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Manifesto de Turismo LGBT+ do Brasil é lançado como marco estratégico para o desenvolvimento do setor

Genilson Coutinho,
06/04/2026 | 13h04

Ricardo Gomes, Presidente da Câmara de comércio e Turismo LGBT do Brasil.
Clovis Casemiro, Gerente de Membership da IGLTA no Brasil
Alex Bernardes, diretor da LGBT+ Turismo Expo

O Brasil dá um passo decisivo rumo ao fortalecimento de um dos segmentos mais dinâmicos do turismo global com o lançamento do Manifesto de Turismo LGBT+ do Brasil, documento que consolida diretrizes, dados e propostas para posicionar o País como destino competitivo, seguro e inclusivo no cenário internacional.

A iniciativa é liderada pela IGLTA, pela Câmara de Comércio de Turismo LGBT+ do Brasil e pela LGBT+ Turismo Expo. O documento também foi construído de forma colaborativa, com a contribuição de profissionais do turismo de diferentes áreas — muitos deles integrantes da comunidade LGBT+. O conteúdo ficou aberto para sugestões até o dia 23 de março, período em que foram recebidas diversas propostas, ideias e iniciativas. Após esse processo, as contribuições foram compiladas e incorporadas à versão final do manifesto, garantindo representatividade e alinhamento com as demandas reais do mercado.

O manifesto apresenta uma análise estruturada do turismo LGBT+ no Brasil, resgatando sua evolução histórica — desde os primeiros movimentos de organização do setor nos anos 1990 até sua consolidação recente como um dos principais ecossistemas de negócios do turismo nacional.

Além do resgate histórico, o texto reforça a relevância econômica do segmento, que, segundo dados da UN Tourism, representa entre 5% e 10% do mercado turístico global, movimentando mais de US$ 211 bilhões por ano. O manifesto destaca ainda características estratégicas desse público, como alta frequência de viagens, resiliência em períodos de crise e capacidade de reduzir a sazonalidade nos destinos.

“Este manifesto posiciona o turismo LGBT+ como uma agenda estratégica para o Brasil. Estamos falando de um mercado altamente qualificado, que exige profissionalização, dados e políticas específicas para que o país possa competir globalmente”, afirma Alex Bernardes, diretor da LGBT+ Turismo Expo.

Para Ricardo Gomes, presidente da Câmara de Comércio de Turismo LGBT+ do Brasil, o documento reforça o papel do setor privado na construção de um mercado mais estruturado. “O turismo LGBT+ no Brasil já é uma realidade consolidada, mas ainda há um grande espaço para evolução. Este manifesto é um chamado para que empresas e destinos deixem de atuar de forma pontual e passem a investir de maneira estratégica, com visão de longo prazo”, destaca.

O documento também chama atenção para a necessidade de combater práticas superficiais no mercado, como o chamado rainbow washing, e reforça a importância de ações estruturadas, incluindo capacitação do trade, criação de políticas públicas direcionadas e desenvolvimento de experiências alinhadas às demandas desse público.

Para Clovis Casemiro, coordenador da IGLTA no Brasil, o manifesto representa um alinhamento do país às tendências internacionais. “O turismo LGBT+ já é uma realidade consolidada no mundo. O Brasil tem atributos únicos para se destacar, mas precisa transformar potencial em estratégia, com planejamento, capacitação e diálogo entre setor público e privado”, destaca.

Entre as principais recomendações do manifesto estão a institucionalização da diversidade como pilar de competitividade, o investimento em formação profissional, a produção de dados estruturados sobre o comportamento do turista LGBT+ e o desenvolvimento de novos produtos turísticos, como destinos de natureza, eventos esportivos e celebrações.

Com uma abordagem que integra inclusão e desenvolvimento econômico, o manifesto reforça que o turismo LGBT+ vai além de uma pauta social, posicionando-se como vetor de crescimento, inovação e geração de negócios para o Brasil.

MANIFESTO DO TURISMO LGBT+ NO BRASIL

Este Manifesto nasce da análise do mercado nacional entre IGLTA, Câmara de Comércio de Turismo LGBT+ do Brasi (Câmara LGBT) e LGBT+ Turismo Expo que juntas entenderam que é urgente a necessidade de lançar luz sobre a potência do Turismo LGBT+ no Brasil. Mais do que um segmento, trata-se de um ecossistema econômico de alta performance que atravessa todas as verticais da indústria: do MICE ao viajante independente; do turismo de negócios ao lazer, da cultura à gastronomia, da história à natureza.

