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Bahia concentra casos de hepatites B e C do Nordeste; especialista reforça alerta para prevenção

Redação,
21/07/2026 | 11h07

Diagnóstico precoce e vacinação contra os tipos A e B, disponíveis nas redes pública e privada, também são importantes para prevenir a disseminação

(Foto: Acervo Sabin)

Silenciosas em muitos casos, as hepatites virais – causadas pelos vírus A, B, C, D e E – e que têm o dia mundial de luta celebrado no dia 28 de julho, continuam sendo um importante desafio para a saúde pública no Brasil, em virtude do potencial de provocar complicações graves quando não diagnosticadas precocemente. As doenças provocadas por esses agentes infecciosos afetam especialmente o fígado, provocando alterações de leves a graves, e podem ter diferentes formas de transmissão e evolução.

O último Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais do Ministério da Saúde, divulgado em julho do ano passado, mostra que o Brasil registrou 826.292 casos confirmados de hepatites virais, entre 2000 e 2024. A hepatite C foi a mais frequente, respondendo por 41,5% das notificações (342.328 casos), seguida pela B, com 36,6% (302.351), e pela A, com 21,2% (174.977). As hepatites D – endêmica na região Norte do país – e E – que é rara no Brasil – representaram, juntas, menos de 1% dos registros.

O Nordeste concentra a maior proporção de infecções por hepatite A (29,2%). A Bahia, por sua vez, registrou o maior número de casos notificados de hepatite C na região, com 9.908 ocorrências e 2.383 mortes. Apesar disso, a forma mais comum de hepatite no estado é a B, com 10.635 casos, com um número menor de óbitos (721). As ocorrências notificadas do tipo A foram de 9.463, deixando o estado na segunda posição, atrás de Pernambuco, com 10.913 casos.

No Brasil, a população tem acesso a duas vacinas eficazes contra os tipos A e B, que podem ser encontradas nas redes pública e privada. “A imunização disponível é segura, eficaz e representa uma das principais formas de prevenção das hepatites A e B. Isso porque, além de proteger o indivíduo contra complicações graves, como cirrose e câncer de fígado, as vacinas contribuem para reduzir a circulação dos vírus na população”, afirma o infectologista e consultor do Sabin Diagnóstico e Saúde, Claudilson Bastos.

Ele alerta ainda que, para prevenir o tipo A, as pessoas devem redobrar os cuidados com a higienização dos alimentos e das mãos, ingerir água filtrada ou fervida e fazer sexo com proteção. Para a hepatite C, a melhor medida é evitar compartilhar objetos de uso pessoal, como alicates, agulhas e lâminas, fazer uso de camisinha, e certificar-se, no caso de procedimentos estéticos, como fazer tatuagem ou ir à manicure, de que os materiais sejam descartáveis ou devidamente esterilizados em autoclave. Já no caso do tipo B, classificado como Infecção Sexualmente Transmissível (IST), é imprescindível o uso de preservativo em todas as relações sexuais (oral, anal ou vaginal).

“Percebo, durante os atendimentos, que muitos pacientes apresentam quadro de hepatite porque não utilizam camisinhas em suas relações sexuais, principalmente os mais jovens que fazem uso de PrEP (Profilaxia Pré-Exposição) nos serviços de prevenção combinada. Eles acreditam que a medicação também vai proteger contra outras ISTs, o que não é verdade. Por isso, o uso do preservativo, juntamente com a PrEP, que previne a infecção pelo HIV, é importante para evitar a hepatite B, que é a mais comum de transmissão sexual, mas também as do tipo A e C”, informa o infectologista.

Um dos principais obstáculos para o enfrentamento das hepatites virais é a dificuldade de identificar precocemente alguns tipos da doença. Enquanto a A pode se manifestar como uma infecção aguda, as B, C e D podem permanecer silenciosas por anos, sendo muitas vezes descobertas apenas quando já existe algum comprometimento do fígado. Em alguns casos, podem surgir sinais como cansaço, vômitos, febre, náuseas, dor abdominal, constipação ou diarreia, pele e olhos amarelados, urina escura e fezes claras.

Diagnóstico e tratamento

A confirmação das hepatites virais é realizada, principalmente, por meio de exames de sangue. Esses testes permitem identificar se a pessoa teve contato com o vírus, se está com infecção ativa e, em alguns casos, a quantidade de vírus circulando no organismo.

O tratamento, por sua vez, varia conforme o tipo da doença. A hepatite A costuma apresentar recuperação espontânea, com indicação de repouso, hidratação e acompanhamento médico. Já a B pode recomendar o uso de antivirais em casos crônicos, além de monitoramento contínuo para prevenir complicações hepáticas.

No caso da C, há tratamentos altamente eficazes com antivirais de ação direta, capazes de eliminar a infecção na maioria dos pacientes. A hepatite D requer acompanhamento mais rigoroso por ocorrer associada à B. Já a E geralmente é autolimitada e demanda apenas cuidados de suporte, exceto em situações mais graves.