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Conheça o MLCM+, movimento de luta pelo protagonismo feminino de mulheres latino-americanas e caribenhas vivendo com HIV/aids

Genilson Coutinho,
06/03/2024 | 11h03
Foto reprodução MLCM+

Em 2022, segundo dados do Unaids, 53% de todas as pessoas vivendo com HIV no mundo eram mulheres e meninas. Neste mesmo ano, 46% de todas as novas infecções por HIV ocorreram entre mulheres e meninas (de todas as idades). Semanalmente, cerca de 4 mil mulheres e adolescentes do sexo feminino de 15 a 24 anos foram infectadas por HIV no mundo. Destas, 3.100 ocorreram na África subsaariana.

Os dados acima mostram claramente o quando ainda é um desafio ser mulher em sociedades patriarcais. Ser mulher vivendo com HIV/aids torna-se um desafio ainda maior. Se hoje a situação das mulheres com HIV é difícil em termos de estigma e preconceito, nos primeiros anos da epidemia de aids a história conta que esta questão assolava o mundo, junto com a incerteza do que o futuro reservava.

Dados do Programa Conjunto da Nações Unidas (UNAIDS) mostram como a epidemia de aids tem se apresentado em alguns países da América Latina. No Brasil, do total de 1 milhão de pessoas vivendo com HIV no país, 35%  [350 mil] são mulheres.

Na Colômbia, 35 mil mulheres com 15 anos ou mais vivem com HIV/aids. Mais de 1 mil foram diagnosticadas recentemente. Lá, a taxa de prevalência do HIV entre mulheres desta faixa etário gira em torno de 0.2 [0.1-0.2].

Já na Argentina, a prevalência em meninas e mulheres de 15 a 49 anos é de 0,3 [0.3-0.3]

Cerca de 89% das bolivianas vivendo com HIV/aids estão em TARV; 344 delas são mulheres gestantes. Recebendo a terapia antirretroviral para o tratamento da infecção pelo vírus da aids, é possível impedir que a criança nasça HIV+.

O Movimento Latino-Americano e do Caribe de Mulheres Positivas (MLCM+) é uma iniciativa que nasceu neste contexto de mundo. O MLCM+ é um movimento que visa fortalecer a união e a resposta ao HIV, com foco nas mulheres vivendo com o vírus na região da América Latina e do Caribe. Ele se destaca por suas ações de advocacy, empoderamento e defesa dos direitos humanos em prol das mulheres HIV+, buscando sempre garantir que suas vozes sejam ouvidas e que suas necessidades sejam atendidas.

A história de ativismo do MLCM+ vem desde o início da epidemia de aids, quando as mulheres enfrentavam não apenas o estigma e a discriminação associados à aids na América Latina, mas também a falta de medicamentos antirretrovirais e acesso a serviços de saúde, fato que ceifou a vida de muitas delas.
Diante dessa realidade, mulheres HIV+ e ativistas começaram a se organizar para exigir melhores condições de vida e tratamento.

Ao longo dos anos, o Movimento Latino-Americano e do Caribe de Mulheres Positivas conquistou importantes avanços, como a inclusão de questões de gênero nas políticas públicas de aids e avanços no âmbito da prevenção. Além disso, o movimento social vem atuando na construção de um novo olhar com relação à sexualidade e vulnerabilidade das mulheres latino-americanas e caribenhas.

Hoje, o movimento luta em prol dos direitos das mulheres vivendo e convivendo com o HIV e com a aids, trabalhando para garantir que todas tenham acesso ao tratamento antirretroviral, assim como em outros cuidados de saúde, o que inclui especialmente a saúde mental feminina, considerando as necessidades específicas e problemas que impactam as mulheres latino-americanas e caribenhas diariamente.

O MLCM+ atua em nível nacional, regional e global frente aos desafios do HIV/aids. Conta com representação em países como Colômbia, Guatemala, Paraguai, México, Venezuela, Argentina, Bolívia, Perú, Chile, Honduras, Brasil, Cuba, Panamá. No Brasil, o MLCM+ atua em parceria com o Movimento Nacional das Cidadãs Posithivas.

Contexto histórico

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Em 1994, no Peru, um grupo de mulheres vivendo com HIV/aids de diferentes países da América Latina se reuniam para debater a importância de realizar um encontro macro de mulheres positivas. Assim, com o apoio da Liga Colombiana de Mulheres Contra a Aids , consolidou-se, na época, o primeiro ‘Seminário de Mulheres Vivendo com HIV/aids Regional’, em Bogotá, Colômbia, que ocorreu pouco tempo mais tarde, em janeiro de 1999.

O resultado desse encontro foi a criação e efetivação do Movimento Latino-Americano e Caribenho de Mulheres Positivas, nascido oficialmente em 1 de fevereiro daquele mesmo ano.

O MLCM+ atua como uma entidade autônoma, com uma forma constitutiva definida, estrutura, visão, missão, identidade e valores organizacionais que devem ser compreendidos e internalizados por quem faz parte. O coletivo de mulheres se baseia na premissa de solidariedade e coletividade feminina.

O movimento também inspirou a tomada de decisões e ativismo de mulheres no Brasil, o maior país da região em termos de população e extensão territorial.

Conheça mais sobre o MCLM+ acessando o site oficial: https://www.movimientodemujerespositivas.org/

Da Agência AIDS