Reconhecer o Turismo LGBT+ é compreender que diversidade também é estratégia de desenvolvimento. É posicionar o Brasil de forma competitiva em um mercado global que valoriza destinos seguros, inclusivos e preparados.

O fortalecimento do Turismo LGBT+ no Brasil exige que o setor supere a hospitalidade instintiva e invista em profissionalização e capacitação contínua. Ao transformar a sensibilização sobre diversidade em uma estratégia de mercado, os destinos garantem um ambiente seguro e inclusivo, consolidando o segmento como um motor de desenvolvimento econômico e elevando a competitividade do país no cenário internacional.

I. Origem e Legitimidade:
O Turismo LGBT+ no Brasil não nasceu de uma tendência passageira. Ele é fruto do trabalho pioneiro de profissionais que, desde os anos 1990, compreenderam que visibilidade, segurança e respeito são ativos econômicos indispensáveis.

Em 1997, foram realizados encontros no Rio de Janeiro e em São Paulo que marcaram o início da organização do setor. Em 1998, o Brasil sediou, no Rio de Janeiro, o primeiro simpósio da IGLTA na América do Sul. Esses movimentos estruturaram um mercado que passou a gerar negócios, ocupação e reputação internacional para os destinos brasileiros.

Em 2004 nasce a Associação Brasileira de Turismo GLS – ABRAT. A entidade teve papel fundamental na organização do setor, na promoção internacional do país como destino inclusivo e na articulação entre iniciativa privada, poder público e trade turístico. A partir dessa base, surgiu a Câmara de Comércio e Turismo LGBT do Brasil, hoje reconhecida como uma das mais importantes do mundo no segmento, ampliando o alcance institucional, a produção de conhecimento e a capacitação do setor.

O fortalecimento da comunicação com o público final também teve um marco importante em 2008, com o lançamento da Revista ViaG, a primeira publicação brasileira dedicada exclusivamente ao turismo LGBT+. Em 2010, o Festuris Gramado criou o primeiro espaço dedicado ao Turismo LGBT+ no Brasil, reunindo quatro expositores. A iniciativa marcou o reconhecimento do segmento dentro do “trade” tradicional e ampliou sua visibilidade comercial, hoje com uma área atraindo mais de 30 expositores.

Em 2012, o Brasil sediou, em Florianópolis, a primeira Convenção Global da IGLTA realizada na América do Sul. O evento posicionou o país de forma definitiva no mapa global do segmento. Em 2016, foi realizada a primeira edição da Conferência Internacional da Câmara LGBT. O evento conta com um dia dedicado exclusivamente ao Turismo LGBT+ e reúne centenas de profissionais para debater tendências, desafios e oportunidades do setor.

Mais recentemente, em 2022, foi criada a LGBT+ Turismo Expo, hoje um dos mais importantes eventos B2B de Turismo LGBT+ da América Latina. Em sua quinta edição, a feira reúne dezenas de expositores nacionais e internacionais e recebe milhares de profissionais do turismo a cada ano, consolidando-se como uma plataforma estratégica de negócios, networking e posicionamento de mercado.

O que construímos não foi ocasional. Foi estratégia, consistência e visão de futuro.

II. Fortalecimento do Turismo LGBT+
A consolidação do segmento LGBT+ no turismo transcende a responsabilidade social, posicionando-se como um pilar estratégico de competitividade. O sucesso deste nicho está fundamentado em três eixos principais:
• Segurança e Pertencimento: A garantia de ambientes acolhedores é o pré-requisito para a circulação de viajantes, transformando a visibilidade em confiança de consumo.
• Vantagem Competitiva: Destinos que adotam posturas inclusivas ganham relevância no cenário internacional e atraem um público com alto potencial de fidelização.
• Geração de Valor: A institucionalização de políticas de diversidade e a capacitação técnica dos profissionais convertem a hospitalidade inclusiva em ativos de valor econômico e capital cultural.

