violados e fichados na Delegacia Civil do Bairro, ainda acabam ouvindo sermões homofobicos e palavras de baixo calão proferidas pelos policiais sob o comando do Tenente Marconi do Nascimento.

O GGB na tarde de hoje enviou carta ao Comando Geral da Policia Militar da Bahia e para o diretor do Departamento de Policiamento da Capital (DEPOM) da Policia Civil solicitando que seja imediatamente apurada essa denúncia. Segundo informação de um homossexual que já presenciou horrorizado uma das abordagens dos policiais sob o comando do tenente coronel Marconi do Nascimento tem causado além do constrangimento da abordagem, situações de agressão, lanterna nos olhos das pessoas, tapas na cara, empurrões e condução das pessoas a Delegacia Civil da Barra para enquadramento. “Ele deveria centrar a sua energia nas rondas noturnas na Barra, que ficar reprimindo gays que vão namorar nas paredes e nas pedras ao fundo do Farol, lugar lindo e aprazível para isso também”, disse Marcelo Cerqueira, presidente do GGB.

Não é de hoje que gays buscam lugares ao ar livre e pouco visíveis para essa finalidade o Farol da Barra é um território que registra essa freqüência a mais de cinqüenta anos. O professor Ricardo Liper da Universidade Federal da Bahia (UFBA), autor da tese de mestrado O Desperdício do Sêmen pela mesma Universidade acredita que a procura por locais ao ar livre para possíveis caricias homoerotcas é parte da repressão a uma forma de sexualidade perseguida. “É a repressão que faz com que as pessoas procurem locais pouco visíveis para exercerem a sua sexualidade”, acredita o professor.

O professor ainda faz referencia a outros espaços no mundo destinado a essa finalidade de carinho, namoro e paquera em nações democráticas de fato. “Em uma saciedade que pretende ser democrática os poderes públicos deveriam criar locais públicos como parques e praças onde a policia daria proteção em invés de espancar e torturar”, continua o professor “Não é nenhum absurdo que em nações mais civilizadas do mundo e realmente democráticos, coisa que não somos ainda, como a Dinamarca, Holanda criarem praças apropriadas para isso com a segurança da policia pública protegendo e não espancando”, conclui. O presidente do GGB Marcelo Cerqueira acha louvável a opinião do professor e acrescenta ainda. “Isso deve ser entendido como um direito que as pessoas têm de obter prazer sexual, independente da opinião de qualquer um policial com vocação sádica que busca gays como bodes expiatórios para exercer essa patologia”.

O GGB solicita a todas as pessoas que foram vitimas desse tipo de agressão enquanto namoravam atrás do Farol da Barra que procurem a entidade ou a própria Policia Militar e façam a denúncia. O Farol da Barra é um lugar pitoresco, agradável e esse namoro por homossexuais não constituem nenhum delito ao atentado ao pudor.

A entidade acredita que por ser um local pouco visível e distante da circulação de pessoas deveria ter atenção especial da Policia para que essas pessoas que vão trocar caricias, mesmo algumas mais picantes não sejam assaltadas por marginais que podem aproveitar o enlaçamento dos casais para praticar assaltos e atos de violência.

Violência em abordagem praticada por policiais militares a homossexuais no Farol da Barra.

Cumprimentando-o respeitosamente, vimos solicitar a Vossa Senhoria providências enérgicas contra praticas de abordagens abusivas promovidas pelo Tenente Coronel Marconi da 11º Companhia de Policia Militar da Barra.

O Grupo Gay da Bahia (GGB) recebeu denuncia que desde dezembro esse oficial e seus comandados vem aterrorizando homossexuais que circulam e promovem encontros de paquera atrás do Farol da Barra. Denuncias de empurrões, chicotadas com cabo de aço, lanterna forte no rosto das pessoas, agressões físicas como tapas no rosto e finalmente enquadramento na Delegacia desses homossexuais como marginais.

Como se tudo isso não bastasse, ele ainda promover sermões constrangedores alusivos a orientação sexual das vitimas, tipo “sua mãe te pariu para você dar pra isso!” “isso” na linguagem deste policial é ser homossexual, ou “viado” como costuma insultar os gays. Gostaria de lembrar a esse oficial prepotente que a “paquera gay” no Farol da Barra remonta mesmo antes dele ter nascido e não é papel da Policia Militar ou qualquer outra corporação reprimir esse tipo de pratica na cidade, ao contrario deve proteger essas pessoas de possível violência, não promover a violência como tem sido denunciado pelos homossexuais que freqüentam o local à noite para paquera.

A homofobia desse policial é descabida, porque é papel das policias conviver com todas as realidades sociais, garantindo a sua proteção.

A fé ou as crenças ideológicas desses prepostos públicos não devem influenciar no seu trabalho e é isso que tem acontecido na Barra com participação do Tenente Coronel Marconi e sua equipe. A paquera, seja de gays ou heterossexuais, não constitui crime algum, portanto não deve ser motivo de repressão violenta e agressiva, típicamanifestação de homofobia. Recebemos relatos de que essa abordagem violenta só vitima os homossexuais, que para nós constituí como tratamento homofóbico, idiosincrasia desse preposto oficial público, e que ao abordar casais heterossexuais na mesma situação, promove a homofobia, dizendo que ali é uma área de presença de “viados, marginais e traficantes.” Este mesmo instiga que essas pessoas saiam da localidade.

Quando abordados, os homossexuais são levados para a delegacia, onde são fichados, além de praticar violência, agressão física e constrangimento moral. Deste modo, solicitamos providências enérgicas contra essas praticas horríveis que destoam do comportamento da Policia Militar de hoje. Isso era coisa do tempo da ditadura e não aceitamos essa herança maldita.

Queremos uma policia parceira de todos nós na defesa de todos os membros de toda sociedade.

Não iremos tolerar esse tipo de postura vinda de alguém que deveria garantir a integridade e a segurança. Pedimos providências enérgicas, ao contrario iremos fazer uma grande e estrondosa manifestação com imprensa e muito beijo na boca na porta do Comando da 11ª Companhia de Policia Militar, caso isso não seja apurado imediatamente. Não é esse tipo de relação que queremos ter e nem desenvolver com a Policia Militar, mas as circunstâncias nos obrigam a radicalizar, tudo dentro da lei.

Repressão descabida contra demonstração de afeto ou mesmo paquera gay, abordagem homofóbica, reconceituosa e racista, nunca mais! Hoje não é mais possível esse tipo de abordagem, porque cada vez as pessoas estão mais informadas dos seus direitos civis e todos sabem que ser gay, lésbica ou travesti não constitui nenhum delito, ao contrário, a Lei Orgânica de Salvador pune a prática da homofobia. O Estatuto das Festas Populares aprovado em dezembro de 2009 no seu artigo 41 é claro ao estimular que as pessoas denunciem a homofobia como crime.

Possivelmente o Tenente Coronel Marconi esteja deslocado, ou talvez ele precise passar por algumas sessões de psicoterapia para aprender a conviver com homossexuais. Talvez Freud possa auxiliar e diagnosticar tal perseguição. Aproveitamos para dar nossos parabéns a Vossa Excelência pela atuação da Corporação durante o Carnaval de Salvador 2010. Eu, pessoalmente vi bons exemplos de homens e mulheres policiais no uso dessa farda mágica.

Cordialmente, paz! Marcelo Cerqueira Grupo Gay da Bahia (GGB)
Fonte:GGB




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