No Mês do Orgulho, Museu da Diversidade Sexual apresenta agenda de junho com festas, encontros literários e memória viva nas ruas
O Museu da Diversidade Sexual (MDS), instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas, dedica sua programação de junho, o Mês do Orgulho, à ocupação festiva e política, celebrando o direito de existir e amar, além de valorizar as memórias e expressões artísticas da comunidade.
Ao longo do mês, o público poderá mergulhar em uma agenda diversificada. Entre os destaques estão o encontro do Clube do Livro sobre a obra Rainhas da Noite do jornalista Chico Felitti com a presença do autor, sessões do Cineclube Internacional com os documentários The Queen of Ireland e How to Tell a Secret, além de potentes rodas de conversa sobre saúde mental, cultura e memória LGBTQIA+.
Além das atividades da programação especial, o Museu segue com suas exposições em cartaz. A mostra de longa duração Pajubá: A Hora e a Vez do Close, que celebra a potência e a resistência da linguagem e da cultura LGBTQIA+, e a exposição Todos os Rios: Identidades LGBTQIA+, em cartaz até 2 de agosto de 2026, que amplia o olhar sobre as múltiplas vivências e narrativas da comunidade, reunindo obras do acervo da Pinacoteca de São Paulo e propondo um percurso pela presença LGBTQIA+ na história da arte brasileira.
Confira abaixo a programação completa de junho:
Ativação Artística – República da Diversidade – AVA JAM com o coletivo Vogue4life
Como parte das ações do Mês do Orgulho, o Museu da Diversidade Sexual promove uma série de ativações artísticas na estação República do Metrô. Em parceria com o coletivo Vogue4Life, a programação convida o público a vivenciar uma experiência imersiva inspirada na cena ballroom.
A ação celebra a potência da cultura underground e a expressividade dos corpos queer que ocupam e transformam a metrópole paulistana. Por meio da dança, da performance e da ocupação do espaço público, a atividade destaca a ballroom como espaço de criação, pertencimento e resistência da comunidade LGBTQIA+.
Data: 26 de junho
Horário: 18h30 às 20h
Local: Estação Metrô República
Inscrições gratuitas no link.
Livre para todos os públicos
Curso – Captação de Recursos e Desenho de Projetos
O curso “Captação de Recursos e Desenho de Projetos” terá carga horária total de 16 horas, e tem como objetivo fortalecer grupos informais, coletivos e organizações LGBTQIA+ no desenvolvimento de projetos transformadores e na ampliação de estratégias de captação de recursos.
A atividade propõe o alinhamento entre práticas de gestão, atuação nos territórios e defesa de direitos, oferecendo ferramentas para que as pessoas participantes desenvolvam projetos completos, apresentem pitches e saiam do curso com um plano concreto de submissão e mobilização de parceiros.
Ao longo dos encontros, serão compartilhadas metodologias e estratégias voltadas ao mapeamento e acesso a fontes de financiamento específicas para iniciativas LGBTQIA+ e transversais. O conteúdo também abordará a elaboração de projetos com resumo executivo, definição de objetivos SMART, justificativas baseadas em evidências e vivências, metodologia, cronograma, metas, indicadores, orçamento e composição de equipe.
A formação incluirá ainda discussões sobre teoria da mudança, construção de quadros lógicos e gestão de riscos, além do desenvolvimento de técnicas para produção e apresentação de pitches de até três minutos, com foco em clareza de propósito, estratégia e viabilidade. Como etapa final, as pessoas participantes serão incentivadas a construir um calendário de submissões e um plano de captação de 90 dias, incluindo estratégias de relacionamento com financiadores e comunicação institucional.
Data: 27 de junho e 04 de julho
Horário: 14h às 18h
Local: Centro de Empreendedorismo e Pesquisa (Av. São Luis, 120)
Inscrições gratuitas no link.
A partir de 16 anos.
Curso – Educação para a Diversidade: diálogos possíveis com a escola
O percurso formativo propõe uma reflexão sobre os fundamentos legais e pedagógicos que assegurem os direitos de estudantes e servidores LGBTQIA+ no ambiente escolar, além de discutir práticas educacionais que podem tanto reforçar processos de exclusão quanto promover inclusão e pertencimento.
A formação parte da compreensão da escola como espaço de formação humana, social e cidadã, destacando a importância do acolhimento e do respeito à diversidade sexual e de gênero dentro das instituições de ensino.
Diante dos altos índices de sofrimento psíquico e evasão escolar enfrentados por estudantes LGBTQIA+, o curso busca contribuir para que educadores ampliem seus conhecimentos sobre os marcos legais existentes e compreendam as implicações pedagógicas do descumprimento de políticas e orientações relacionadas aos direitos da população LGBTQIA+.
Com abordagem teórico-prática, Reinaldo Ortiz conduzirá os encontros a partir de discussões sobre legislação, documentação escolar como garantia de direitos e práticas artísticas e pedagógicas capazes de promover a diversidade no currículo e no cotidiano escolar.
Data: 27 de junho
Horário: 09h às 12h
Local: Centro de Empreendedorismo e Pesquisa (Av. São Luís, 120)
Inscrições gratuitas no link.
A partir de 16 anos.
Programação Cultural – Cortejo Siga Bem Caminhoneira
O dia 28 de junho, data em que se celebra mundialmente o Orgulho LGBTQIA+, será marcado por uma programação especial dedicada à ocupação festiva e política das ruas. Em celebração ao direito de existir e amar com orgulho, será realizado um cortejo de bateria conduzido pelo bloco de carnaval Siga Bem Caminhoneira.