III. Inovação e Comportamento de Consumo
O Turista LGBT+ é, historicamente, um antecipador de tendências. Sua relevância é potencializada pelo seu papel histórico como early adopter, antecipando tendências que o mercado de massa consome apenas em estágios posteriores. Esse segmento não apenas valida novos destinos e serviços com agilidade, mas utiliza o avanço tecnológico como ferramenta central de navegação e segurança.
A convergência entre conectividade digital e o uso de dados permite que essa comunidade utilize plataformas especializadas e redes geolocalizadas para mapear “zonas seguras” e experiências personalizadas em tempo real. Para o setor, isso significa que investir em soluções tecnológicas inclusivas não é apenas uma melhoria operacional, mas uma estratégia de inteligência de mercado que reduz o custo de aquisição (CAC) e posiciona o destino na vanguarda da transformação digital do turismo global.

IV. Força de um Mercado Multifacetado
O Turista LGBT+ tem um dos perfis mais resilientes e qualificados do mercado global. Ele viaja mais vezes ao ano, permanece mais tempo nos destinos e possui um ticket médio elevado. Seja participando de grandes congressos profissionais, explorando roteiros gastronômicos ou prestigiando eventos festivos e esportivos, esse viajante retorna e recomenda os locais onde se sente acolhido e seguro.

Esse comportamento se expressa em múltiplas vertentes do turismo. No Brasil, destinos de natureza e aventura vêm ganhando destaque junto a esse público, com exemplos como Bonito, Foz do Iguaçu, Fernando de Noronha e o Pantanal Sul-Mato-Grossense, que atraem viajantes em busca de experiências autênticas, contato com a natureza e bem-estar. Esse movimento reforça que o Turismo LGBT+ não está restrito aos centros urbanos, expandindo seu impacto para regiões de alto valor ambiental e econômico.

No turismo esportivo, eventos voltados à comunidade LGBT+ vêm crescendo globalmente, reunindo milhares de participantes e movimentando cadeias produtivas inteiras. Da mesma forma, o turismo de grandes eventos tem papel central nesse ecossistema. Paradas do orgulho LGBT+ ao redor do mundo geram impacto econômico expressivo — a Parada do Orgulho LGBT de São Paulo, por exemplo, está entre as maiores do mundo e movimenta centenas de milhões de reais a cada edição, atraindo turistas nacionais e internacionais e impulsionando setores como hotelaria, gastronomia, transporte e entretenimento.

Outro segmento em expansão é o turismo de celebração, incluindo luas de mel e casamentos LGBT+. Destinos internacionais já se posicionam fortemente como “wedding destinations” inclusivos, reconhecendo o alto valor agregado desse público, que busca experiências personalizadas e serviços de alto padrão. Globalmente, esse mercado movimenta bilhões de dólares e representa uma oportunidade estratégica ainda subexplorada no Brasil.

O avanço dos direitos civis também impulsionou uma nova dinâmica no turismo: o crescimento das famílias LGBT+. Esse movimento consolida um novo perfil de viajante: famílias que demandam infraestrutura adequada, segurança, acolhimento e experiências inclusivas para diferentes configurações familiares. Trata-se de um público com alto potencial de fidelização e consumo recorrente ao longo do tempo.

Ainda assim, o Brasil carece de dados estruturados que permitam compreender com profundidade o comportamento dessas famílias no turismo. Não há, hoje, informações consolidadas sobre como viajam, quais destinos priorizam, que tipo de experiências buscam ou quais são suas principais demandas em termos de hospitalidade e serviços. Essa ausência de inteligência de mercado limita a capacidade de desenvolvimento de produtos, a definição de estratégias comerciais e a formulação de políticas públicas eficazes.

Essa complexidade — que envolve diferentes perfis, motivações e experiências — exige mais do que boa vontade: exige preparo. A força desse mercado também depende diretamente da qualidade da experiência oferecida nos destinos. Um atendimento verdadeiramente acolhedor não ocorre de forma espontânea, mas é resultado de formação, conhecimento e preparação adequada dos profissionais que compõem o trade turístico. Apesar do crescimento do Turismo LGBT+ no Brasil, ainda existem lacunas importantes na formação profissional da área, com pouca presença de conteúdos relacionados à diversidade sexual e de gênero nos cursos técnicos e superiores.

