Fiscal da Moralidade do Irã é preso após ser flagrado em vídeo de sexo gay
Reza Tsaghati, conhecido como o fiscal da moralidade e da cultura islâmica, foi afastado do cargo após vazamento de um vídeo no qual aparece fazendo sexo com outro homem. A notícia tem gerado repercussão no mundo inteiro, pois o Irã é conhecido pela intolerância em relação a gays, minorias, opositores, feministas e crianças. Baseado na Lei de Sharia, a homossexualidade é um crime passível de pena de morte pela legislação do Irã.
O vídeo, digno dos mais assistidos em sites pornôs, foi publicado em um canal contrário ao regime do Telegram e acusado de “enfraquecer a honrosa frente cultural da revolução Islâmica”. Reza Tsaghati é chefe de cultura e orientação Islâmica da província de Gilan e inicialmente as autoridades ficaram em silêncio diante do vazamento. Dia 22 de julho, o departamento onde Tsagati trabalhava emitiu uma nota afirmando que “as imagens haviam sido encaminhadas para análise cuidadosa pelas autoridades judiciais”.
Tsagati, promotor dos valores conservadores islâmicos na cidade de Gilan, também é responsável pela fundação de um centro voltado para a devoção religiosa e o incentivo ao uso do véu (hijab) na região. Autoridades iranianas afirmaram desconhecer qualquer comportamento suspeito de Tsaghati antes do vídeo vazado (eu também conheço casos assim).
De acordo com o Jornal O Globo, sábado (29), o ministro da cultura do Irã, Mohammad Mehdi Esmaili, disse que não havia relatos negativos sobre o funcionário. Comentários críticos ao escândalo apontam o contraste no tratamento dado a autoridades do governo quando são acusadas de um crime em comparação às mulheres e à comunidade LGBTQIAPN+. Peyman Behboudi, editor-chefe da Radio Gilan, responsável pelo vazamento, e correndo risco de morte, disse que o canal continuará expondo a “corrupção entre as autoridades do regime”.
