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A Força , resistência e a arte de Daniela Mercury no Carnaval de Salvador

Redação,
20/02/2026 | 13h02

Por Genilson Coutinho *

Fotos de Celia Santos.

O Carnaval de Salvador continua sendo um dos maiores do planeta.
E o desejo de muita gente é viver essa magia, que traz no seu DNA a alegria do povo e a potência dos nossos artistas veteranos, e da nova geração.
E no turbilhão desse gigantesco encontro chamado Carnaval, em 2026 quem deu o nome foi ela, a rainha Daniela Mercury, que não se limita a subir apenas no trio, mas que traz sempre algo inovador e que provoca reflexões, principalmente na defesa de pautas importantes.
E do alto do seu trio, transformado em um palco repleto de arte e diversidade, Daniela celebrou nas ruas a força feminina e a cultura afro-brasileira, em sua canção É Terreiro, que venceu na categoriade melhor música do Carnaval 2026 pelo troféu Band Folia.
A música faz saudação a Exu e à Maria Padilha, e o mais importante, convoca as pessoas para combaterem a intolerância e a violência contra o povo de terreiro.
Isso é coragem e compromisso com os direitos humanos. Mas mesmo diante de tudo isso, e de muitas outras lutas desta artista, que há décadas exalta e dá visibilidade à nossa cultura, Daniela ainda é desrespeitada. Nesse carnaval, acompanhei o sucesso e a reinvenção de Daniela Mercury, todos os dias de desfile, arrastando multidões. E em meio ao sucesso e a alegria estampada no rosto do folião, também vi ataques e tentativas de invalidação da sua história e de suas lutas pelo reconhecimento pela abertura de tantos caminhos.
Todo esse afronte é reflexo da hipocrisia e, principalmente, por essas pessoas não aceitarem que uma mulher LGBTQIAPN+ ocupe um lugar de liderança, que ainda hoje continua sendo negado às mulheres.
Mas Daniela não deita para esse sistema machista, adoecedor e patriarcal, seguindo firme nos seus ideais.
Apesar de tantos nãos, a arte venceu através do reconhecimento do povo, que entende a importância do legado cultural de Daniela Mercury para o mundo.
Eles podem continuar com suas vendas de preconceitos nos olhos, incapazes de aceitar o que representa a cantora. E nós celebramos viver no mesmo tempo dessa uma potência feminina chamada Daniela Mercury.
Ou, como o mundo a conhece, Rainha do Axé.

*Genilson Coutinho é Editor-chefe do Dosi Terços e ativista LGBTQIAPN+