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Afro-percussão em Salvador: Encontro Ancestral reúne Aguidavi do Jêje, Chico César, BaianaSystem e Ilessi

Genilson Coutinho,
27/10/2026 | 12h10
Foto: Divulgação

No dia 13 de novembro, Salvador recebe o espetáculo Encontro Ancestral, que reúne Aguidavi do Jêje, Chico César, BaianaSystem e Ilessi na Concha Acústica do Teatro Castro Alves. A apresentação coloca no centro do palco uma formação composta por 14 ogãs, mais de 18 instrumentos e 15 atabaques confeccionados artesanalmente por Luizinho do Jêje no Terreiro do Bogum, em um encontro entre uma tradição musical de mais de três séculos e diferentes caminhos da música brasileira. A apresentação marca o encerramento do projeto, que leva a linguagem do Aguidavi para encontros com diferentes artistas.

No centro do espetáculo está a força coletiva do Aguidavi do Jêje. Formado por 14 ogãs, o grupo trabalha com mais de 18 instrumentos, entre eles 15 atabaques confeccionados artesanalmente por Luizinho do Jêje no Terreiro do Bogum, em Salvador. Sob direção musical de Luizinho do Jêje e Kainã do Jêje, a formação combina os ritmos da nação Jêje-Mahi a novas levadas e arranjos criados para o encontro com cada artista.

“Já havia uma conexão muito forte entre nós, construída em encontros anteriores. A música do Aguidavi do Jêje tem uma origem religiosa e a minha parte de uma perspectiva secular, mas ambas se encontram na tradição e na ancestralidade africana. A música brasileira tem uma relação profunda com as matrizes musicais africanas e não há como separar a nossa música dessa tradição que vem dos terreiros. São elementos que muitas vezes estão presentes de forma sutil, mas, quando acontece um encontro como esse com o Aguidavi, essa conexão fica explícita. Para mim, estar com eles fortalece a dimensão de transcendência do meu trabalho e da minha própria existência. E isso é muito bonito”, afirma Chico César.

Em Salvador, Chico César, BaianaSystem e Ilessi entram nesse universo musical a partir de suas próprias trajetórias. O formato é parte central da proposta do espetáculo: os convidados estabelecem um diálogo com o Aguidavi, tendo seus repertórios atravessados pela linguagem percussiva do grupo. Cada encontro parte das características dos artistas e ganha novos arranjos a partir da força dos atabaques e da experiência musical dos integrantes do Aguidavi.

“É de uma importância muito grande para a gente mostrar nossa música de raiz, nossa composição e nossa batida, que vêm do terreiro de Candomblé da nação Jêje. O Encontro Ancestral é uma oportunidade de levar essa música para o mundo e, ao mesmo tempo, encontrar artistas de diferentes estilos e criar novas levadas para suas canções, trazendo a nossa linguagem dos atabaques. Foi um processo de muita dedicação e cuidado, e o resultado é um projeto muito autoral, que encanta o público e mostra a força da nossa raiz e da nossa cultura”, destaca o Aguidavi do Jêje.

Uma música que atravessa gerações

A apresentação em Salvador ganha uma dimensão especial por acontecer no território onde essa tradição musical foi preservada e transmitida entre gerações. Os tambores do Aguidavi carregam conhecimentos que atravessam mais de três séculos no Terreiro do Bogum, um dos mais antigos terreiros de Candomblé do Brasil. É nesse espaço que os integrantes do grupo, todos ogãs, mantêm vivos conhecimentos construídos pela escuta, pela oralidade e pela prática.

Os ritmos da nação Jêje-Mahi estão entre as principais matrizes dessa tradição, que chega ao palco sem perder sua relação com o território e com os fundamentos que a originaram. Em Encontro Ancestral, esses conhecimentos tornam-se ponto de partida para novas criações e para o diálogo com diferentes expressões da música brasileira contemporânea.

Do Terreiro do Bogum ao Grammy Latino

A trajetória do Aguidavi do Jêje ganhou projeção internacional em 2024, quando o grupo se tornou a primeira orquestra afro-percussiva com um álbum indicado ao Grammy Latino. O reconhecimento ampliou a visibilidade de um trabalho desenvolvido a partir da valorização das matrizes africanas e da preservação de conhecimentos musicais transmitidos ao longo de gerações.

O grupo também gravou “Violão de Cabaça” ao lado de Gilberto Gil, além de estabelecer outras colaborações com nomes da música brasileira. Em Salvador, essa trajetória retorna ao território de origem do Aguidavi para um encontro que aproxima sua tradição musical de Chico César, BaianaSystem e Ilessi.

Serviço

Encontro Ancestral | Salvador

Show: Aguidavi do Jêje convida Chico César, BaianaSystem e Ilessi

Data: 13 de novembro de 2026

Local: Concha Acústica do Teatro Castro Alves

Ingressos: https://bit.ly/4gVcDdB