“Enfrentamos a lesbofobia, racismo, machismo e sexismo, não quero ser vista como coitadinha”, diz Livia Ferreira, militante LGBT
A administradora, poetisa e integrante do Lesbibahia Lívia Ferreira é a nossa convidada desta sexta-feira para um bate-papo sobre o Dia da Visibilidade Lésbica. Através de uma reflexão sobre o movimento lésbico em Salvador e no Brasil, a militante ressalta a importância da data e do ano de criação do movimento, pontuando o crescimento permanente da participação de ativistas e militantes na luta diária, além de sinalizar a necessidade urgente na criação de coordenações, conselhos, comitês, núcleos e conferências LGBTT.
Confira abaixo esse emocionante relato.
Temos uma queda muito grande de direitos, a PLC122/2006 anti-homofobia não aprovada; o kit homofobia barrado nas escolas; o tripé da cidadania não aplicado; o retrocesso dos planos municipal, estadual e federal de educação que não querem incluir a palavra gênero nas formações iniciais; sem falar na bancada fundamentalista que assumiu o congresso, câmaras e assembleias do nosso país.
Identifico que temos muito que protestar, somos uma grande parcela desta sociedade, mas não temos dignidade, respeito e direitos conquistados. Sou lésbica negra e observo que não existem os cuidados com a nossa saúde, educação, emprego e condições básicas de vida para todas. Precisamos ser mais rebeldes, pois este governo, os grupos de mulheres e as organizações mistas não nos contemplam, mantendo esse triste ciclo de invisibilidade contínua, Enfrentamos lesbofobia, racismo, machismo e sexismo. Não quero ser vista como coitadinha. Quero que o meu país seja realmente de todas e para todas! Acredito que não é preciso solicitar cidadania, pois temos direitos assegurados pela Constituição Federal no Art. 5º “Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no país a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade”.
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Mas se temos esses direitos garantidos, por que vivemos o tempo todo dentro deste conflito e enfrentamento?
(…) “Quero poder beijar a minha esposa sem sofrer retaliações e sem ser violentada”. Lívia Ferreira
Confira uma das poesias de Livia:
Gratidão
És
Negra
Como uma esperança
Como sonho de criança
Na busca da Aliança
Com as nossas
Tu és majestade
Com sua coroa
Com a sua cabeleira
Expressiva
Com naturalidade
És Negra sim
Da ancestralidade
Das vivências
De amizades
Empoderamento
E arte
És Negra
És Negra
Como a noite a cair
Que traz a beleza
E o brilho da lua
Em que o sol
Faz estrelar
És Negra
És Lésbica
Caliente
Inteligente
Envolvente
De sentimentos
E razão
Que entende
O que é gratidão
És Negra
És Politica
Que estabelece
Para suas
Unidade
Cumplicidade
Autoridade
E amizade
És Negra
Que respeita
E acredita
Que a irmandade
Só acontecerá
Quando houver
Dignidade
E sororidade.