Investir na capacitação contínua do setor significa transformar diversidade em vantagem competitiva, fortalecer a hospitalidade, qualificar a experiência do visitante e posicionar o Brasil de forma mais sólida no cenário global.

Tratar esse movimento apenas como uma causa social é ignorar sua capacidade real de gerar divisas, empregos e desenvolvimento. O Turismo LGBT+ ativa diferentes cadeias econômicas, reduz a sazonalidade e impulsiona destinos com forte potencial de crescimento.
Inclusão sem estratégia não gera desenvolvimento. O Turismo LGBT+ é economia ativa, é competitividade e é valor real para o Brasil.

V. Especificidade contra a Invisibilidade
Celebramos os avanços da valorização da diversidade, mas fazemos um alerta: quando segmentos estratégicos são diluídos em discursos genéricos, mercados consolidados enfraquecem. O Turismo LGBT+ precisa ser reconhecido em sua especificidade. Ele exige dados próprios, políticas públicas direcionadas e investimentos que respeitem suas particularidades. Sem o recorte correto, não há mercado sustentável. Reduzir décadas de trabalho a ações simbólicas é desperdiçar uma vantagem competitiva que o Brasil levou anos para construir.

Reconhecer essa especificidade também implica compreender as demandas reais desse público, incluindo a necessidade de ambientes seguros, acolhedores e livres de discriminação. Mais do que reconhecimento simbólico, isso exige produção de conhecimento, formação profissional e políticas que orientem práticas inclusivas no setor. A construção de destinos verdadeiramente inclusivos depende da articulação entre mercado, políticas públicas e processos educativos capazes de transformar o discurso da diversidade em prática concreta de hospitalidade.

VI. Compromisso e Legado
O Turismo LGBT+ caminha ao lado do Afroturismo, do Turismo de Base Comunitária, do Turismo Acessível e de todos os demais. Juntos, esses nichos fortalecem o setor, mas suas identidades não podem ser apagadas ou deixadas em segundo plano. Compromisso real exige ação concreta: capacitação profunda do trade, protocolos claros de segurança e investimento contínuo que ultrapasse as datas sazonais. Arco-íris sem planejamento não sustentam economias. Valorizar a memória deste segmento é garantir o futuro da nossa hospitalidade.

Ao longo dos anos, o mercado também aprendeu — muitas vezes por tentativa e erro — que ações superficiais não geram resultado. Campanhas pontuais, restritas ao período do orgulho, sem continuidade ou preparo estrutural dos destinos, tendem a não gerar impacto real e, em alguns casos, comprometem a credibilidade das marcas e dos destinos. A chamada “rainbow washing”, quando não acompanhada de práticas consistentes, é rapidamente percebida por um público altamente informado e conectado.

Por outro lado, há exemplos bem-sucedidos que demonstram o potencial desse mercado quando trabalhado de forma estratégica. Destinos como Madrid consolidaram seu posicionamento global por meio de políticas públicas contínuas, promoção internacional estruturada e investimento em segurança e hospitalidade inclusiva. Na América Latina, a INPROTUR, com a campanha “Amor.” (amor e ponto), posicionou a Argentina como um destino acolhedor e diverso, contribuindo para o aumento significativo do fluxo de turistas LGBT+ e fortalecendo a imagem do país no cenário internacional.

No Brasil, iniciativas associadas à Parada do Orgulho LGBT de São Paulo demonstram como planejamento, escala e integração com o trade turístico podem gerar impacto econômico expressivo e visibilidade global. Esses exemplos reforçam uma premissa clara: não basta comunicar diversidade — é preciso estruturá-la como estratégia de longo prazo. O verdadeiro legado do Turismo LGBT+ será construído por aqueles que compreendem que inclusão, quando aliada a planejamento, gera valor econômico, reputação e desenvolvimento sustentável.

