“A Paixão Segundo G.H.B.”, de Gustavo Vinagre e Vinícius Couto, tem première Brasil no Olhar de Cinema em Curitiba
O longa-metragem A Paixão Segundo G.H.B., dirigido por Gustavo Vinagre e Vinícius Couto, tem première brasileira no Olhar de Cinema – Festival Internacional de Curitiba, que acontece entre os dias 4 e 13 de junho na capital paranaense. O filme teve estreia mundial no Festival Internacional de Cinema de Rotterdam, na Holanda, e integrou a programação do BAFICI – Festival Internacional de Cinema Independente de Buenos Aires, na Argentina, e outras mostras internacionais.
A estreia brasileira acontece em duas sessões no festival: a primeira no dia 11 de junho, às 17h30, na Cinemateca de Curitiba; e a segunda no dia 12 de junho, às 13h45, no Cine Passeio (Sala Ritz). O filme propõe uma imersão sensorial e política nas dinâmicas do desejo, da intimidade e do uso de substâncias dentro da comunidade gay contemporânea, prática conhecida como chemsex.
Na trama, um encontro entre dois homens evolui para experiências coletivas cada vez mais intensas. Em meio a essa jornada, o protagonista Matias revisita memórias afetivas e sexuais enquanto dialoga com uma figura fictícia inspirada na literatura brasileira, evocando diretamente o universo de Clarice Lispector.
O título começou como uma piada quase aleatória: colocar o clássico A Paixão Segundo G.H., de Clarice Lispector, dentro de uma orgia gay. Com o tempo, porém, a referência se revelou essencial. A G.H. de Clarice não suporta a realidade, ingere algo desconhecido e perde a linguagem, fazendo com que essa experiência de dissociação, fragmentação e silêncio ecoe de forma potente no filme.
Nesse sentido, como afirmam os diretores Gustavo Vinagre e Vinícius Couto, “A Paixão Segundo G.H.B. nasce da urgência de confrontar o silêncio em torno do chemsex, propondo uma abordagem que privilegia memória, sensação e afeto em vez de julgamento moral. A narrativa é estruturada em dois movimentos: um primeiro marcado por excesso e paixão, e um segundo por repetição e esgotamento, refletindo ciclos recorrentes de desejo e limite.”
Produzido pela Carneiro Verde Filmes, o longa é estrelado por Vinícius Couto, Igor Mo, Rodrigo Campos, Luciano Falcão, Christiane Tricerri e Jessé Jorge. A distribuição dos cinemas brasileiros é da Cajuína Audiovisual.
Sinopse e mais informações sobre os realizadores:
A Paixão Segundo G.H.B – direção: Gustavo Vinagre e Vinícius Couto – Brasil – 2026 – 75 min
Sinopse:
Um encontro casual vira um ménage à trois; o ménage à trois vira uma orgia. Nesta odisseia de quarto gay de realismo mágico, Matias relembra seus encontros passados e reflete sobre seu futuro, enquanto conversa com uma figura fictícia da literatura brasileira.
Festivais e prêmios:
• IFFR – International Film Festival Rotterdam – 2020
Equipe:
Roteiro e direção: Gustavo Vinagre e Vinícius Couto
Produção executiva: Gustavo Vinagre e Rodrigo Carneiro
Produção de pós: João Marcos de Almeida
Direção de fotografia: Matheus da Rocha Pereira
Codireção de fotografia: André Sicuro
Montagem: Gabriel Fausztino
Som direto: Rodney Blanco
Mixagem de som: Lázaro Uilgner
Coordenação de estúdio de som: Daniel Turini e Marília Mencucini
Estúdio de som: Confraria de Sons & Charutos
Colorização, câmera adicional, composição musical, créditos e design do pôster: João Marcos de Almeida
Elenco:
Vinícius Couto como Matias (ele mesmo)
Igor Mo como Ricardo (ele mesmo)
Rodrigo Campos como Free Wolf (ele mesmo)
Luciano Falcão como Lucas (ele mesmo)
Christiane Tricerri como G.H.
e Jessé Jorge
Sobre Gustavo Vinagre (1985, Brasil): é cineasta e documentarista, tendo escrito e dirigido mais de 14 curtas-metragens e seis longas. Estudou Letras na Universidade de São Paulo e cinema na EICTV, em Cuba. Com uma carreira prolífica de mais de 10 anos, seus filmes são conhecidos pela vibrante abordagem queer e pela intimidade no tratamento da imagem e do som. Seu primeiro longa de ficção, Três Tigres Tristes, estreou na seção Fórum da Berlinale em 2022. Seus filmes já conquistaram mais de 100 prêmios e foram destacados duas vezes pela revista Cahiers du Cinéma.
