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Ativista pelos direitos LGBT+ do Quênia é encontrado morto com sinais de tortura

Genilson Coutinho,
07/01/2023 | 11h01
Foto: Reprodução Internet

O ativista pelos direitos LGBT+ do Quênia, Edwin Chiloba, foi encontrado morto em seu país de origem na terça-feira, 3, dentro de uma caixa de metal e com sinais de tortura. O crime atraiu a condenação e pedidos de justiça por parte de amigos e entidades de proteção aos direitos humanos, e um suspeito de participar da ação foi preso pela polícia.

Edwin Chiloba era um designer de moda, modelo e proprietário de uma marca de roupas, ChilobaDesigns. Ele é popular nas redes sociais do Quênia e entre a comunidade LGBT+ do país. Chiloba falava sobre a importância da inclusão com relevância cada vez maior. Ele foi descrito por amigos como alguém ousado e apaixonado, que amava as pessoas e a moda e que usava o trabalho como uma ferramenta em prol dos direitos LGBT+.

Nas redes sociais quenianas, a notícia do assassinato provocou um luto generalizado e pedidos para que as autoridades investiguem e processem os responsáveis. “Este é um crime assustador, mas que está se tornando comum no Quênia – evidência de uma crescente epidemia de violência no país”, declarou a Comissão de Direitos Humanos do Quênia (KHRC), uma entidade não-governamental do país, no Twitter.

A KHRC relembrou outro assassinato recente contra LGBT+ no Quênia, contra Sheila Adhiambo Lumumba, de 25 anos, uma lésbica não-binária, em abril de 2022. À Direção de Investigações Criminais e ao Gabinete do Diretor do Ministério Público, a organização pediu que “conduzam investigações rápidas e garantam que os assassinatos sejam detidos e processados”.

No Quênia, cristãos conservadores exercem um enorme poder político e grupos civis têm dificuldades de garantir os direitos LGBT. O sexo entre pessoas do mesmo gênero é criminalizado com penas de prisão de até 14 anos, sob uma disposição do Código Penal da época do domínio colonial britânico. Embora raramente seja aplicada, a Human Rights Watch disse que a legislação contribui para um “clima de discriminação e violência”.

Fonte: Estadão