VII. Força Econômica (O “Pink Money”)

Com base no “Second Global Report on LGBT Tourism” (Segundo Relatório Global sobre Turismo LGBT) da UN Tourism (anteriormente OMT/UNWTO), publicado em colaboração com a IGLTA (Associação Internacional de Viagens para Gays e Lésbicas), aqui está o resumo solicitado sobre as estatísticas e a força econômica deste segmento:

  1. Percentual de Turistas LGBT
    Embora o relatório destaque a dificuldade de obter dados globais precisos devido à natureza privada da orientação sexual e à falta de censos específicos em muitos países, os dados compilados apontam que:
    • Representatividade: Estima-se que o segmento LGBT representa entre 5% e 10% do mercado turístico mundial.
    • Crescimento: O relatório enfatiza que este é um dos segmentos que mais cresce no mundo, com taxas de expansão anuais superiores à média do turismo de lazer convencional.
    • Frequência de Viagem: Viajantes LGBT tendem a viajar com mais frequência do que a média. Em mercados maduros, observa-se que esse público realiza, em média, de 3 a 4 viagens internacionais por ano.

O impacto financeiro deste segmento é um dos pilares centrais do relatório da UN Tourism:
• Gasto Global: O relatório cita estimativas da Out Now Consulting que colocam o valor do mercado de viagens LGBT global em mais de US$ 211 bilhões em gastos anuais.
• Maior Poder Aquisitivo: O perfil econômico é frequentemente associado ao conceito “DINK” (Double Income, No Kids – Renda Dupla, Sem Filhos), o que resulta em uma renda disponível maior para experiências de luxo, cultura e gastronomia.
• Resiliência: O turismo LGBT demonstrou ser extremamente resiliente a crises econômicas. Mesmo em períodos de recessão, este público tende a manter seus planos de viagem, reduzindo gastos em outras áreas antes de abrir mão de viajar.

VIII. Impacto no Desenvolvimento Destinos
Além dos números brutos, o relatório destaca como a força econômica do turismo LGBT beneficia os destinos:
• Descompressão da Sazonalidade: Turistas LGBT costumam viajar fora da alta temporada, ajudando a manter a economia local estável durante todo o ano.
• Revitalização Urbana: O investimento desse público em áreas urbanas específicas costuma gerar valorização imobiliária e surgimento de novos negócios (cafés, galerias, hotéis boutique).
• Segurança e Tolerância: O relatório defende que destinos que investem em inclusão e direitos humanos atraem não apenas o turista LGBT, mas também outros segmentos que valorizam ambientes diversos e seguros, ampliando ainda mais o retorno econômico.
Em resumo: O relatório da UN Tourism posiciona o turismo LGBT não apenas como um nicho, mas como um motor econômico estratégico (representando até 10% do fluxo global e centenas de bilhões de dólares) que premia destinos que adotam políticas de diversidade e inclusão.

IX. O Chamado à Ação

O desenvolvimento do Turismo LGBT+ no Brasil enfrenta um desafio estrutural na formação dos profissionais do setor, já que ainda há pouca inclusão de conteúdos sobre diversidade sexual e de gênero nos cursos de turismo. A atualização dessas formações e a criação de programas de capacitação voltados ao atendimento inclusivo podem melhorar significativamente a experiência dos viajantes, promovendo práticas como linguagem inclusiva, hospitalidade segura e acolhimento de diferentes configurações familiares.

Investir em educação e qualificação fortalece a competitividade do país e reforça o compromisso com uma hospitalidade baseada no respeito, dignidade e direitos humanos. Esse avanço se torna ainda mais urgente com a ascensão da Geração Z, um público conectado e guiado por valores como autenticidade e diversidade, que busca experiências alinhadas a identidade e pertencimento.

No entanto, o setor ainda carece de dados estruturados sobre o comportamento desses jovens, especialmente dentro da comunidade LGBT+, o que limita estratégias e planejamento. Compreender esse novo perfil é essencial para o futuro do turismo, pois ele moldará as próximas décadas do mercado, tornando indispensável a adaptação a um cenário cada vez mais competitivo e orientado por valores.

Convidamos governos, destinos, empresas e lideranças a reconhecer e posicionar o Turismo LGBT+ como pilar estratégico da economia turística brasileira incrementando a geração de empregos, renda e divisas.
● Visibilidade gera segurança.
● Segurança gera confiança.
● Confiança gera negócios.
O Turismo LGBT+ é desenvolvimento. O Turismo LGBT+ é futuro.

Brasil, 25 de fevereiro de 2026.

Este documento foi proposto e editado pela IGLTA, Câmara de Comércio de Turismo LGBT+ do Brasi e LGBT+ Turismo Expo, com a contribuição da sociedade civil organizada. Estes pares referendam e assinam o documento.