Filmografia:
2012 – Filme para poeta cego; 27 min.
2013 – La llamada; 19 min. · Nova Dubai; 50 min.
2014 – Mãos que curam; 19 min.
2015 – Chutes; 24 min.
2016 – Os cuidados que se tem com o cuidado que os outros devem ter consigo mesmos; 21 min.
2017 – Filme-catástrofe; 18 min. · Cachorro; 14 min. · Medo medo medo; 20 min.
2018 – Lembro mais dos corvos; 82 min.
2019 – A rosa azul de Novalis; 70 min.
2020 – Vil, má; 86 min.
2021 – Desaprender a dormir; 94 min. ·
2021 Deus tem AIDS; 82 min.
2021- Monumento ao Wi-Fi; 14 min.
2022 – Três tigres tristes; 86 min.
2026 – Privadas de suas vidas; 120 min.
Sobre Vinícius Couto é um artista brasileiro e diretor criativo baseado em Portugal. Desenvolve uma narrativa poética e disruptiva que orbita investigações pós-estruturalistas e experiências subjetivas. Sua prática artística explora intersecções entre gênero, raça, sexualidade, classe e territorialidade migrante LGBTQIA+. No centro de seu trabalho está o questionamento do imaginário coletivo sobre corpos não normativos, utilizando o desejo como ferramenta de desconstrução, resistência e criação.
No cinema, assinou direção de arte e figurino de videoclipes e filmes premiados exibidos em festivais como Cannes, Berlinale, Rotterdam, Queer Porto, Brasília, Gramado e IFA. Trabalhou com artistas como Anitta, Zuaa Isabel, Welket Bungué, Cardi B, Céu, Liniker, Linn da Quebrada, Gloria Groove, Criolo e Gisele Bündchen. Entre seus trabalhos mais relevantes estão Kbela — premiado como Melhor Curta da Diáspora Africana pelo AMAA em 2017 — e Deus tem AIDS, vencedor do Queer Porto em 2021.
Sobre a Produtora:
A Carneiro Verde Filmes é uma produtora independente com mais de 15 anos de atuação. Fundada por Gustavo Vinagre e Rodrigo Carneiro, produziu 10 longas-metragens exibidos e premiados em importantes festivais e centros culturais, como o Lincoln Center e o Centre Pompidou. Seus filmes acumulam mais de 70 prêmios, incluindo o APCA de Melhor do Ano (2019) e o Teddy Award no Festival de Berlim.
Sobre a Coprodutora:
A Filmes do Caixote é uma produtora reconhecida internacionalmente por sua forte identidade autoral, processo colaborativo e experimentação narrativa. Seus trabalhos transitam entre ficção, cinema de gênero, musical e formas experimentais, sempre ancorados na intimidade, na memória social e na tensão política. O grupo ganhou destaque internacional com Trabalhar Cansa, exibido na mostra Un Certain Regard em Cannes, e As Boas Maneiras, premiado com o Prêmio Especial do Júri no Festival de Locarno e Melhor Filme no Festival do Rio.
Sobre a Cajuína Audiovisual:
A Cajuína Audiovisual nasceu para fortalecer a diversidade na distribuição do cinema brasileiro, ampliando a representatividade das muitas culturas e histórias do país. Com sede em Salvador, Bahia, nossa missão é impulsionar a circulação de obras independentes por meio de estratégias de mobilização. Desde 2023, distribuímos títulos como Saudade fez morada aqui dentro, Parque de Diversões, Sede de Rio e Seu Cavalcanti. Siga: @cajuinaaudiovisual.
