Com MACACOS, Parto Pavilhão e Embarque Imediato, dramaturgia negra ocupa Salvador no Melanina Acentuada Festival
A partir da próxima quinta-feira, dia 10 de julho, o circuito teatral do Melanina Acentuada Festival retorna à cena baiana com apresentações dos espetáculos MACACOS, Parto Pavilhão e Embarque Imediato.
Abrindo a programação em grande estilo, a estreia da noite fica por conta da performance Ana e Tadeu, texto de Mônica Santana com direção de Diego Araúja, na quinta-feira, 10, às 20h, no Teatro do Goethe-Institut. O espetáculo se repete na sexta-feira, 11, às 19h, convidando o público a um olhar sensível sobre afeto, dor e violência urbana no seio familiar das comunidades negras e periféricas.
A montagem reúne nomes premiados da dramaturgia, como Mônica Santana, também em cena e indicada ao Prêmio Bahia Aplaude 2025; Antonio Marcelo, ator e mestre em Crítica Cultural; e Diego Araúja, diretor baiano vencedor do Prêmio Braskem de Teatro na categoria Melhor Texto.
Na sexta-feira, 11, o monólogo MACACOS faz sua tão aguardada chegada ao Teatro Jorge Amado. Sucesso de bilheteria, o espetáculo de Clayton Nascimento, que assina texto, direção e atuação, provoca reflexões profundas sobre o racismo cotidiano vivido pelo homem negro. Em cena, apenas o corpo do artista e um batom compõem a narrativa. “Com um batom em punho, um homem negro pergunta: por que ainda nos chamam assim?”, provoca Clayton.
Neste ano, MACACOS percorre turnê nacional passando por Rio de Janeiro, Bahia, Maranhão e São Paulo, após temporadas na Europa e nos Estados Unidos. A força da peça, que emociona o público, consolidou Clayton Nascimento como o quarto ator negro mais jovem a receber o Prêmio Shell de Teatro, além dos reconhecimentos pelo APTR de Teatro (2024) e Prêmio APCA (2023).
Programação do final de semana (12 e 13 de julho)
O sábado, 12, concentra o maior número de atividades do festival, com nove programações. Entre elas, a reapresentação de MACACOS no Teatro Jorge Amado, às 19h; ateliês de escrita e consultoria dramatúrgica; o retorno do Café Melanina; encontros com personalidades como Eugênio Lima (Teatro Hip-Hop); e uma entrevista pública conduzida por Aysha Nascimento, protagonista da peça Parto Pavilhão.
Pela primeira vez em Salvador, Parto Pavilhão chega ao Teatro do Goethe-Institut no sábado, 12, às 20h, e no domingo, 13, às 19h. Com direção de Naruna Costa e texto original de Jhonny Salaberg, o espetáculo traz Aysha Nascimento no papel de Rose, ex-técnica de enfermagem presa em uma penitenciária provisória para mães. Inspirada em fatos reais, a obra mistura realismo fantástico ao caso das nove mulheres encarceradas com seus bebês na CPP Butantã, em 2009.
Encerrando a trilogia de Jhonny Salaberg iniciada com Mato Cheio (2017) e Buraquinhos ou O Vento é Inimigo do Picumã (2018), Parto Pavilhão não trata apenas do cárcere feminino ou da luta anti-prisional, mas mergulha na subjetividade de Rose, personagem complexa que reúne erros, acertos e interesses. O espetáculo foi indicado ao Prêmio Shell de Teatro 2024 nas categorias Dramaturgia e Direção e encerra uma pesquisa de oito anos de Salaberg sobre o genocídio da população negra e as fugas pela sobrevivência.
Também no final de semana, o Teatro Cambará da Casa Rosa recebe o espetáculo Pretamorphosis, dirigido e interpretado por Toni Silva. Com sessões no sábado, 12, às 19h e no domingo, 13, às 20h.
Idealizador do Melanina Acentuada Festival, Aldri Anunciação também assina o texto de Embarque Imediato, que será apresentado no Cineteatro 2 de Julho. Dirigida por Márcio Meirelles e Fernando Philbert, a montagem conta com atuações potentes de Rocco e Antônio Pitanga, em sessões no sábado, 12, às 20h, e domingo, 13, às 19h.
Na peça, dois homens negros se encontram na sala de segurança de um aeroporto internacional: um ancião africano (Antônio Pitanga) e um jovem brasileiro (Rocco Pitanga). O encontro provoca reflexões sobre a diáspora africana, construindo uma narrativa que conecta passado, presente e futuro, em diálogo direto com o tema do Ano VII do festival, a Ancestralidade Futurística.
“Toda essa riqueza do Melanina, seus espetáculos, performances, monólogos e diálogos, representa a dramaturgia negra no Brasil. Queremos aproximar cada vez mais o público dessa cena, que provoca e emociona. Brincar com a Ancestralidade Futurística no formato teatral é proposital pois alcança diferentes gerações, que aprenderam sobre vivências negras de formas diversas, mas compartilham o mesmo objetivo: colocar a persona negra no centro dos palcos, com suas experiências e visões de mundo”, reflete Aldri, vencedor do Prêmio Jabuti de Literatura (2013) e autor de Namíbia, Não!, que deu origem ao filme Medida Provisória, dirigido por Lázaro Ramos.
Encerrando a programação dos seis dias de festival, a multiartista Jamile Cazumbá apresenta Um Ritual – Recital Performático no Teatro do Goethe-Institut, com duas sessões na segunda-feira, 14, às 16h e 18h. Criada em 2019, a obra já circulou por Lisboa (Portugal), Cachoeira (BA), São Luís (MA), Rio de Janeiro e São Paulo, reunindo experimentações cênicas e visuais em diálogo com as artes afro-diaspóricas.
Todas as atividades do Melanina Acentuada Festival são gratuitas, exceto os espetáculos, que possuem valor simbólico de R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia). Viabilizando a integração, o festival dispõe de 5% da lotação do espaço para acessibilidade e 10% distribuída gratuitamente para estudantes de escolas estaduais. Para participar, os ingressos para os espetáculos poderão ser adquiridos através do Sympla. Mais informações através do perfil no Instagram @melaninaacentuada.
O Melanina Acentuada Festival – Ano 7 foi contemplado nos Editais da Política Nacional Aldir Blanc Bahia e tem apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia, por meio da Secretaria de Cultura do Estado via PNAB, direcionada pelo Ministério da Cultura – Governo Federal.
PROGRAMAÇÃO OFICIAL – MELANINA ACENTUADA FESTIVAL – ANO 07
Confira em: https://melaninaacentuada.com.br/festival/
(A programação pode sofrer alterações)
