Chico Alencar:A favor de gays nas Forças Armadas

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Alexandre, O Grande, rei da Macedônia, foi um general vencedor de batalhas contra persas e egípcios. Sua bissexualidade, registrada por muitos historiadores, não impediu que liderasse seu exército na conquista de um império que ia dos Bálcãs, no leste europeu, à Índia.
O General Cerqueira, postulante a uma vaga no Superior Tribunal Militar, ao afirmar que “soldados não obedeceriam a comandantes homossexuais”, revelou, sem querer, que essa falta de autoridade não reside na orientação sexual do militar, mas sim no preconceito que ainda persiste na sociedade.

Até há pouco, as Forças Armadas, como o futebol, eram vistas como local exclusivamente para homens “duros”, onde quem deixasse transparecer homossexualidade seria visto como menos capaz. Mas a sociedade está mudando: mulheres já fazem parte das forças militares e policiais e a atração de um homem por outro passa a ser vista como uma das múltiplas possibilidades de vivenciar a sexualidade. Não reduz a competência técnica e profissional de ninguém, em nenhum setor da atividade humana.

A discriminação manifesta-se bem além da fala do general: estão aí os casos alarmantes de agressões a homossexuais e a resistência da bancada fundamentalista no Congresso em aprovar a lei que pune a homofobia. Avanços, porém, têm sido conquistados, sobretudo no Judiciário, que vem reconhecendo o direito de pensão, de herança e de adoção compartilhada de crianças.

Após manifestar visão conservadora e mesmo discriminatória contra um segmento, por sua orientação sexual — que é de foro íntimo e inquestionável — terá o postulante à Corte a neutralidade necessária para julgar eventuais casos que envolvam homossexuais que servem nas Forças Armadas?
*Professor de História e deputado federal (PSOL-RJ)


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