Jovem denuncia ato de racismo e LGBTfobia cometido por servidor público durante conferência em Lauro de Freitas
Um grave episódio de racismo e LGBTfobia marcou a 4ª Conferência Municipal de Promoção da Igualdade Racial de Lauro de Freitas, realizada no último dia 12 de julho, no Centro Estadual de Educação Profissional em Tecnologia, Informação e Comunicação (CEEPTIC).
Durante os Grupos de Trabalho (GTs), espaço reservado para debates e construção de propostas, um jovem participante foi alvo de agressões verbais e intimidação por parte de Paulo Sérgio, servidor público vinculado à Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres, Ações Afirmativas, Direitos Humanos e Promoção da Igualdade Racial (SEMPADHIR).
Segundo relato de participantes do GT, o servidor teria afirmado de maneira categórica que “não existe LGBT”, negando a existência de identidades diversas e expressando abertamente posicionamentos discriminatórios.
Ao ser confrontado por um jovem que expressou insatisfação com o teor da fala, o servidor reagiu de forma agressiva: levantou-se, apontou o dedo e gritou com o participante em uma tentativa de intimidação que provocou temor no grupo.
Além da atitude hostil, o servidor já vinha, segundo testemunhas, demonstrando práticas de silenciamento direcionadas a outros jovens presentes na sala.
A situação se agravou na plenária final do evento, quando o jovem vítima da agressão denunciou publicamente o ocorrido. Diante da exposição, o servidor novamente tentou constranger o denunciante, chamando-o de mentiroso e, mais uma vez, levantando-se de forma hostil.
O ato foi interpretado como uma tentativa deliberada de silenciamento e deslegitimação, agravado pelo contexto histórico de violências simbólicas e físicas a que estão sujeitos corpos negros, LGBTQIAPN+ e periféricos quando ousam se manifestar em espaços institucionais.
A denúncia pública do jovem, feita de forma corajosa diante de autoridades e da sociedade civil presente, gerou comoção e levou lideranças do movimento negro a iniciar um acompanhamento do caso e do próprio denunciante, com vistas à garantia de sua integridade física e emocional.
O episódio acende um alerta sobre a urgência de combater, de forma estrutural e eficaz, práticas discriminatórias em espaços que deveriam ser, justamente, de promoção da igualdade e da escuta democrática. Também levanta questionamentos sobre a conduta de servidores públicos que, investidos de poder, utilizam suas posições para reproduzir violências e intimidar vozes dissidentes.
A sociedade civil, presente de forma ativa e crítica na Conferência, cobrou providências imediatas e a responsabilização do servidor envolvido. Organizações do movimento negro e LGBTQIAPN+ reforçaram a necessidade de políticas públicas que assegurem a inclusão e a proteção real de todas as identidades, principalmente em espaços de construção coletiva e cidadã.
O Jornal Folha Popular e o Portal Diáspora Negra tentaram contato, para ouvir, Paulo Sérgio, mas até o fechamento dessa matéria não obtiveram resposta. Seguiremos na tentativa de apurar os fatos, assegurando de forma democrática o espaço para que Paulo possa apresentar sua versão.
*As informações são do Portal Diáspora Negra.
