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Dandara Akotirene é a primeira mulher trans a conquistar o título de Negra Malê

Carlos Leal,
03/02/2026 | 11h02

A noite do último domingo, 1º de fevereiro, marcou um momento histórico de renovação e representatividade para o bloco Malê Debalê. Dandara Akotirene, mukher trans, 33 anos, foi a grande vencedora do concurso Negra Malê 2026, garantindo o primeiro lugar em uma disputa descrita pelos organizadores como uma verdadeira prova de resistência.

Moradora do bairro de Luiz Ancelmo, Dandara não é estreante na entidade. Sua trajetória no bloco começou em 2024, quando foi coroada princesa. Dois anos depois, ela alcança o posto mais alto da corte, consolidando uma jornada de persistência. “Para mim é um sonho que se tornou realidade. Faço parte da família Malê desde 2024 […] e de lá para cá venho tentando esse título que chega na hora certa”, celebra Dandara, que afirma ainda estar em êxtase com o resultado.

Para a nova Negra Malê, o título carrega um peso que vai além da estética ou da celebração carnavalesca. Como mulher trans ocupando um espaço de destaque no maior balé afro do mundo, Dandara enxerga sua vitória como um ato político e coletivo. “É vitória. É resistência. Para mim não são apenas um manto ou uma coroa, mas estou mostrando que é possível acreditar”, afirma. Segundo a vencedora, sua performance no palco não foi solitária, mas impulsionada pela energia de todas as pessoas que torceram e acreditaram na base do “vá com fé”.

A edição de 2026 do concurso buscou reafirmar o Malê Debalê não apenas como um bloco afro, mas como um espaço de acolhimento e consciência social. O título de Negra Malê deste ano representa uma “nova história” e um “novo Malê”, reforçando a identidade do grupo como uma grande família onde é possível sonhar com sabedoria e ciência de sua própria identidade.

Consagrada e consciente de seu papel, Dandara finaliza com a certeza de quem sabe o que representa para a cultura afro-brasileira: “Hoje, sou Negra Malê. Hoje, sou Negra Malê resistência.”