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Mais autonomia, mais proteção: o que você precisa saber sobre o preservativo interno

Genilson Coutinho,
23/02/2026 | 12h02

A prevenção segue como um dos pilares do cuidado com a saúde sexual, especialmente diante do aumento dos casos de infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) no Brasil. Entre as estratégias mais eficazes estão os preservativos, distribuídos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) — incluindo não apenas o modelo externo (peniano), mais conhecido pela população, mas também o preservativo interno, ainda pouco difundido.

Também chamado de preservativo vaginal ou anal, o método funciona como uma barreira de proteção inserida no interior do corpo antes da relação sexual. Ele se adapta ao canal vaginal e protege parte da região externa da genitália, reduzindo o risco de transmissão de ISTs e de gravidez não planejada.

Quando utilizado corretamente, o preservativo interno apresenta eficácia semelhante à do preservativo externo e pode oferecer proteção adicional por cobrir a vulva, área que pode estar exposta ao contato direto durante a relação.

Além da proteção, o método traz vantagens práticas. Pode ser colocado horas antes da relação sexual, evitando interrupções, e não é feito de látex — geralmente é produzido em poliuretano, sendo indicado para pessoas com alergia ao material.

Apesar dos benefícios, mitos e desinformação ainda limitam sua adesão. Não há evidências científicas de que o uso adequado provoque infecções, corrimentos ou alterações no pH vaginal. O preservativo interno também pode ser combinado com outros métodos contraceptivos, como pílulas hormonais ou DIU, garantindo dupla proteção: contra ISTs e contra a gravidez.

Segundo a professora de ginecologia Madalena Oliveira, da Afya Vitória, o método é confortável, seguro e fortalece a autonomia feminina. “Ele amplia o protagonismo da mulher na prevenção, permitindo maior controle sobre as decisões relacionadas à própria saúde sexual”, explica.

A médica respondeu algumas dúvidas sobre o preservativo interno

Protege tanto quanto o preservativo externo?

Sim. Quando utilizado corretamente, apresenta eficácia semelhante e pode oferecer proteção adicional por cobrir parte da região externa da genitália.

Pode ser usado com outro método anticoncepcional?

Sim. Pode ser associado a métodos hormonais ou ao DIU, garantindo dupla proteção.

Pode ser colocado antes da relação sexual?

Sim. Pode ser inserido horas antes do contato sexual, facilitando o uso.

É indicado para quem tem alergia ao látex?

Sim. Geralmente é feito de poliuretano, material adequado para pessoas com sensibilidade ao látex.

Pode causar infecção ou alterar o pH vaginal?

Não. Quando usado corretamente, não provoca infecções nem alterações no pH.

Existe risco de falha?

Como qualquer método contraceptivo, pode falhar principalmente em caso de uso incorreto. Orientação profissional ajuda a garantir eficácia.

Protege contra todas as ISTs?

Reduz significativamente o risco de transmissão de ISTs por contato sexual.

Quem usa DIU pode utilizar?

Sim. Não há contraindicação e o método funciona como proteção adicional contra ISTs.

Da Agência de Notícias da Aids