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Dois novos casos de remissão do HIV são anunciados; total chega a 13 no mundo

Redação,
28/07/2026 | 15h07
(Foto: Viktoria Ruban/ Getty Images)

Pesquisadores anunciaram dois novos casos de remissão do HIV durante a 26ª Conferência Internacional sobre Aids, realizada no Rio de Janeiro. Com os novos registros, chega a 13 o número de pessoas no mundo que permanecem sem carga viral detectável mesmo após interromperem o tratamento antirretroviral, segundo a Sociedade Internacional de Aids (IAS).

Geralmente, quando uma pessoa interrompe o tratamento contra o HIV, o vírus volta a se multiplicar rapidamente. Nos dois casos apresentados na conferência, no entanto, isso não ocorreu. Os pacientes passaram por transplantes de medula para tratar doenças graves e, posteriormente, interromperam o uso dos antirretrovirais sob acompanhamento médico.

Um dos casos é de um homem de 21 anos, morador de Kansas City, no Missouri (EUA), que recebeu diagnóstico de HIV e desenvolveu leucemia mieloide aguda. Em outubro de 2020, ele passou por um transplante de medula realizado com células de uma doadora que apresentava duas cópias de uma rara mutação genética conhecida como CCR5-delta32.

Essa alteração impede que as formas mais comuns do HIV utilizem uma das principais portas de entrada para infectar as células do sistema imunológico. Após o transplante, o paciente teve complicações e precisou receber um reforço de células-tronco. A interrupção assistida dos antirretrovirais ocorreu posteriormente e, após 14 meses, os exames continuavam sem detectar o HIV no sangue ou vírus com capacidade de se replicar.

Além disso, os anticorpos contra o HIV permaneceram detectáveis, assim como respostas imunológicas específicas contra proteínas do vírus. Os pesquisadores continuam acompanhando o paciente para verificar se a ausência de replicação viral será mantida ao longo do tempo.

O segundo caso ocorreu na Alemanha, em um paciente que também recebeu um transplante de medula e tinha histórico de hepatite B. O doador apresentava a mesma mutação genética associada à resistência às formas mais comuns do HIV.

Após a interrupção do tratamento antirretroviral, o HIV permaneceu indetectável por 12 meses. Os pesquisadores também não encontraram vírus com capacidade de se multiplicar nem material genético completo do HIV em amostras do intestino, considerado um dos principais reservatórios do vírus no organismo.

A interrupção dos medicamentos, porém, fez a hepatite B voltar a se replicar 25 dias depois. Isso ocorreu porque parte dos medicamentos utilizados no tratamento do HIV também atuava no controle da hepatite B. Mesmo com a reativação da infecção, não houve retorno da replicação do HIV.

Remissão, e não cura

Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores evitam classificar os casos como cura definitiva. O termo utilizado é remissão do HIV, porque ainda não é possível comprovar que todo o vírus foi eliminado do organismo.

O HIV pode permanecer em estado de latência em reservatórios localizados em diferentes tecidos e órgãos, onde os exames disponíveis atualmente podem não conseguir identificá-lo. Por isso, mesmo pacientes que permanecem sem carga viral detectável após a interrupção dos antirretrovirais precisam ser acompanhados por períodos prolongados.

A interrupção do tratamento também não deve ser realizada por pessoas que vivem com HIV fora de estudos clínicos e sem acompanhamento médico. Na maioria dos casos, a suspensão dos antirretrovirais faz com que o vírus volte a se multiplicar rapidamente.

Os novos casos representam, portanto, um avanço importante para a pesquisa científica. Embora os transplantes de medula não sejam uma alternativa de tratamento para a maioria das pessoas que vivem com HIV, esses episódios ajudam os pesquisadores a compreender os mecanismos capazes de impedir a retomada da replicação viral.

O conhecimento obtido pode contribuir para o desenvolvimento de futuras estratégias de tratamento, como terapias gênicas e outras abordagens capazes de eliminar ou controlar os reservatórios do HIV sem a necessidade de procedimentos de alto risco.

Conferência no Brasil

A 26ª Conferência Internacional sobre Aids acontece entre os dias 26 e 31 de julho, no Rio de Janeiro. Promovido pela Sociedade Internacional de Aids, o evento reúne pesquisadores, profissionais de saúde, ativistas e representantes de organizações de diferentes países.

Esta é a primeira vez que a principal conferência internacional sobre HIV e Aids é realizada na América Latina. A edição de 2026 conta com apoio do Ministério da Saúde, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), da Prefeitura do Rio de Janeiro, da Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (Abia) e do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids) no Brasil.