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Museu Carlos e Margarida Costa Pinto lança campanha que reafirma sua identidade como Museu de Artes Decorativas da Bahia

Genilson Coutinho,
21/10/2026 | 12h10
Foto: Genilson Coutinho

O Museu Carlos e Margarida Costa Pinto (MCMCP) lança campanha que reafirma sua trajetória e identidade como Museu de Artes Decorativas da Bahia. Localizada no Corredor da Vitória, em Salvador, a instituição reúne 3.176 peças que ajudam a compreender aspectos da vida e dos costumes da sociedade entre os séculos XVII e XX. O acervo inclui mobiliário, prataria, porcelanas, cristais, pinturas, esculturas e joias, entre outros objetos.

A história do museu começa com uma história de amor, unida pela paixão pela arte e pelo colecionismo. Casados desde 1913, Carlos de Aguiar Costa Pinto e Margarida Ballalai de Carvalho Costa Pinto compartilhavam o interesse por objetos artísticos e decorativos. Ao longo de mais de duas décadas, Carlos reuniu uma coleção expressiva com o desejo de transformá-la em um museu, projeto que não chegou a concretizar em vida.

Após a morte do marido, em 1946, Margarida assumiu a tarefa de transformar esse sonho em realidade. Dedicou-se à preservação do acervo, mobilizou pessoas em torno do projeto e, em 1968, criou a fundação que tornou possível a abertura da instituição. Para viabilizá-la, doou a coleção, o terreno e a casa onde o museu funciona até hoje. Inaugurado em 5 de novembro de 1969, o espaço deu continuidade ao projeto do casal e transformou uma coleção particular em patrimônio aberto ao público.

A trajetória do legado

Foto: Genilson Coutinho

O reconhecimento do papel de Margarida começou a ganhar expressão também no nome da instituição, em 2024, quando ela passou a integrar a denominação oficial. A campanha reafirma a identidade histórica da instituição como museu de artes decorativas e valoriza uma atuação que vai além da conservação e exibição das peças. A proposta é ampliar as possibilidades de pesquisa, interpretação e difusão desse patrimônio, aproximando o acervo de diferentes públicos.

“Queremos que o Museu seja reconhecido não apenas como o lugar de uma importante coleção histórica e artística, mas como uma instituição viva, dedicada ao estudo, à preservação, à pesquisa, à interpretação e à difusão das artes decorativas. Um museu que, a partir da Bahia, investiga também suas conexões com Europa, África, Ásia e outros territórios envolvidos nas rotas comerciais e culturais que ajudaram a formar nossa cultura material”, afirma Bárbara Santos, museóloga e diretora executiva da instituição.

Essa perspectiva também se reflete na leitura do acervo. Entre os destaques estão as 923 peças de prataria e um conjunto de 157 joias historicamente conhecidas como “joias de crioulas”, renomeadas por pesquisa pelo Museu como Joias de Liberdade, o maior conjunto em Museus no mundo. Produzidos em ouro e prata, esses adornos ajudam a compreender experiências de mulheres negras livres e libertas na Bahia dos séculos XVIII e XIX, incluindo formas de afirmação social, identidade e liberdade. A coleção reúne ainda porcelanas chinesas, cristais europeus e mobiliário brasileiro, peças que revelam a circulação de objetos, técnicas e referências culturais entre diferentes territórios.

Acervo que conta histórias

Foto: Genilson Coutinho

As artes decorativas abrangem objetos em que função, técnica, materiais e estética se encontram. Para além de seu valor artístico, peças como uma joia, uma cadeira ou uma porcelana podem revelar hábitos cotidianos, formas de trabalho, relações comerciais, crenças e distinções sociais de diferentes épocas. Ao reunir objetos de origens e usos diversos, o museu oferece caminhos para investigar essas histórias e compreender as conexões que marcaram a formação cultural da Bahia.

O Museu Carlos e Margarida Costa Pinto é mantido com o apoio do Fundo de Cultura do Estado da Bahia. Localizada em Salvador, cidade que durante séculos ocupou posição central nas relações políticas, econômicas, religiosas e culturais do mundo atlântico português, a instituição pretende ampliar o diálogo com pesquisadores, universidades, artistas, designers, escolas e comunidades. Entre as frentes previstas estão novas exposições, ações educativas, iniciativas de acessibilidade, publicações e atividades de pesquisa, com o objetivo de tornar o conhecimento sobre as artes decorativas mais acessível.

Foto: Genilson Coutinho

Esse momento dá continuidade ao trabalho iniciado por Carlos e concretizado por Margarida, mantendo viva a história do casal enquanto abre espaço para novas perguntas sobre as peças e as pessoas por trás delas. A proposta é convidar o público a olhar para o acervo não apenas pela beleza dos objetos, mas também pelas histórias de produção, circulação, uso e preservação que eles guardam.

Para Bárbara, preservar esse legado é também permitir que ele continue fazendo sentido no presente. “O gesto iniciado por Carlos e concretizado por Margarida continua em movimento. Preservar o legado deles não significa congelá-lo no passado. Significa mantê-lo vivo, fazer com que continue produzindo conhecimento, encontros e novas histórias — e convidar Salvador e seus visitantes a redescobrir o Museu a partir desse novo olhar”, conclui