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Brian ou Brenda? – Peça transforma o palco em espaço de luta por identidade e respeito em temporada gratuita em SP

Genilson Coutinho,
14/10/2026 | 12h10
Fotos de Heloísa Bortz: 

Cada vez mais pulsante na sociedade, a discussão sobre identidade de gênero ganha uma abordagem surpreendente em Brian ou Brenda?, com dramaturgia de Franz Keppler e direção de Yara de Novaes e Carlos Gradim, que recria com liberdade ficcional o polêmico caso de David Reimer. Após algumas temporadas de sucesso, o espetáculo está de volta a São Paulo, de 5 a 22 de novembro de 2026, no Teatro João Caetano, de quinta a sábado, às 20h; e domingo, às 19h. A entrada é grátis.

Brian ou Brenda? se passa em 1965, quando nascem os gêmeos Brian e Bruce, que são submetidos a uma cirurgia de fimose aos 8 meses. Durante esse procedimento, o pênis de Brian é acidentalmente cauterizado. Atônitos, os pais procuram o psiquiatra John Money, que defende a tese de que os bebês nasceriam neutros e teriam seu gênero definido pela criação. Ele aconselha a família a fazer em Brian uma operação de redesignação sexual e a educá-lo conforme uma menina.

A criança passa, então, a ser chamada de Brenda. O resultado é uma menina que cresce infeliz em um corpo que não é seu e, ainda adolescente, tenta se matar. Os pais decidem contar a verdade e, então, ela resolve ir em busca da real identidade que nunca havia deixado de ter. Anos depois, Brenda assume a identidade de David Reimer.

A encenação é conduzida por um time de peso: Anderson Müller, Daniel Tavares, Einat Falbel, Fábia Mirassos, Jui Huang, Paula Cancian e Paulo Campos, pessoas com diferentes origens, condições físicas, etnias e identidades de gênero. Mesclando fatos reais e ficcionais, a peça propõe uma reflexão sobre gênero e o direito às escolhas e desejos de cada um, bem como os limites dos tratamentos médicos e psiquiátricos. 

Segundo Kiko Rieser, diretor de produção, Brian ou Brenda? nunca teve a intenção de ser uma reconstituição fiel à vida de David Reimer.

“O caso real é muito importante para nós, mas ele é o ponto de partida para uma obra de ficção. O que precisava ser rigoroso eram os acontecimentos fundamentais e, principalmente, as questões que esse caso coloca“, explica.

Para Rieser, esse equilíbrio era essencial: “Se ficássemos apenas na reconstituição dos fatos, corríamos o risco de fazer uma espécie de reportagem sobre uma história que é muito mais complexa“.

Ele destaca ainda que há um cuidado especial para que o espetáculo não seja lido como uma conclusão simplista sobre a transgeneridade. “O problema não é alguém querer modificar o próprio corpo ou fazer uma transição. O problema é ter essa decisão tomada por outra pessoa, quando você ainda não pode escolher. É uma diferença fundamental, e acho que a peça deixa isso bastante claro“, afirma.

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Cena de ‘Brian ou Brenda?’ – Foto de Heloísa Bortz

Elenco celebra a diversidade e propõe discussão saudável sobre o tema


A diversidade do elenco não foi pensada apenas como uma questão de representatividade, mas para dialogar diretamente com o tema da peça.

“Você tem no palco pessoas com corpos, origens e experiências muito diferentes: uma atriz trans, um ator negro, um ator oriental, uma atriz PCD. E você está contando, ao mesmo tempo, uma história sobre uma pessoa que passou boa parte da vida tendo sua identidade determinada pelos outros“, observa Kiko Rieser. 

Conhecida como um dos casos mais polêmicos da psiquiatria, a violência sofrida por David Reimer é usada por pesquisadores e instituições de todo mundo para fomentar a discussão sobre identidade de gênero. Os grupos conservadores argumentam que este é um exemplo de que uma pessoa biologicamente nascida com o sexo masculino sempre se identificará como um homem. Já os teóricos de gênero defendem que o sofrimento causado pela tentativa de impor uma identidade a David é o mesmo pelo qual as pessoas transgêneras passam na sociedade conservadora que tenta impor seus padrões.

Espetáculo é sucesso de público e crítica

Sucesso absoluto de público e crítica desde a sua estreia, em 2019, o espetáculo foi indicado ao Prêmio Aplauso Brasil na categoria figurino, recebendo menções no site Observatório do Teatro e no blog E-urbanidade como destaque do ano nas categorias Espetáculo, Dramaturgia, Direção, Elenco, Ator coadjuvante, Atriz coadjuvante, Figurino e Trilha sonora.

Em 2022, circulou por diversas cidades do interior paulista, como São Carlos, Bauru, Ribeirão Preto e Presidente Prudente, além de ter se apresentado em centros culturais da cidade de São Paulo, como Centro Cultural da Diversidade, Centro Cultural Penha, Tendal da Lapa e Casa de Cultura São Rafael. Em 2024, voltou a cartaz em São Paulo, nos teatros Itália, Alfredo Mesquita, Paulo Eiró e Arthur Azevedo e circulou pelo Viagem Teatral do Sesi, realizando pequenas temporadas (de duas semanas cada) em São José dos Campos, Ribeirão Preto e Itapetininga.

Idealizado pela Rieser Produções Artísticas e realizado por meio da Lei Rouanet (Lei de Incentivo à Cultura), o projeto tem patrocínio da TozziniFreire Advogados.

SINOPSE:
Baseada em um episódio conhecido como um dos mais polêmicos da psiquiatria, a peça conta a história de Brian. Depois de uma operação malsucedida logo após o nascimento, em que seu pênis é cauterizado, ele é submetido a uma redesignação sexual e passa a ser educado como menina: Brenda. A imposição de crescer em um corpo que não é seu, no entanto, afeta a sua própria vida e a de todos ao seu redor.

FICHA TÉCNICA:

Texto: Franz Keppler

Direção: Yara de Novaes e Carlos Gradim

Elenco: Anderson Müller, Daniel Tavares, Einat Falbel, Fábia Mirassos, Jui Huang, Paula Cancian e Paulo Campos 

Cenário: André Cortez

Figurino: Cassio Brasil

Iluminação: Aline Santini

Trilha sonora: Morris

Orientação de trabalho corporal: Ana Paula Lopez

Direção de produção: Kiko Rieser

Fotografia: Heloísa Bortz

Registro em vídeo: Leekyung Kim

Design gráfico: Letícia Andrade
Assessoria de imprensa: Prisma Colab

Realização: Rieser Produções Artísticas

SERVIÇO:

Brian ou Brenda?
Local: Teatro João Caetano

Endereço: R. Borges Lagoa, 650 – Vila Clementino, São Paulo

Temporada: De 5 a 22 de novembro de 2026

Horários: Quinta a sábado 20h, domingo 19h

Gratuito. É necessário retirar os ingressos antes (no link)

Classificação etária: 14 anos

Duração: 80 minutos