Com quase dez anos de atuação, o bloco “Siga Bem Caminhoneira” é composto por pessoas LBT+ e tem como foco a promoção do pertencimento, a formação musical e a ocupação dos espaços urbanos por corpos diversos. Reconhecido por sua atuação em datas fora do calendário oficial do carnaval, o grupo mobiliza, em média, cerca de 200 pessoas em seus cortejos.
A apresentação será conduzida por uma bateria que guiará o público em ritmos de samba, axé e funk soul, transformando o espaço urbano em um ambiente de celebração e convivência coletiva. A ação também rememora a Revolta de Stonewall, ressignificando a ocupação das ruas como gesto político e celebrativo, na compreensão de que “fervo também é luta”.
O cortejo terá início na Rua Vieira de Carvalho, seguirá em direção à Praça da República e encerrará seu percurso no Museu da Diversidade Sexual, reafirmando a potência da cultura LGBTQIA+ na ocupação simbólica e concreta da cidade.
Data: 28 de junho
Horário: 15h às 16h
Local: Praça da República
Inscrições gratuitas no link.
Livre para todos os públicos
Oficina – Modelo Vivo: Corpos em Desvio
A oficina busca estimular a expressão artística e a construção de uma poética visual a partir da prática do desenho de modelo vivo.
As sessões partem da composição de poses com corpos e objetos deslocados de suas atribuições e expectativas, propondo a investigação do corpo como campo de experimentação, fricção e fabulação. A atividade conta com a participação de pessoas LGBTQIAPN+ atuando como modelos vivos, tensionando normas e regimes de leitura do corpo e criando composições por vezes instáveis, assimétricas e absurdas, a serem registradas por meio dos materiais e das linguagens próprias de cada participante.
Nesse contexto, o desenho surge como vestígio de encontros em que corpo, objeto e tempo operam em constante negociação, abrindo espaço para outras formas de percepção e criação artística.
Data: 24 de junho e 01 de julho
Horário: 19h às 21h
Local: Estação Metrô República
Inscrições gratuitas no link.
A partir de 18 anos.
Programação Cultural – Pajubá: patrimônio linguístico brasileiro e LGBTI+
Com quase um século de registros, a linguagem LGBTI+ brasileira constitui uma importante ferramenta de proteção e comunicação criada para cifrar conversas da comunidade. Ao longo do tempo, essa forma de expressão foi se reinventando e se consolidando como um documento cultural fundamental para a compreensão do Brasil a partir de um prisma da dissidência sexual e de gênero.
Sua estrutura sintática é baseada no próprio português, mas seu vocabulário incorpora, majoritariamente, termos oriundos de línguas de terreiro, como o iorubá e o banto, além de contribuições do francês, italiano, espanhol e inglês. Nos últimos vinte anos, essa linguagem tem ganhado maior visibilidade por meio de produções artísticas e culturais, marcando presença na literatura, na música, no teatro e no audiovisual.
A aula proposta revisita momentos-chave dessa trajetória e propõe reflexões sobre caminhos possíveis para o reconhecimento do pajubá como patrimônio linguístico não apenas da população LGBTI+, mas também da cultura brasileira em sua diversidade.
Data: 25 de junho
Horário: 19h às 21h
Local: Centro de Empreendedorismo e Pesquisa (Av. São Luis, 120)
Inscrições na plataforma da sp cult.
Livre para todos os públicos
Visita Mediada – Do MDS à Pina – mediação itinerante
A Pinacoteca de São Paulo e o Museu da Diversidade Sexual promovem uma visita integrada com o tema das identidades LGBTQIA+. A atividade será realizada um dia antes do Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+, fortalecendo o diálogo entre duas instituições que, por meio de suas exposições, buscam ampliar narrativas e contar novas histórias da arte e da cultura.
O encontro terá início no Museu da Diversidade Sexual e será encerrado na Pinacoteca de São Paulo. A proposta inclui um percurso mediado entre os dois espaços, realizado por meio do metrô, conectando os museus como parte da experiência expositiva.
O deslocamento será feito pela Linha 4 – Amarela do São Paulo Metro, com custos de transporte custeados pelas instituições envolvidas.
A iniciativa reforça a parceria entre a Pinacoteca de São Paulo e o Museu da Diversidade Sexual, propondo uma experiência expandida de visitação que articula cidade, mobilidade e representações LGBTQIA+ em diálogo entre diferentes acervos e perspectivas curatoriais.
Data: 27 de junho
Horário: 14h às 17h
Local: Museu da Diversidade Sexual
Inscrições gratuitas no link.
Livre para todos os públicos
Sobre o Museu da Diversidade Sexual
O Museu da Diversidade Sexual de São Paulo, é uma instituição da Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas, destinada à memória, arte, cultura, acolhimento, valorização da vida, agenciamento e desenvolvimento de pesquisas envolvendo a comunidade LGBTQIA+ – contemplando a diversidade de siglas que constroem hoje o MDS – e seu reconhecimento pela sociedade brasileira. Trata-se de um museu que nasce e vive a partir do diálogo com movimentos sociais LGBTQIA+, se propõe a discutir a diversidade sexual e de gênero e tem, em sua trajetória, a luta pela dignidade humana e promoção por direitos, atuando como um aparelho cultural para fins de transformação social.